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.INTRODUÇÃO


Esta obra, puramente didática, objetiva familiarizar o leitor com a Teoria Geral da Administração e a Metodologia da Pesquisa.

Os autores: Prof. Dr. Ruy Túllio de Thereza Cortési é renomado especialista em Administração de Empresas com formação de Engenharia da Produção e Civil.

Incluímos neste trabalho quatro Pesquisas de Campo:

1) Lúcia Helena Presoto - Farmacêutica e Bioquímica, com curso de Especialização em Vigilância Sanitária e Epidemiológica, Saúde Pública e Administração Hospitalar nossa colaboradora nos Cursos de Especialização em nível de Pós-Graduação da UNAERP e co-autora das obras Administração de Saúde - dicas para evitar problemas ético-legais, Editora JOTACÊ, 1997; O Diagnóstico e sua importância na Saúde Pública e Administração de Saúde e Burocracia. Neste livro apresenta Pesquisa de Campo enfocando o Perfil dos Portadores de Dengue em Barra do Garças - Mato Grosso.

2) Ana de Fátima Rosa Siviero - Farmacêutica - Bioquímica, especialista em Saúde Pública pela UNAERP, com larga experiência na Fundação Nacional do Índio - FUNAI, registra Pesquisa de Campo sobre Tuberculose Indígena.

3) Agda Rabelo - Bióloga e Especialista em Saúde Pública.

4) Maria Madalena Prezotto - Nutricionista e Especialista em Saúde Pública.

5) Evalda Virgínia do Nascimento Pio - Enfermeira, especialista em Saúde Pública

6) Fernando Lefèvre e Ana Maria Cavalcanti Lefèvre Profs. do Departamento de Prática de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

Como o leitor pode observar, são 4 trabalhos desenvolvidos em pleno Centro-Oeste do Brasil.

Finalmente, ainda registramos os mais profundos agradecimentos a Carmencita Alves Serrão pela grande colaboração na feitura de nossos trabalhos e notadamente, esta obra, a vigésima por ela preparada e montada.


JUAREZ DE QUEIROZ CAMPOS
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TÍTULO I-


FUNDAMENTOS DE TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO


Ruy Túllio de Thereza Cortesi


FOTO - RUY


1. ADMINISTRAÇÃO - OBJETIVO E CONTEÚDO


Administrar é: Planejar, Organizar, Dirigir (comandar) e Controlar.

A Teoria Geral da Administração (T.G.A.) estuda a Ciência da Administração, de forma geral, sem levar em conta o tamanho da organização, sua origem, seus propósitos, se lucrativa ou não, atendo-se unicamente ao estudo de sua administração.

1.1. ADMINISTRAÇÃO - CIÊNCIA DINÂMICA

Administrar e uma ciência com princípios básicos, alguns rígidos, instáveis até, mas dinâmica, acompanhando a evolução da historia, principalmente o desenvolvimento cultural, cientifico e tecnológico.

A administração integra-se a cada alteração tecnológica e conseqüentes modificações culturais e filosóficas.

Professores da Universidade de Harvard (EUA) idealizaram um diagrama, incluindo os principais passos da Administração como mostra a FIGURA 1.

Este diagrama tem formato elíptico dando a idéia de movimento e destacando a característica dinâmica da Administração.

O Diagrama de Harvard contém degraus que representam os "passos" fundamentais da administração: o primeiro, Planejamento, sem o que não se administra nada. O seguinte, Organização complementada por um terceiro degrau, "Preenchimento de Cargos" seguido do quarto, Direção e um quinto, Controle.

O diagrama mostra os diferentes elementos, funções e atividades que integram o processo de administração.

No centro estão as idéias, pessoas e coisas, os componentes básicos da organização.

FIGURA 1 - ELIPSE

As idéias criam a necessidade de teorização, as coisas de administração, e as pessoas de liderança.

GRÁFICO 1 - ETAPAS IMPORTANTES DA EVOLUÇÃO CULTURAL

2. A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL


O desenvolvimento industrial caracterizou-se por dois estágios distintos:

1780-1860 - Revolução do carvão e ferro; e

1860-1914 - Revolução do aço e da eletricidade.

Estes estágios são chamados de 1a e 2a revoluções industriais.

A primeira, apresentou 4 fases:

a) mecanização da industria e da agricultura;

b) aplicação da forca motriz a industria, com o advento da máquina a vapor inventada por Watt;

c) desenvolvimento de um parque fabril e conseqüente crescimento das populações urbanas e suas implicações; e

d) aceleração do sistema de transporte com o surgimento das estradas de ferro e a navegação a vapor.

A segunda caracterizou-se pelo desenvolvimento de novo processo de fabricação do aço; advento do dínamo; e invenção do motor de combustão interna, exigindo a substituição do ferro pelo aço como matéria prima básica e do vapor pela eletricidade e pelos derivados do petróleo.

Esta nova condição provocou mudanças em todas as atividades. Os conceitos de trabalho e salário e os sistemas bancários foram atingidos.

Antes da segunda revolução industrial, a Inglaterra enfrentava problemas conseqüentes do sistema em vigor nas empresas, quanto a faixa etária do trabalhador, salários, horas de trabalho e ausência de direitos sociais. Além disso, havia o problema causado pelo êxodo das populações campesinas que migravam em grandes levas para as cidades industrializadas, como Londres e Manchester e viviam amontoados em "casas de cômodos", onde o habito da "cama quente" era muito freqüente (cama quente: usada por mais de uma pessoa: o trabalhador do período diurno a usava durante a noite e o do noturno durante o dia). Vivia-se condições difíceis, revoltas poucos empresários preocupados em encontrar soluções.

GRÁFICO 2 - FASES DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL


Legenda:
§ = reforma do sistema universitário alemão
• = 1848 - manifestação comunista de Marx e Engels
? = guerra franco/prussiana - 1870
? = advento do automóvel - 1884

Em 1848, Marx e Engels publicaram o seu “manifesto comunista”. É a proposta de um sistema econômico, tratado de forma objetiva, clara e matemática, provocando grande agitação e polêmica, fazendo muitos saírem do comodismo e do anonimato para participarem de uma nova realidade.

A revolução industrial continuou seu curso, atravessou o século e trouxe nova revolução: a Tecnológica, seguindo de modo mais lento até 1914, ocasião da primeira guerra. Como todas as guerras, esta também contribuiu para balançar sistemas, técnicas e costumes. Considerando a indústria em pleno processo de evolução, este conflito produziu avanços tecnológicos importantes provocando grandes mudanças na cultura do século XX. Os costumes evoluíram e a mulher começou a participar das atividades, tanto sociais como profissionais. Os EUA cresciam e ocupavam o espaço deixado pela Inglaterra, projetando-se como primeira potência do mundo. As dificuldades, foram se acentuando e a derrocada financeira mundial ocorreu em 1929 com a "quebra" da bolsa de New York.

Na década de 30 o totalitarismo passou a ocupar um lugar preponderante, a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini desenvolveram-se política, técnica, econômica e belicamente. A política internacional envolvia questões delicadas. A guerra tornou-se iminente e aconteceu em 1939, estendendo-se até 1945. A Alemanha e a Itália eram aliadas e constituíram com o Japão um forte pacto. Roma, Berlim e Tóquio formavam o "eixo" que pretendia dominar a terra.

O avanço científico manifestou-se na tecnologia de guerra, com uma série enorme de recursos utilizados nos processos de industrialização, provocou mudanças de costumes e criou condições de vida, com novas exigências, mudando as perspectivas.

Novos tempos, estávamos em plena era atômica, caminhando a passos largos na busca de tecnologias mais avançadas, alcançadas no final da década de 50 e na de 60. Assim, chegamos a era astronáutica e da incrementação da Cibernética levando a da informática. Chegamos no fim do século, em plena era das comunicações de "massa" cuja agilidade permite um acompanhamento quase instantâneo dos acontecimentos, influindo na administração, cuja dinâmica estará atenta às exigências impostas pela tecnologia.


3. PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO


Follet define administração: "a arte de conseguir com que as pessoas façam as coisas". A administração, é mais que isso. Para Stones "Administração e o processo de planejamento, organização, liderança e controle do trabalho dos membros da organização e do emprego dos outros recursos organizacionais para se atingir os objetivos estabelecidos". Diante desta definição que fazem os administradores? São planejadores, organizadores, líderes e controladores da organização.

E o que são os administradores? São Gerentes, isto é, exercem gestão ou "mordomia" - são mordomos das coisas que lhe são confiadas. Para isso:

1. trabalham com outras pessoas e por meio delas. Por pessoas entendemos, subordinados, chefes, e outros administradores;

2. atuam como canais de comunicação;

3. prestam contas de seus atos;

4. alcançam um equilíbrio entre objetivos e prioridades;

5. pensam analítica e conceitualmente;

6. são mediadores, políticos e diplomatas; e

7. assumem responsabilidades e tomam decisões.

A ciência da administração vem sendo enriquecida através dos séculos, acompanhando o desenvolvimento cultural das civilizações. Os grandes conflitos entre as nações - AS GUERRAS - paralelamente à tristeza das destruições, proporcionam um desenvolvimento tecnológico que provoca grandes alterações dos costumes, exigindo novos sistemas organizacionais e criando desta forma novas "escolas", que confirmam o sucesso evolutivo das ciências, como a Administração. (QUADRO I)


4. O NOVO PARADIGMA


Após a segunda Grande Guerra, os países se empenharam na obra de reconstrução. As técnicas organizacionais e de estratégia administrativa adotadas durante a guerra foram adaptadas para tempos de paz. O conflito mostrara que o êxito depende de uma administração ágil, onde planejamento e organização são fundamentais, com contingentes humanos treinados, e conscientes de sua responsabilidade. Isto levou os dirigentes a promover técnicas de treinamento e discussão de problemas, de forma a preparar a mão de obra, visando a tomada de decisões. Manifesta-se assim uma nova filosofia de trabalho, onde a relação chefe e subordinado começava a encontrar um caminho novo. Uma das práticas adotadas foi a do treinamento de massa, pelo sistema conhecido por T.W.I. (Training Within Industry), adotado durante a guerra. Tratava-se de um programa composto de 3 fases:

I - como relacionar-se no trabalho;

II - como ensinar um trabalho; e

III - como simplificar um trabalho.

Este treinamento obedecia a um procedimento padrão rigorosamente seguido e dele participavam todos os níveis hierárquicos, com a aplicação do sistema a partir da hierarquia superior (Top Down). O T.W.I. foi implantado nos países do mundo ocidental, tornando-se uma prática operada pelos órgãos oficiais. No Brasil o programa teve o apoio do Governo Federal, a partir do Ministério do Trabalho, com participação das Secretarias do Trabalho dos Governos Estaduais e apresentou bons resultados, por ter despertado a atenção dos dirigentes empresariais para a importância do preparo da mão de obra. O treinamento em grupos pequenos (10 participantes) mostrou que as pessoas, discutindo os problemas, motivam-se com a oportunidade de poder falar, e, apresentar idéias revolucionárias. E assim nasceu uma técnica de discussão em grupo para análise de problemas.

QUADRO I - ALGUMAS ESCOLAS DA TEORIA DA ADMINISTRAÇÃO


GRÁFICO 3 - EVOLUÇÃO DA DOUTRINA ADMINISTRATIVA


5. FILOSOFIA DA QUALIDADE TOTAL


O Japão, nos quase 50 anos após a II Guerra Mundial, alcançou a condição de superpotência econômica mundial. A trajetória para atingir este estágio é representada por cinco fases:

I - integração à sua cultura, em larga escala da tecnologia norte-americana e européia;
II - ênfase na busca do objetivo básico - alta produtividade - que alcançou índices jamais vistos;
III - melhoria da Qualidade, abrangendo todos os ramos de atividade e a sociedade como um todo, inspirada nas idéias e doutrinas de Deming e Juran da Universidade de Nova York;
IV - administração participativa e conseqüente alta flexibilidade nos objetivos manufatureiros; e
V - multinacionalidade.

A performance alcançada no Japão, chamou a atenção das autoridades econômicas e empresários. As universidades e empresas ocidentais passaram a pesquisar as causas que levaram aquele país, a um estágio tão avançado de desenvolvimento.

5.1. DO CONTROLE ESTATÍSTICO DA QUALIDADE.

Tratava-se de processo interno onde os itens ruins não eram mais reprovados, e sim, lotes não conformes. A estratégia era operacional, não havia ainda Planejamento da Qualidade. A técnica era predominante. Tal situação criou problema de ordem prática. Quem recebia a mercadoria defeituosa, reclamava a quem a vendeu. O vendedor, culpava o fabricante iniciando-se um processo complexo, longo e de difícil solução. Nasceu um novo conceito: Garantia da Qualidade Feigembaum, consciente das alterações mercadológicas, desenvolveu uma nova Teoria: O T.Q.C. (Total Quality Control). Não se tratava mais de inspeção nem de controle estatístico, mas de uma política cujo objetivo é a Qualidade Total onde os envolvidos na produção de um bem, são responsáveis pela Garantia da Qualidade. Neste sentido, a responsabilidade é total, envolvendo do Presidente de uma empresa ao porteiro da mesma.

Entramos na Era da Garantia da Qualidade.

A busca destas causas criou condições de análise voltadas para um assunto que, até então, não representava o objetivo central do Conceito de Qualidade. Até o início da 2a Guerra Mundial, Qualidade era representada pela inspeção final, de produtos ou serviços. Tratava-se de um processo interno de separação de itens bons ou maus. O Gerenciamento da Qualidade não era estratégico, visando o todo social, mais simplesmente tático.

O mundo vivia a Era da Inspeção. O Sistema da Qualidade era predominantemente técnico. O artesanato se fazia presente. Tudo que era produzido era vendido.

Durante a 2a Guerra, entramos na produção em massa. Ficou difícil separar os bons dos maus, pois, as quantidades eram cada vez maiores. A partir daí, os especialistas recorreram à matemática, e à estatística passou a ser ferramenta básica surgindo o Controle Estatístico da Qualidade, como instrumento para verificar e distinguir o aceitável do não aceitável, originando as expressões conformidade e não conformidade.

Esta fase, não trata somente de separar itens bons dos maus. A devolução de mercadorias não conformes, despertou nos técnicos e dirigentes empresariais, a necessidade de mais estratégias visando a Qualidade. Com isto, nasceram Políticas da Qualidade e as auditorias dos Programas de Qualidade. Alguns criaram Sistemas da Qualidade, procurando envolver a todos no grande objetivo: a Adequação do Produto ao Mercado. O problema deixou de ser somente técnico, introduzindo-se o Político - abrangendo a alta direção.

Na década de 80, o Conceito de Qualidade passou a integrar o social onde quer que o homem estivesse, incluindo a Qualidade da Vida.

A exigência não se concentrou no objeto adquirido. O homem, quer Qualidade em tudo, nos bens que compra, serviços públicos e particulares, entidades e na vida como um todo. O paradigma volta-se para onde está a Qualidade Total. É a era da Gestão Estratégica da Qualidade; isto é, não se fala mais em Qualidade, passando-se a encará-la como um sistema. A expressão DE QUALIDADE, foi ultrapassada. Referimo-nos agora a Controle da Qualidade, GARANTIA DA QUALIDADE, SISTEMA DA QUALIDADE, no sentido amplo, total, HOLÍSTICO.

O Sistema da Qualidade, não é técnico, político e cultural. Com a integração das pessoas ao grupo haverá interação em torno do objetivo comum.

A Gestão Estratégica da Qualidade, alcançará sua eficácia, quando todos os componentes da Empresa, do presidente ao faxineiro, estiverem integrados e conscientes de sua responsabilidade no Sistema da Qualidade.

5.2. QUALIDADE - MELHORAMENTO CONTÍNUO (KAYZEN)

O que normalmente existe atrás do chamado milagre japonês do após a Segunda Guerra Mundial? Pesquisando os fatos, desde quando Deming realizou o Seminário da Qualidade em Julho de 1950, notou-se um crescimento dos interesses voltados ao tema.

Em 7/1950 - Seminário de 8 dias dirigido por Deming - Curso de Controle da Qualidade.
6/1951 - Instituição oficial do Prêmio Deming da Qualidade.
9/1951 - 1o Congresso Nacional de Controle da Qualidade.
7/1954 - Seminário - Gerenciamento do Controle da Qualidade, conduzido pelo Dr. Juran.
7/1956 - Curso de C.Q. através do rádio, produzido pela União Japonesa de Cientistas e Engenheiros.
11/1960 - Instituição de um símbolo da bandeira da Qualidade.

A Qualidade Total tornou-se o objetivo central de todos os segmentos, começando pela família. Ao lado das técnicas administrativas inovadoras, representadas por um grande número de siglas tais como:

T.Q.C. - Controle Total da Qualidade

C.C.Q. - Círculo de Controle da Qualidade

M.P.T. - Manutenção Produtiva Total

Kanban - Sistema de Programação e Controle de Produção através de cartões.

JIT - Just in Time

Z.D. - Zero defeitos

C.W.Q.C. - Controle da Qualidade na Empresa Inteira

P.O.P. - Procedimento Operacional Padrão e tantos outros. Encontramos a expressão revolucionária: KAYZEN.

A essência do KAYZEN é simples e direta: significa melhoramento, mais ainda, melhoramento contínuo, envolvendo todos, dirigentes, gerentes, supervisores, operadores. A filosofia KAYZEN afirma que o nosso modo de vida seja no trabalho, na sociedade ou em casa deve ser constantemente melhorado. Uma frase do grande filósofo macedônio, Aristóteles, dista quatro séculos antes de Cristo, é o "Mote" do KAYZEN - "Há sempre uma maneira melhor de se fazer as coisas".

KAYZEN no Japão é uma palavra de uso diário, repetida múltiplas vezes. Pergunte a qualquer gerente de uma empresa japonesa bem sucedida o que a alta gerência está exigindo e a resposta será simples e curta KAYZEN (melhoramento), melhorar os padrões (POP) significa estabelecer padrões mais elevados. Uma vez que isto seja feito, é preciso administrar a sua aplicação e continuidade, através de auditorias permanentes.

A técnica do KAYZEN envolve a todos:

Alta Gerência - deve estar determinada a introduzir o KAYZEN como estratégia, oferecendo apoio, estabelecendo plano de ação, definindo metas e proporcionando recursos.

Média Gerência - distribuir e implantar metas do KAYZEN, conscientizar.

O KAYZEN é uma filosofia que deu certo. Deve-se à cultura do melhoramento contínuo. Em seguida, é necessário treinar todos nas técnicas básicas da administração moderna. Estas são representadas por algumas siglas:

P2OC3, onde:

P2 = Prever e Planejar
O = Organizar
C3 = Comandar, Coordenar e Controlar

PDCA = PLAN, DO, CHECK, ACTION (Planejar, executar, controlar e agir). Este é o ciclo do Deming, trata-se de um instrumento-chave do trabalho que visa o melhoramento contínuo. É para ser entendido e usado pelos trabalhadores atentos na busca de melhoramentos do seu trabalho (comumente chamado de “seu PDCA”)

5WIH - É a ferramenta indispensável para aplicação do PDCA. São as seis perguntas básicas que devem fazer parte do dia-a-dia de todos os trabalhadores em todos os níveis (vide 7.2.).

No ciclo PDCA, quando uma solução proposta é colocada em prática, a etapa seguinte é a constatação de sua efetividade (auditoria). Como melhoramento, será adotada como um padrão.

GRÁFICO 4 - CICLO DO PDCA ADOTADO PARA MELHORAMENTO (KAYZEN)

A Qualidade envolve pessoas, mas depende de cultura somente possível com treinamento. Deming disse: “para obter Qualidade, é preciso treinar, treinar e continuar treinando”. De ISHIKAWA temos: “Qualidade começa e termina com a educação” e Homero nos deixou: “só há vento favorável para quem sabe onde quer chegar”. Isto é KAYZEN.

5.3. AS NORMAS ISO SÉRIE 9000

O Ministério da Saúde, através da Secretaria Nacional de Assistência à Saúde - SNAS, elaborou um Programa de Ensaios de Equipamentos para a Saúde - PECES. Este programa trata da Qualidade dos Equipamentos Odonto-Médico-Hospitalares como parte do SUS.

O PECES visa contribuir para a melhoria da Qualidade destes equipamentos, implantando a certificação de conformidade às normas e regulamentos técnicos de equipamentos para a saúde. Para tanto, o PECES, estabelecerá diretrizes para implantar a certificação de conformidades a normas e regulamentos técnicos.

Os agentes diretamente envolvidos no PECES são:

• Ministério da Saúde
• Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - INMETRO - Órgão Governamental
• ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas
• Ministério do Planejamento, através do Programa Brasileiro da Qualidade - PBQ
• Órgãos de Fomento - Tais como: SCT - Secretaria da Ciência e Tecnologia
• BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

5.3.1. CERTIFICAÇÃO DE CONFORMIDADE

A Certificação de Conformidade é o ato de atestar, por meio de um documento - Certificado - que um produto ou serviço está conforme determinada norma ou regulamento técnico.

O Brasil tem participado da normatização técnica internacional de equipamentos para a saúde, e elaborado normas técnicas referentes a estes equipamentos, desenvolvidos pela ABNT, através de seus Comitês Brasileiros CB-3 (eletricidade) e CB-4 (mecânica).

Internacionalmente, destacam-se os trabalhos realizados por:

• ISO - International Organization for Standartization; e

• IEC - Internacional Eletrotechnical Commission.

As principais vantagens de adotar normas internacionais da ISO e IEC são:

I - uso de equipamentos de ensaio e aplicação de procedimentos aceitos internacionalmente;
II - possibilidade de comparar resultados de ensaios entre laboratórios, usuários e fabricantes diferentes; e
III - possibilidade de reconhecimento mútuo de relatórios de ensaios e certificação de conformidade.

5.3.2. ISO 9000

O PECES recomenda a Gestão e Normas Técnicas de Gestão e Garantia da Qualidade compatíveis com as internacionais da série ISO 9000.

Portanto, o que é ISO 9000?

ISO - International Organization for Standartization - é a sigla de uma organização não governamental, elaboradora de normas (internacionais) fundada em 23/2/1947, com sede em Genebra, Suíça. Integram a ISO, entidades de normatização de noventa e um países, representando mais de 95% da produção industrial do mundo. O Brasil participa da ISO, através da ABNT, reconhecida como Foro Nacional de Normatização.

Objetivos da ISO - estabelecer normas que representem e traduzam o consenso dos diferentes países do mundo.

A série ISO 9000 - forma um conjunto de cinco Normas de Gestão e Garantia da Qualidade.

Estas normas são identificadas com as siglas: ISO 9000, 9001, 9002, 9003 e 9004 e foram elaboradas por uma Comissão Técnica constituída em 1979, na Europa, identificada pela sigla TC-176 (Thechnical 176).

As normas ISO 9000 entraram em vigor em 1987.

O TC-176, trabalhou na elaboração das normas ISO 9000, aproveitando a experiência da aplicação de normas em vigor desde 1979, como:

Normas do Canadá - CZ - 299

Normas dos EEUU - MMIL-Q-9858
MIL-I-45208

Normas da OTAN - AQAP-1
AQAP-4
AQAP-9

Normas do Reino Unido - BS-5/21
BS-5/29 e outros.

No Brasil, as normas ISO 9000 foram traduzidas pela ABNT e identificadas pela sigla NB 9000. As normas da ABNT são registradas no INMETRO e a NB 9000 recebeu a sigla INMETRO NBR-19000.

5.3.3. ISO 9000 - REVISÃO 1994

Em 1994 foi editada a primeira revisão da ISO 9000, com alterações nas normas de 1987, ampliando a FAMÍLIA ISO 9000.

5.3.4. COMO EVOLUIU A SÉRIE ISO 9000

COMO EVOLUIU A SÉRIE ISO 9000

(1) EN = NORMAS EUROPÉIAS

5.3.5. ESTRUTURA DA "FAMÍLIA ISO 9000" - VERSÃO 1994

A partir da versão 1994 a expressão série ISO 9000 passa a ser chamada de Família ISO 9000.

Considerando uma organização, normalmente chamada de Empresa, isto é, IN - PIZENDERE (LATIN) significando organizar, como entidade de produção (bens de capital, bens de consumo e serviço) seu desenvolvimento de trabalho apresenta dois aspectos distintos:

Não contratual - de caráter fornecedor, visa os clientes internos - (componentes do quadro de Recursos Humanos - a força de trabalho.

Contratual - visa os clientes externos (componentes do quadro comprador).

Por este critério, a situação não contratual exige cuidados especiais com a organização interna, para dotar a empresa de uma administração eficaz comprobatória de uma gestão com Qualidade abrangente. A situação contratual exige um atendimento adequado, buscando a excelência, com relação aos clientes externos. Procura-se excelência administrativa, técnica, atendimento, acompanhamento e pós-venda.

A Família ISO 9000 atenderá aos dois aspectos das empresas: não contratual e contratual. Para tanto a versão ISO 9000 - 1994 apresenta:

- as normas de certificação; Gestão da Qualidade e sistemas; e periféricas do sistema.

5.3.5.1. NÚCLEO BÁSICO DA FAMÍLIA ISO 9000 - 1994

- ISO 9000 - 1 - Normas de gestão da Qualidade e Garantia da Qualidade - Parte 1: Guia para seleção e uso;

- ISO 9001 - Sistemas da Qualidade - modelo para Garantia da Qualidade em: Projeto, Desenvolvimento, Produção, Instalação e Assistência Técnica;

- ISO 9002 - Sistemas da Qualidade - Modelo para garantia da Qualidade em: Produção, Instalação e Assistência Técnica; e

- ISO 9003 - Sistema da Qualidade - Modelo para garantia da Qualidade em inspeção final e testes.

Estas normas compõem a Família ISO 90001994 submetidas à "Auditoria de Sistema" (adequação e conformidade) para efeito de certificação, resultando em 3 tipos de certificação:

ISO 9000 - certificado segundo o modelo ISO 9001
certificado segundo o modelo ISO 9002
certificado segundo o modelo ISO 9003

Não se trata de hierarquia, e sim do atendimento às características da empresa:

GRÁFICO 5 - CARACTERÍSTICAS DA EMPRESA

ISO 9004-1 - Norma de Gestão da Qualidade e Sistemas da Qualidade - auxilia na implantação das normas ISO 9001 - 9002 - 9003 e na diretriz do gerenciamento da Qualidade da empresa.

5.3.5.2. Normas Periféricas da Família ISO 9000

A versão de 1994 da Família ISO 9000 inclui normas periféricas, básicas na implantação da ISO 9001 - 9002 e 9003, auxiliando na implementação de exigências de auditoria e certificação. São as seguintes:

a) Terminologia

ISO 8402: Gestão da Qualidade e Garantia da Qualidade - vocabulário.

b) Normas de gestão e Garantia da Qualidade

- ISO 9000-2 - Parte 2 - Diretrizes genéricas para aplicação da ISO 9001, ISO 9002 e ISO 9003;

- ISO 9000-3 - Parte 3 - Diretrizes gerais para implantação da ISO 9001 ao desenvolvimento, suprimento e manutenção de SOFTWARE;

- ISO 9000-4 - Parte 4 - Diretriz para gestão de programas de DEPENDABILIDADE.

Trata-se de um termo novo adotado pela ISO e pela international Eletrotechnical Comunitte, de caráter genérico, não quantitativo, usado para descrever o desempenho da disponibilidade e fatores de influência: confiabilidade, manuteriabilidade e suporte logístico de manutenção, em sentido amplo - capabilidade.

c) Normas de Gestão de elementos do Sistema da Qualidade

- ISO 9004-2 - Parte 2 - Diretrizes para serviços;

- ISO 9004-3 - Parte 3 - Diretrizes para materiais processados; e

- ISO 9004-4 - Parte 4 - Diretrizes para melhoria da Qualidade.

d) Auditoria do Sistema da Qualidade

- ISO 10011-1 - Parte 1: - Auditoria;

- ISO 10011-2 - Parte 2: - Critério de qualificação para auditores de Sistemas de Qualidade;

- ISO 10011-3 - Parte 3 - Gestão de programas de Auditoria.

e) Requisitos de Garantia da Qualidade para instrumentos de medição

- ISO 10012-1 - Parte 1 - Sistemas de Comprovação metrológica para equipamentos de medida.

QUADRO SINÓTICO - ISO 9000 - 1994


5.3.5.3. REQUISITOS DAS NORMAS ISO 9001/ 9002/ 9003

As normas ISO 9000 de certificação têm a seguinte configuração quanto aos requisitos:

ISO 9001: exigência plena dos 20 requisitos
ISO 9002: exigência plena de 19 requisitos
ISO 9003: exigência plena de 16 requisitos

GRÁFICO 6 - LISTA DOS REQUISITOS DAS NORMAS ISO 9001 - 9002 - 9003

5.3.6. CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DA NORMA ISO 9000

As normas ISO da Família 9000, especificam requisitos para ações gerenciais, onde as empresas possam assegurar a Qualidade de seus produtos e serviços, abrangendo marketing, projeto e desenvolvimento, planejamento, produção e serviços pós-venda.

A aplicação das normas, consiste na análise dos serviços e elaboração de "Procedimentos Operacionais Padrão" (POP) para as áreas envolvidas com a Qualidade, respeitando a tecnologia e preceitos legais, e dotando a empresa dos meios de controle, inspeções, ensaios e registro das atividades.

As exigências dos procedimentos abrangem:

Análise do contrato; controle de documentos; inspeção de processo; inspeção final; controle de produtos não conformes; ação corretiva; ação preventiva; Registros da Qualidade; e treinamento.

A implantação das normas ISO 9000 leva a empresa a obtenção de uma certificação com validade de 3 anos.

Esta é concedida por entidades certificadoras de âmbito nacional e internacional e acompanhada semestralmente por auditores da entidade certificadora durante o período de validade.

5.3.6.1. ENTIDADES CERTIFICADORAS NACIONAIS

- Fundação Carlos Alberto Vanzolini da Escola Politécnica da USP
- INMETRO - Instituto de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - Rio de Janeiro
- Instituto Brasileiro de Qualidade Nuclear - IBQN - Rio de Janeiro
- União da Indústria Certificadora da Indústria Eletro - Eletrônica - VICIEE - São Paulo.

Internacionais com sede no Brasil:

- ABS - Quality Evaluation / SBC - Rio de Janeiro e São Paulo
- Bureau Veritas Quality International - BVQI - Rio de Janeiro e São Paulo
- Det Norskeveritas - DNV - Rio de Janeiro
- Lloyd’s Register Quality Assurante - LRQA - Rio de Janeiro e São Paulo
- SGS International Certification Services - São Paulo; e
- TVV / CERT / RWTUV - Rio de Janeiro.

5.3.6.2. O QUE AS NORMAS ISO 9000 PROPORCIONAM

I - Manual da Qualidade - Diretrizes para a Qualidade, atribuições e responsabilidades;

II - resultados mais previsíveis;

III - documentação organizada;

IV - elaboração e revisão de procedimentos;

V - padronização das rotinas de trabalho;

VI - ação preventiva enfatizada;

VII - etapa seguinte ao processo como cliente;

VIII - ações corretivas, melhoramento contínuo; e

IX - integração das ações - Busca da Qualidade Total.

5.3.7. SISTEMA DA QUALIDADE - QS 9000

Em agosto de 1994 as indústrias montadoras de automóveis dos EEUU - Chrysler, Ford, General Motors e fabricantes de caminhões, definiram suas expectativas básicas para os sistemas da Qualidade de fornecedores internos e externos de peças de produção e de reposição e materiais.

O QS - 9000 é uma harmonização do Manual da Qualidade da Chrysler, da Norma de Sistema da Qualidade - Q-101 da Ford e objetivos para excelência da General Motors, com a contribuição dos fabricantes de caminhões. A ISO 9001: 94 foi adotada como base para este documento. Nasce o Sistema de Qualidade Q.S. 9000, adotado pelas montadoras mundiais com a exigência de todos os seus subcontratados a implantarem.

A base é a ISO 9001: 94, acrescida de exigências específicas da indústria montadora. A grande diferença entre a ISO 9001: 94 e a QS 9000 repousa no fato de a última ser muito mais prescritiva:

GRÁFICO 7 - REQUISITOS

5.3.7.1. SEQÜÊNCIA DA DOCUMENTAÇÃO DO SISTEMA DA QUALIDADE QS 9000

SEQÜÊNCIA DA DOCUMENTAÇÃO DO SISTEMA DA QUALIDADE QS 9000

5.3.8. ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA DA QUALIDADE FAMÍLIA ISO 9000

Trata-se de um sistema.

O que é um sistema? É um conjunto de regras e atos, harmoniosamente organizados, que mantém um organismo vivo. É constituído de várias partes, chamadas de subsistemas. Uma empresa é um sistema, cujo objetivo é produzir bens, necessitando de subsistemas, tais como:

ADMINISTRAÇÃO - Compras - Projeto - Processo de Produção - Vendas - Distribuição. Em meio a este grupo de subsistemas destaca-se o Sistema da Qualidade.

A Família ISO 9000 é um modelo de Sistema da Qualidade, entre tantos outros existentes. O diferenciador é o seu caráter internacional e sua simplicidade, tornando-o o mais adotado do mundo. A Norma ISO 9000 pelos seus requisitos apresenta exigências. Para tanto devem ser aplicadas a cada empresa segundo a filosofia, entendendo-se as exigências da norma como imperativas.

Outra característica do processo de implantação é a participação do pessoal.

A elaboração dos procedimentos, principais documentos da Qualidade, é realizada pelos responsáveis, sob orientação de gestores, orientados por consultores especialistas em ISO 9000.

5.3.8.1. DOCUMENTOS DA QUALIDADE

Há uma hierarquia documental estabelecida na norma ISO 9000 exigida. São os seguintes os documentos da Qualidade:

GRÁFICO 8 - DOCUMENTOS DA QUALIDADE

O sistema é composto de documentos normativos, representativos das regras básicas de produção, em qualquer área de atividade, e dos documentos comprobatórios: os Registros da Qualidade.

As exigências da norma são rígidas quanto a identificação dos registros, coleta, arquivamento, indexação, armazenamento, preservação (manutenção) delegação de acesso, tempo de retenção e disposição do documento obtidos a partir de um planejamento adequado.

Os documentos normativos são representados pelos procedimentos, instruções de trabalho, desenhos, modelos, padrões, poba-yoke (expressão japonesa, significando mecanismo, dispositivo e/ou método de trabalho, visando evitar a incidência de erro humano).

A formatação desses documentos é de responsabilidade de cada empresa, sem restrições da norma, ficando claro a identificação, revisão, datas e respectivas operações.

Os documentos da Qualidade podem ser arquivados em sistemas eletrônicos.

5.3.8.2. - INTER-RELACIONAMENTO DOS REQUISITOS DA NORMA ISO 9000 - BASE ISO 9001: 94

INTER-RELACIONAMENTO DOS REQUISITOS DA NORMA ISO 9000

5.4. APÊNDICE DA QUALIDADE

5.4.1. OS 10 MANDAMENTOS DA QUALIDADE

Estes dez princípios representam uma nova filosofia de comportamento, base da Qualidade total, iniciada na década de 1950 por professores da Universidade de Nova York e como baricentro o Japão.

1. Total Satisfação do Cliente - começa na Portaria, no balcão de atendimento, no telefone e se estende durante todo o processo até e após a entrega e conclusão do contrato.

2. Gerência Participativa - "Eu falei, está falado" pertence ao passado. A moderna administração incentiva a participação. Todos são responsáveis pela Qualidade.

3. Desenvolvimento de Recursos Humanos, significa treinamento. Um dos documentos da Qualidade é a Descrição de Cargos com a matriz de treinamento, chave para a Qualidade.

4. Planejamento Estratégico e Participativo: não só é fundamental mas absolutamente necessário onde a constância de propósitos é o ponto alto da questão.

5. Aperfeiçoamento Contínuo - KAYZEN - a busca de inovações nos produtos, serviços e processos; a análise de desempenho com a concorrência e a capacidade de incorporar novas tecnologias.

6. Gerenciamento de processos incluindo o conceito da cadeia interna Cliente/Fornecedor - é preciso considerar internamente: todos são fornecedores e clientes. Todo colaborador tem clientes internos e fornecedores. Esta cadeia faz cair as barreiras entre as áreas da empresa.

7. Delegação - delegar competências - mas fazê-lo adequadamente. Transferir poder e responsabilidade à pessoas com condições técnicas e emocionais para bem assumir o poder delegado.

8. Comunicação - disseminação de Informações. Um dos pré-requisitos da Qualidade Total é a transparência no fluxo de informações dentro da empresa. Todos devem entender o negócio, a missão, os grandes propósitos e os planos empresariais.

9. Garantia da Qualidade - Planejamento da Implantação do Sistema da Qualidade e conseqüente formalização dos processos, com os documentos da Qualidade, escritos e controlados, de fácil acesso, para todos conhecerem o caminho a ser percorrido.

10. Não aceitação de Erros (não conformidade) - a busca do "zero defeito" é o padrão de desempenho desejável. O controle das não conformidades e a identificação das causas permitem planejar ações corretivas.

5.4.2. - OS CINCO S (CINCO SENSOS)

Filosofia japonesa a enfatizar o conceito de manter em ordem o local de trabalho, propiciando eficiência, melhores condições de trabalho e a eliminação de desperdícios, e por conseqüência maior segurança, Qualidade e produtividade.

Os cinco sensos derivam da palavra latina SEI (significa senso, em português).

As palavras japonesas:

SEIRI - Senso de Utilização
SEITON - Senso de Ordenação
SEISO - Senso de Limpeza
SEIKETSU - Senso de Higiene e Asseio
SHITSUKE - Senso de Disciplina

Esta filosofia foi criada no Japão em 1950, no Centro de Educação para a Qualidade, pelo Dr. KAORU ISHIKAWA.

5.4.2.1. SISTEMA CINCO S

1o S - Casa Limpa com os 5 S

SEIRI - ORGANIZAÇÃO

Organizar é liberar espaço! Distinguir o necessário do desnecessário e colocar este na área de descarte. Evite excesso de materiais, equipamentos ou ferramentas no local de trabalho. Não deixe de descartar pensando precisar daquilo um dia.

2O S - ARRUMAÇÃO - CADA COISA EM SEU LUGAR POUPA TEMPO E MUITO FALAR

SEITON - ORDEM

CADA COISA ÚTIL DEVE TER SEU LUGAR definido segundo a FREQÜÊNCIA DE USO DO MATERIAL. Dê nome a tudo, facilitando a localização. Etiquetas padronizadas ajudam a identificar as coisas e sua localização. Devemos etiquetar as coisas úteis no local de trabalho: nas pastas e armários, ferramentas e materiais usados no dia a dia. Devemos guardar as coisas segundo a sua função. Faça o teste dos 30 segundos, tempo ideal para localizar o que for preciso, numa arrumação bem feita.

Critérios para manter a Ordem: SEITON

? coisas não utilizáveis - descartar;
? coisas não usáveis, mas é bom ter à mão - devem ser guardadas, devidamente identificados, num local fácil de pegar e conhecido de todo o pessoal envolvido;
? coisas usadas de vez em quando: guardar no local de trabalho, com conhecimento de todos os envolvidos; e
? coisas utilizadas freqüentemente: deixar próximo do nosso raio de ação.

3O S - LIMPEZA - A ARTE DE TIRAR O PÓ

SEISON - Limpeza e conservação do ambiente de trabalho.

? Manter tudo sempre limpo. Dividir o local de trabalho em áreas de responsabilidade e designar o responsável de cada uma, encarregado de sua limpeza. A limpeza é uma forma de inspeção.

Todos se sentem melhor em um ambiente bem cuidado e limpo. Deve-se criar o hábito de realizar a limpeza diária dos 3 minutos. Não suje e evite a sujeira desnecessária! Ambiente limpo suja menos.

4o S - MANTER O PADRÃO ALCANÇADO - ou a arte de manter o estado de limpeza

SEIKETSU - criar condições padronizadas para manter o ambiente de trabalho organizado, arrumado e limpo.

É importante manter a pintura sempre conservada. É uma ótima aliada da padronização. Lembre-se: não basta estar limpo é preciso parecer limpo. Crie padrões de cores para cada Setor, como:

exemplo: Área de circulação ?? verde
Área de trabalho ?? verde
Corredores ?? laranja
Área de descanso ?? azul
Armazém/Estoques ?? cinza
Obs.: cores brilhantes

5o S - DISCIPLINA - A ARTE DE FAZER CERTO, de forma natural, todas as coisas.

SHITSUKE - ATIVIDADE BÁSICA DO 5 S.

Porque sem disciplina as pessoas não respeitam as normas nem os colegas, comprometendo o trabalho da equipe.

Disciplina é fazer algo de forma natural como um hábito. A base do 5 S é a disciplina, quando:

? executamos a limpeza diária dos 3 minutos, como rotina;
? fazemos a medição periódica, utilizando a folha de verificação e colocando os resultados no gráfico de controle;
? não sujamos mais e quando o fizermos, limpamos imediatamente;
? devolvemos ao seu local os instrumentos utilizados; e
? repintamos os letreiros apagados e corrigimos a pintura do piso quando aparecem falhas.

Queremos fazer algo bem feito e com habilidade, devemos praticar! Repetir! Atletas treinam, estudantes repetem a leitura.

Portanto, para criar bons hábitos, o importante é repetir, repetir, repetir ... SHITSUKE.


6. ERGOLOGIA


O termo ergologia substitui a expressão Ciência do Trabalho, usada em sentido mais amplo, reunindo as disciplinas a intervir nos diferentes aspectos referentes ao trabalho. A ergologia é específica quanto ao trabalho humano, e trata do “homem e o trabalho”, visando a:

a. psicologia aplicada ao trabalho; b. caracterização e condições do trabalho; c. definição das tarefas; d. seleção e orientação profissional; e e. influencias ambientais, sociais e políticas.

Tudo isto concentra-se em três grupos:
1. estudo do fator humano-psicologia aplicada ao trabalho;
2. estudo do fator técnico - análise do trabalho; e
3. estudo dos fatores sociais-influência do meio.

O homem é um ser complexo, uma máquina biológica, mas é também mente, portanto é bio e psique. É um ser emocional, passa por momentos de euforia e de depressão. O maior tempo de nossa existência dedicamos ao trabalho e no seu ambiente é que vivemos. Cada pessoa apresenta características psicossomáticas próprias. Por esta razão, a ação do psicólogo torna-se necessária. Com o perfil psicossomático da “pessoa - caso”, as soluções serão encontradas com mais facilidade. A psicologia aplicada ao trabalho enfatiza o biótipo em relação ao trabalho. Cada ser humano é um tipo pessoal.

A tipologia define o “Biotipo Integral” dos indivíduos e analisa a tipologia constitucional, cujas bases vêm desde a formação embrionária, onde nos três folhetos na base blástula se definem as características somatotípicas: o endoderma forma o órgão de vida vegetativa, as vísceras, o mesoderma forma os órgãos de vida animal, esqueleto, músculos e circulação; e o ectoderma forma a pele, sistema nervoso, órgãos de contacto com o ambiente e percepção. Em cada pessoa há um equilíbrio ou o relativo predomínio de um dos três componentes morfológicos, que Sheldon denomina endomorfismo, somorfismo e ectomorfismo. Caracteriza-se, assim um somatotipo constitucional. Baseado em estudos de Sheldon, o perfil somatotípico do ser humano é determinado por um processo de mensuração, em fotografia padronizada e com avaliação antroposcópica dos sinais subjetivos, numa escala de um máximo de 7 pontos para cada elemento que contribuiu para plasmar o corpo. A soma dos valores de cada elemento será no máximo 12 (QUADRO II). Assim, um indivíduo com valor de somatotipo 4, 4, 4, isto e:

endomorfismo 4 + mesomorfismo 4 + ectomorfismo 4 = tipo equilibrado.

QUADRO II

6.1. CLASSIFICAÇÃO SOMATOTÍPICA

Endomorfismo: predominam vísceras maciças, função digestiva absorvente de toda motivação vital, em geral gordos. A esses chamamos de Viscerotônicos.

Mesoformismo: estrutura óssea e muscular altamente desenvolvida com atividade motora absorvente, em geral fortes. Constituem os Somatotônicos.

Ectoformismo: predomínio da área sensorial, sistema nervoso altamente estimulável, em geral fracos e introvertidos. São os Cerebrotônicos.

As combinações das variantes são indicadas por 3 números que constituem o "índice de temperamento".

Além do perfil somatotípico das pessoas e importante montar os professiogramas, chamados também de perfis somatotípicos do trabalho (da tarefa), ou características psico-fisiotécnicas do trabalho profissional.

O objetivo desses perfis e localizar o seu par, a pessoa certa cujo índice de temperamento se identifique com o professiograma, facilitando o seu desempenho profissional na organização.

Mira y Lopes publicou no seu Manual de Orientação Profissional, uma série de professiogramas, ou fichas professiográficas.

Vejamos dois exemplos dessas fichas:

Motorista-Trabalho psico-físico espacial, variável, percepção e reações rápidas.

Requer: inteligência normal espacial, boa imaginação e percepção de distância (longitudinais e transversais); clara noção de tempo e velocidades (percepção); controle emocional; percepção e rapidez relativa a pequenos movimentos do tronco, braços, mãos e pés; rendimento mental constante; boa nictação (visibilidade noturna) e boa percepção à cromaticidade (distinção de cores); amplo campo visual; capacidade de discernir e localizar ruídos; resistência ao sono.

Economista - Trabalho psíquico, abstrato-social, perceptivo, variável.

Requer: inteligência abstrata e social; aptidão para cálculos; capacidade de observação e de objetiva interpretação de fatos e dados complexos (onde se revelam elementos de forma e valor).


7. PLANEJAMENTO


Administrar é uma ciência orientada pelos princípios de Fayol indicados no diagrama elíptico (FIGURA 1): Planejar, Organizar, Preencher Cargos, Comandar e Controlar. Destas cinco funções o planejamento é fundamental, porque envolve escolha de objetivos e desenvolve programas e meios para os atingir.
Planejar é uma prática permanente em nossas vidas. Planejamos tudo intuitivamente. Se observarmos a FIGURA 1, o Diagrama Dinâmico da Administração, veremos o miolo da elipse tripartido: o primeiro terço identificado com a Idéia; é o ponto de partido para o planejamento: a idéia de um Pique-Nique ou sobre uma profissão; quero ser Médico.

São idéias e devem ser dissecadas e TEORIZADAS. O que é isto?

Quero estudar Medicina: pois bem. O que é Medicina? Quais suas matérias básicas? Quantas são as suas especialidades? Que faz o médico? Como vive? Onde trabalha? Quanto custa um curso de Medicina? Tenho reais aptidões para tal profissão? Tenho condições psicossomáticas? Tenho um nível de inteligência a permitir sonhar com esta idéia?

Análise dos Problemas - Quais as dificuldades que se apresentam? Como enfrentá-las? Quais os caminhos a percorrer?

Listados os problemas e desvendadas as possibilidades de solução, podemos montar um esquema denominado "GESTALT". Isto significa dar "forma ao problema", ter um quadro ou diagnóstico da situação.

7.1. TÉCNICA DE PLANEJAMENTO

Em linguagem atual quando planejamos, traçamos um "desenho" do caso. Para faze-lo verificamos se o que pretendemos e viável.

O que é viabilidade? Há três tipos de viabilidade a serem examinadas e diagnosticadas: Filosófica; Técnica; e Econômica.

Viabilidade Filosófica, o ponto central da questão, relacionada com o "clima", no sentido de impulso interior.

Exemplo: uma empresa projeta uma alteração na sua estrutura para implantação de um novo sistema de vendas com os segmentos informatizados. Os estudos foram realizados com aprimoramento técnico. Foram planejadas reuniões preliminares para apresentação do plano. Durante as reuniões os técnicos perceberam que as pessoas não conseguiam perfeita integração daquilo que faziam com a informatização prevista.

Com isto, concluíram que não havia "clima" naquele momento, para a implantação do sistema, sendo necessário outro tipo de "aproach" e maior co-participação.

Conclusão: não havia Viabilidade Filosófica naquele momento. Viabilidade Técnica e Viabilidade Econômica, são tão importantes quanto a primeira, porém são objetivas e perfeitamente mensuráveis.

O planejamento dá origem a um Projeto, com especificações e diretrizes definidas, onde são atribuídas as responsabilidades de cada integrante do Plano, no espaço-tempo destinado a sua implantação.

QUADRO III - ESQUEMA BÁSICO DE TRABALHO

7.2. MÉTODO PRÁTICO AUXILIAR DO PLANEJAMENTO - SW1H

São seis perguntas, que normalmente usamos no cotidiano.

É importante que as usemos de forma sistemática:

O quê? - O quê fazer? - O quê desejo? - O quê farei? - O quê espero?

Por quê? - Por quê fazer? - Por quê ir? - Por quê comprar?

Quando? - Quando fazer? agir? vender?

Como? - Como fazer? entrar? chegar?

Onde? - Onde fazer? mexer? encontrar?

Quem? - Com quem fazer? quem irá? quem aceita?

7.3. ESCOLHA DO SISTEMA DE CONTROLE APROPRIADO

7.3.1. Gráfico de Gantt: uma das mais conhecidas abordagens de administração de um projeto foi formulada por Henry Gantt, com seu “gráfico” que é um método de planejamento e controle (FIGURA 2).

FIGURA 2 - GRÁFICO DE GANTT

7.3.2. Cronograma: determinando-se o momento em que um evento deve ocorrer e indicando-o no eixo horizontal de um gráfico de Gantt, criamos um cronograma. O momento pode ser uma data (dia, mês, ano) ou uma hora especificada, ou qualquer outra unidade de tempo. Os eventos são elencados ao longo do eixo vertical do Gráfico de Gantt.

São usados para operações em qualquer segmento de atividade. As indicações apresentam os pontos de acompanhamento como: progresso, custos, necessidade de reformulação do plano e alteração de prazos.

7.3.3. Sistemas de Rede: as duas principais técnicas de rede são o PERT, ou Técnica de Avaliação e Pesquisa do Programa (Program Evoluation Research Task) e CPM Método do Caminho Crítico (Critical Path Method). Estes sistemas foram criados independentemente, o PERT pela Marinha Norte-Americana para o projeto Polaris, o CPM por técnicos da Remington Rand e Du Pont. São semelhantes, divergindo na utilização dos tempos de duração dos eventos. O PERT considera os tempos com variáveis aleatórias, contendo estimativas: otimista; condições ideais; mais provável; pessimista; e esperado. O CPM estabelece uma estimativa de tempo para cada atividade (evento).

Além do PERT e CPM existem outros sistemas de rede de caminho crítico: Exemplos: PRISM (Program Reliability Information System for Management); PEP (Program Evoluation Procedure); Impact (Integrated Management Planing and Control Technique). Todos são chamados de Pert, sinônimo dos métodos de programação em rede, da mesma forma que “xerox” identifica as copias obtidas por similaridade.

O ponto central do PERT (e dos semelhantes) e a determinação do "caminho crítico", o mais longo da rede. Representa a somatória dos tempos de cada seqüência de eventos. O caminho crítico determina a duração do projeto. Havendo atraso de um evento, o projeto atrasara. As redes de programação definem também, a partir do tempo total do caminho crítico, a "Contagem Regressiva", que facilita o acompanhamento e define responsabilidades. O PERT em geral, é utilizado no planejamento de grandes projetos, e seu controle necessita do computador. Com o advento da informática, o uso dos programas de rede está em estágio crescente, pois além de facilitar o acompanhamento dos grandes planos, proporciona outras vantagens:

a. representa graficamente a interdependência dos eventos;

b. estimula o aperfeiçoamento do planejamento, em virtude das exigências da própria rede;

c. facilita a identificação de pontos de estrangulamento;

d. torna mais eficaz a comunicação;

e. apresenta maior chance de comparação de caminhos (alternativas);

f. permite identificar imediatamente os eventos básicos e críticos, facilitando, a tomada de decisão e providencias; e

g. assegura maior flexibilidade nas mudanças de planos e do caminho crítico.

7.4. PLANEJAMENTO CONTINGENTE

Trata-se de um planejamento de redução de riscos de insucesso. Quando montamos uma estratégia, o fazemos, em geral, considerando os sucessos, jamais os insucessos. A falta deste cuidado tem gerado grandes desastres.

O planejamento contingente é um processo decisório, visando a redução de riscos de insucesso na fase de execução.

Há um artifício mneumônico para ajudar como instrumento de apoio:

PPI - Prevenção de Problemas de Implantação.

Pontos básicos: o PPI nos leva a examinar os seguintes pontos:

I - o que poderia dar errado;

II - qual a probabilidade e importância de cada uma das hipóteses pessimistas;

III - quais as causas dos eventos negativos;

IV - preparação de Planos Contingentes para os eventos negativos; e

V - detalhamento de quem fará “o que” e “quando” para cada um dos problemas contingentes.

Instrumentos de Apoio.

ASP = Análise e solução dos problemas enfocando os aspectos relevantes da situação. Para isto, deve-se utilizar outra ferramenta:

T.I.U.

T = Tendência - Agravando? Em que ritmo?
I = Importância relativa - Qual o prejuízo? Qual o Custo?
U = Urgência - Avalie o que aconteceria se nada fosse feito?


8.-ORGANIZAÇÃO-


Organização refere-se a estrutura organizacional. Peter Drucker, ensina que a primeira responsabilidade do administrador e responder a pergunta:

Qual é o nosso negócio? Trata-se de um negócio industrial, comercial ou de serviços? Se industrial de que se trata? Indústria leve, pesada, manufatura, transformação, metalúrgica, química, enfim qual a sua natureza? O administrador identificara "qual o negócio a ser administrado".

A estrutura organizacional objetiva:

a. definir com clareza as responsabilidades e relações funcionais das unidades da empresa, evitando confusão, duplicação e omissões; e

b. essas relações serão classificadas e ordenadas em seqüência lógica para que:

1. os níveis de supervisão sejam observados;

2. as funções se entrosem harmonicamente; e

3. os processos e rotinas sejam claros, simples e diretos.

Para tanto, temos os seguintes critérios:

1. finalidade da Empresa: trata-se de um consultório médico, ou de uma floricultura? Objetivos totalmente diferentes, exigem enfoques diferentes. Os princípios de organização são universais, mas os enfoques para seu uso dependem da finalidade do empreendimento;

2. área geográfica: é um critério importante e depende diretamente do tipo de negócio e da finalidade da empresa; e

3. clientela: é determinante para o tipo de atendimento e os recursos funcionais.

A organização monta um esquema para alcançar os resultados esperados. O planejamento prevê estratégias por um jogo de lances ou de uma "arvore de decisões". Para que funcione entram em ação "as coisas", isto é, a parte material, do como fazer. O plano elaborado será "manuseado" e convertido em ação concreta, portanto deve ser "ADMINISTRADO". A organização trata de uma ordenação das coisas para serem administradas.

Ernest Dale descreve a organização como um processo de muitos passos e apresenta uma proposta que contém cinco passos:

1. proceder ao detalhamento do trabalho que necessita ser feito para se atingir os objetivos. Isto significa tarefas previamente determinadas;

2. dividir o trabalho em atividades que possam, lógica e comodamente, ser executadas por uma pessoa ou um grupo, ou seja, as tarefas, serão entregues às pessoas qualificadas sem sobrecarregá-las ou vice-versa;

3. combinar o trabalho dos membros de uma empresa de maneira lógica e eficiente o que pressupõe uma departamentalização;

4. criar um mecanismo de coordenação do trabalho harmonioso, permitindo que os membros da empresa tenham presente, os objetivos do plano estratégico, reduzindo a ineficiência e os conflitos prejudiciais; e

5. acompanhar a eficácia da organização e os ajustes para mantê-la ou aumentá-la, para a reavaliação periódica dos quatro passos anteriores.

8.1. AFINAL O QUE E ORGANIZAÇÃO?

A organização define a divisão das atividades da empresa, as relações de subordinação e articulação, numa estrutura, indicando os níveis hierárquicos e de autoridade.

A Figura 1 - O Diagrama de Harvard, mostra a seqüência:

a. estabelecer estrutura organizacional = Organograma;

b. delinear relações = criar linhas de ligação facilitando a coordenação;

c. proceder a descrição de cargos = definir raio de ação, reações, responsabilidades e autoridade; e

d. estabelecer qualificações para os cargos = definir qualificações.

8.1.1. Organograma: o organograma é o desenho da organização. Seu objetivo não e ser "emoldurado" para enfeitar uma parede e cair no esquecimento. Representa o ponto central da empresa. Por ele, conhecemos a estrutura e sua relações e inclusive seus titulares. Deve ser claro, objetivo e acessível a todos os níveis, através de uma divulgação consciente e explicita. O organograma é um sistema e, como tal, possui uma estrutura.

As estruturas organizacionais apresentam uma "raiz" de origem. Esta raiz assentada em bases militares gerou a estrutura básica, denominada "Tipo Linear Militar", escalar ou vertical (FIGURA 3). Por muito tempo, a estrutura militar (linear) foi predominante, principalmente na época da revolução industrial pela presença dos grandes grupos familiares "Predominava a Lei do Capo", o chefe da família. O poder era exercido com toda autoridade pelo líder.

FIGURA 3 - ORGANOGRAMA


As estruturas do tipo funcional, onde a rigidez militar foi rompida, foram mais aceitas e ocuparam mais espaço nos sistemas de organização (FIGURA 4)

8.1.2. PRINCÍPIOS CLÁSSICOS DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL

a. o objetivo da empresa é fundamental e não as pessoas;

b. o equilíbrio da organização deve ser assegurado, evitando-se duplicidade, omissão e supervalorização de funções secundarias;

c. a competência de cada componente da estrutura deve ser muito bem definida;

d. o enquadramento do pessoal deve ser minimizado;

e. a estrutura deve possibilitar correlacionamento ágil e simples;

FIGURA 4 - ESTRUTURA FUNCIONAL

f. é fundamental a integração com os participantes da estrutura para haver maior aproveitamento possível de suas possibilidades;

g. a delegação será acompanhada de autoridade;

h. as funções de linha executiva estarão separadas das funções de assessoria (Staff);

i. o empregado deve conhecer seu chefe e seus subordinados;

j. os níveis hierárquicos, serão limitados, pois quanto mais numerosos, maior a cadeia de comando, e consequentemente, maior a burocracia; e

k. é indispensável uma análise dos cargos e sua clara descrição e exigências, com definição das qualificações necessárias para exercê-las.

8.1.3. CARACTERÍSTICAS DOS SISTEMAS BÁSICOS DE ORGANIZAÇÃO:

Sistema Linear (militar, vertical ou escalar).

a. autoridade de comando absoluta "Falei, esta falado";
b. formalismo rígido. As comunicações seguem rigidamente as linhas do organograma. Cada chefe centraliza as comunicações;

c. decisões centralizadas: uma autoridade superior que centraliza as decisões da empresa; e

d. o desenho básico da organização Piramidal.

Conclusão: estrutura simples e em geral pequena. As responsabilidades são bem definidas, de fácil implantação, próprias de pequenas empresas.

Sistema Funcional (flexível).

a. autoridade dividida: a especialização e muito importante e realmente manda. Um subordinado reporta-se aos superiores especialistas. Há o mestre de produção e participam os de controle, de manutenção, de qualidade e outros;

b. comunicações rápidas por linhas diretas; e

c. decisões descentralizadas, considerando as especializações e uma intensa participação de assessores.

Conclusão: não é uma estrutura simples, mas muito flexível e especializada, o que atribui maior eficiência e profundidade de analise. Além disso, a supervisão técnica é mais eficiente. Os setores de planejamento e controle se dedicam só a isso, proporcionando uma integração de propósitos.

8.2. RESPONSABILIDADE LINEAR

A estrutura organizacional é representada pelos organogramas, que indicam as chaves hierárquicas da empresa, relações interdepartamentais e as posições de assessoramento identificam os titulares e seus subordinados diretos. Não indicam as tarefas atribuídas a cada departamento e, no âmbito deste, a cada funcionário.

Em termos de organização, é muito importante conhecer a estrutura operacional de cada departamento, quem executa as tarefas, o tipo de relação existente entre estas e os participantes do departamento, da seção ou setor.

Para isto, existe uma técnica denominada "Quadro de Responsabilidade Linear" conhecido pela sigla L. R. C. (Linear Responsability Chart).

Este quadro (FIGURA 5) é importante para as empresas, pois permite:

a. identificar cada tarefa;

FIGURA 5 - QUADRO DE RESPONSABILIDADE LINEAR (L R C)

b. identificar o executor da tarefa;

c. identificar os participantes, como: supervisor direto ou indireto, informante, documentos-base, de onde vem para onde vai e o objetivo final;

d. identificar tarefas inúteis;

e. localizar tarefas em duplicata;

f. simplificar o trabalho;

g. motivar os funcionários para conhecerem a natureza e a importância do seu trabalho; e

h. permitir sua utilização como instrumento de gerência.

Para montar um L.R.C, é necessário uma mini-análise do sistema. Deve-se proceder a um levantamento global das tarefas realizadas em cada departamento, com as perguntas clássicas de análise: o quê, por quê, como, onde e quem. O L. R. C. indica os participantes de cada departamento analisado, colocando-se em cima, no eixo horizontal os nomes dos mesmos, em ordem hierarquicamente decrescente. Cada nome encabeça uma coluna. No eixo vertical indica-se as tarefas, o nome usual e o que significa. Feito isto, assinala-se na coluna de cada um dos titulares, o tipo de participação na tarefa, com códigos numéricos ou alfabéticos, segundo o que for convencionado.

Exemplo:

X = Executor - o funcionário que faz o trabalho.

1 = Supervisor Geral.

2 = Deve ser consultado.

3 = Deve ser ouvido.

4 = Pode auxiliar.

5 = Deve ser informado.

6 = Participa.

7 = Recebe informações.

8 = Comunicar.

Estes itens são exemplos aleatórios, cada caso, departamento ou empresa, estabelecera critérios próprios, segundo sua conveniência.

9. PREENCHIMENTO DE CARGOS

O êxito de qualquer plano, depende dos que irão executá-lo, a eficiência do elemento humano, e conseqüência da organização e da política de recursos humanos que a empresa adota, onde a liderança ocupa o maior espaço, não no desenho mas no processo. É necessário que os cargos sejam preenchidos com as qualificações recomendadas pelos princípios ergológicos (vide Cap. 5).

Tratando-se de pessoas, a comunicação é vital. Não há como administrar sem comunicar. O comunicador aqui, refere-se mais ao comportamento social, mas o "gancho" serve para comunicar no sentido de informar, fazer fluir as comunicações, escritas, orais ou visuais. O importante e comunicar.

GRÁFICO 9 - PREENCHIMENTO DE CARGOS

9.1. PROCESSO DE ESCOLHA

A escolha de pessoal, é uma função administrativa essencial, e os cuidados nessa tarefa devem ser rigorosos. Quando um administrador adquire um equipamento, em geral dedica horas de atenção e estudo a exaustivos relatórios elaborados por seus técnicos, para concluir da maneira mais acertada possível. Paradoxalmente, na admissão de uma pessoa não se gasta mais de meia hora, e muitas vezes, apenas um telefonema amigo.

Administrar é acima de tudo, SER RESPONSÁVEL em relação a sua empresa como um todo, isto é:

1. representatividade perante a sociedade;

2. seriedade nos negócios;

3. honestidade absoluta;

4. guerra a inadimplência; e

5. austeridade.

Há também a considerar que os atributos acima são validos em relação ao efetivo de Recursos Humanos da empresa, e mais, às pessoas deve-se também respeitabilidade. Isto se inicia no recrutamento, que deve ser consciente e profissional. Administrador de fato não admite exceções para agradar: mulher, marido, parentes em geral, amigos, vizinhos, políticos, religiosos, e outros.

Na fase de recrutamento pode receber indicações. Todos podem indicar, mas o que realmente vai definir, é o resultado da seleção.

As fases de um processo de escolha são basicamente duas:

Recrutamento e Seleção.

a. Recrutamento: é a procura de candidatos. Em geral, as regras clássicas indicam o seguinte: recrutar no mercado de trabalho onde se localiza a empresa.

Mão de obra comum: aviso nas portas das empresas, agências de mão de obra e indicações de outros empregados.

Mão de obra especializada: agências especificas, anúncios em jornal e indicações de outros empregados.

Mão de obra de formação média: anúncios em jornal, agências de nível médio e indicações pessoais.

Mão de obra de formação superior: anúncios em jornal, agências de procura de executivos e indicações pessoais.

Executivos em geral: agências de executivos, anúncios em jornal e indicações pessoais.

Altos executivos: agências especializadas (assistência em recursos humanos), "head hunters" (caça cabeças), anúncios em jornais ou revistas e indicações pessoais.

O uso das agências facilita o trabalho: leitura dos currículos e triagem inicial. Com relação a esta, o trabalho é realizado de forma racional. As empresas que recrutam executivos, são especializadas em assessoria de recursos humanos. A busca de um profissional representa um "projeto de recursos humanos". O assessor analisa a empresa, estuda o organograma, pesquisa a política e filosofia da empresa, e, monta a sua estratégia, estabelecendo premissas que a capacitam a julgar os currículos (centenas às vezes) e, nas entrevistas, localizar os candidatos que apresentem o perfil desejado.

A seleção final, em geral, é feita pelos dirigentes da empresa requisitante. Há empresas que possuem um serviço de recrutamento e seleção, com participação de psicólogo, realizando por si só, todo processo. Mesmo estas empresas, no caso de altos executivos preferem os "head hunters", que em geral tem excelentes recursos para atender o "perfil desejado".

b. Seleção: para uma boa seleção é necessário que se tenha uma estrutura organizacional clara e bem explícita.

Esta estrutura, permite um traçado transparente do perfil do profissional desejado. Outro requisito importante é um planejamento dos Recursos Humanos, delineado a partir do processo básico de movimentação do pessoal na empresa. Assim temos:

GRÁFICO 10 - SELEÇÃO

O planejamento de recursos humanos deve prever:

a. necessidades futuras;

b. equilíbrio do pessoal;

c. recrutamento, seleção e dispensas; e

d. desenvolvimento.

Para uma boa seleção, tanto interna como externa, e indispensável:

a. descrição dos cargos;

b. definição de qualificações; e

c. perfil psicossomático do profissional (vide Cap. 6).

9.2. ADMISSÃO E INTEGRAÇÃO

O novo empregado deve sentir-se bem. O processo de Admissão deve ser motivante, a integração se inicia no primeiro dia no Departamento do Pessoal: Recepção.

É necessário que o "calouro" sinta-se importante. E seu novo emprego, sua nova casa, e fundamental que ele se identifique com ela e que ela o aceite. O roteiro e simples:

a. recepção;

b. registro e informações básicas: horários, refeições, benefícios e pagamento; e
c. apresentação da Empresa: o que é, o que faz, quais seus produtos, para quem vende, quem é quem na empresa, o seu departamento, seu chefe, seus subordinados, seus colegas e plano de carreira.

Este roteiro e muito importante. Uma introdução adequada do funcionário representa um bom trecho no caminho do sucesso. É necessário ter presente a importância da motivação. Deve-se lembrar que os homens não são máquinas mecânicas, mas pessoas que pensam, sentem dor, fome, sede, alegria, depressão, choram, cantam, desejam, têm raiva, amam. Robert Owen, "o primeiro administrador de fato", há quase dois séculos, pensou nestes homens, e os considerou "máquinas vitais".

9.3. PLANOS DE TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO

O treinamento é parte integrante do processo de adaptação do homem ao trabalho. É necessário que o funcionário se sinta em casa, isto é, esteja integrado e que se mostre realmente interessado e motivado. Esta e a fase do desenvolvimento do profissional, integrada ao plano de carreira, e deve ser dado a conhecer desde os primeiros dias.

9.4. NÍVEL DE COMPETÊNCIA

ESTE É UM PROBLEMA SERIO PARA O ADMINISTRADOR.

Você se julga competente? Sim, ;é claro, todos se julgam competentes. Alguns exageram. Consideram-se mais competentes do que os outros. Vivemos num mundo de competição e temos que nos esforçar para vencer a luta pela vida e encontrar nosso caminho. Partimos, na existência, iguais, alguns na "pole-position" (os que nascem em berço de ouro por exemplo), outros arrancam na última posição, e juntos estamos na disputa pelos primeiros lugares. Todos queremos vencer, poder, enfim, "chegar lá", nem sempre juntos.

George Orwell, no seu livro "A Revolução dos Bichos", apresenta um quadro de luta pela igualdade, e, num certo momento, aparece num muro da cidade dos bichos "todos os bichos são iguais mas, uns são mais iguais que os outros". Esta é a nossa revolução também, lutamos pela igualdade, mas no fundo alimentamos sempre o desejo da exceção: "sou mais igual que os outros".

Temos receio de falar em competência, resistimos aos testes e procuramos nos nossos sonhos, racionalizar os anseios e justificar fraquezas, derrotas, valorizando o que acreditamos ser o nosso forte. Vivemos numa sociedade e nela aprendemos a competir, desde o nascimento. Competimos com tudo e com todos. E o que é competir? É, na realidade, mostrar competência.

O grande problema é que vivemos numa sociedade pluralista, onde o equilíbrio é a "chave" e portanto as competências devem ser distribuídas. Você pode ser um neuro-cirurgião altamente capaz, mas sem nenhuma tendência para administrador, logo aqui você é incompetente.

Laurence Peter afirmou: "Todo mundo é incompetente, inclusive você. Todos nós temos um nível de competência, e devemos permanecer nele. O administrador, que escolhe seus auxiliares, tem que considerar muito bem a questão do nível de competência. Como somos pessoas e participamos de um "grande prêmio", normalmente nada enxergamos, senão a nós mesmos, e nos idolatramos. Ao considerar uma pessoa para um cargo qualquer, é muito difícil que o administrador ouça um não.

Há exceções notáveis: dizem que o Dr. ALbert Einstein, prêmio Nobel de Física, idealizador da teoria da relatividade, foi convidado para ser o primeiro presidente do jovem Estado de Israel que se formou em 1947. Sua resposta foi "não tenho competência". Não sei se é verdade, trata-se de uma estória que ouvi, mas o Presidente José Sarney no início de seu mandato, convidou a atriz Fernanda Montenegro para o cargo de Ministra da Cultura. Fernanda, do alto de seu prestígio e da sua arte respondeu: "Presidente, não posso aceitar o convite, eu faço cultura no palco, lá sou competente". São raros os casos de pessoas que sabem reconhecer o seu nível de competência.

A responsabilidade do administrador na escolha de seus auxiliares e muito grande. Todos temos um nível de competência além do que, somos incompetentes. A hierarqueologia pode ser uma doença que nos destrói, a sede do poder leva a patologia do sucesso. Por esta razão, ficamos cegos quando nos oferecem uma oportunidade de subir na hierarquia da empresa, e não percebemos nossa incompetência.

Este aspecto é tão importante quanto o processo de Preenchimento de Cargos. Sempre que procuramos alguém, o ponto central tem que ser a COMPETÊNCIA.


10. COMANDO (DIREÇÃO)


Comandar, dirigir, chefiar em princípio, são sinônimos. Você pode dirigir uma grande empresa ou chefiar um pequeno grupo de trabalho. Pode ser um diretor de um laboratório de pesquisas espaciais ou o encarregado de um grupo de faxineiros. Os quatro casos, são totalmente diferentes em termos de qualificação e nível de responsabilidade, como os planos e objetivos. No entanto, em termos ortodoxos são todos cargos de comando com uma coisa em comum: "Fazer com que as tarefas sejam executadas" esta é a natureza do Comando (FIGURA 6). Observando o diagrama de Harvard (FIGURA 1) encontramos ali o 4o degrau, que representa a função de Dirigir. No artifício mneumônico P2 O C3, dividimos a função de dirigir em dois atos: Comandar e Coordenar.

A coordenação integra o ato de comandar, mas representa um fator prepoderante. Coordenar é a arte de comandar, é na realidade, o exercício da liderança na condução dos trabalhos. Enfatiza-se o ato de coordenar, do latim COORDINARE, isto é, dispor com ordem e método de forma organizada, ligando, ajeitando. Com a autoridade do Comando o líder conduz os trabalhos harmonicamente e a utilização inteligente e adequada dos princípios da organização.

10.1. ATRIBUTOS DO DIRIGENTE

A liderança confunde-se com o ato de dirigir, pois liderar é “guiar", conduzir, dirigir. O líder consegue, com sua presença, polarizar os participantes de um grupo. Quando observamos um grupo de crianças brincando, percebemos que entre elas há uma que chefia a brincadeira, sem mesmo perceber que está liderando. A liderança vem de dentro, projeta-se de maneira a absorver as atenções, os interesses e torna-se o centro.

O dirigente tem que ser líder. Quanto mais acentuada a sua liderança, maiores condições tem de comandar e de coordenar. Mas o líder tem que ser preparado, não somente do ponto de vista técnico, cultural e acadêmico. Porém é muito importante a preparação filosófica e humanística, particularmente sob o aspecto do estudo do homem pelo homem. O líder deve ter consciência da sua responsabilidade. Um ato seu, sempre toca os outros e cada um ao seu redor, representa um grupo social, cada atitude do líder, projeta-se socialmente e mexe com o HOMEM.

O comando detém o poder, está na direção da máquina, e o motorista, se resolver correr com excesso de velocidade numa via imprópria, causará sérios problemas com grandes repercussões.

O dirigente pode tudo no exercício do poder, tem "massa de manobra", usará seu prestígio tanto para o bem como para o mal. É imprescindível que o dirigente tenha consciência da Ética da Responsabilidade.

Além da liderança e da consciência da ética profissional, o dirigente deve ter segurança daquilo que faz. Não pode ser medroso. O sucesso da sua missão depende da sua credibilidade perante os subordinados e a empresa. A credibilidade frente ao mercado, comprador e fornecedor, e a comunidade como um todo é conseqüência do sucesso de suas ações, da firmeza de suas decisões, da honestidade de suas atitudes e do cumprimento da palavra dada. O dirigente deve ter condições de delegar, sem receio, sem medo de perder o lugar. É aquele que emprega o jovem formando, porque ao indagar: "o que você almeja nesta empresa?" o jovem lhe responde: "O seu lugar".

Este é o perfil do comandante que assume a responsabilidade pelos seus atos e os da empresa que dirige. Responde pelas perdas nas horas amargas, assumindo-as, e glorifica seus colaboradores nos momentos de vitória, atribuindo-lhes o sucesso.

10.2. SEQÜÊNCIA DO COMANDO

a. delegar: não será dirigente quem não delegar. A delegação é o ato de atribuir responsabilidades e exercer acompanhamento rigoroso na cobrança dos resultados.

b. motivar: há uma doutrina sobre a importância da motivação. Maslow montou uma seqüência hierárquica de cinco necessidades:

1. fisiológicas: primárias, ar, água, alimento, sexo;

2. de segurança: o homem tem medo, por isso precisa sentir-se seguro;

3. sociais: é um animal social, necessita do contato humano, amizades, amor;

4. de estima: "respeito é bom e eu gosto", esta é a essência desta necessidade; e

5. de auto-realização: sentir-se realizado.

O homem sente-se motivado quando nota a possibilidade de satisfação de suas necessidades. No campo profissional, Maslow descreve dois tipos de necessidade:

a. desejo de realização e de competência; e

b. desejo de status e reconhecimento.

Como se pode deduzir, a remuneração é importante mas não é o principal elemento motivador. A motivação é mais complexa e exige uma percepção aprimorada. O dirigente deve ser sensível e perceber os momentos de satisfazer os anseios daqueles que o rodeiam. É importante que haja na empresa uma política motivadora pois a integração do pessoal é fundamental para o desempenho e atendimento dos objetivos e depende de três fatores básicos: Liderança, Motivação e Comunicação. (FIGURA 6)

FIGURA 6 - COMANDO - TÍTULO I


11. FEEDBACK (Retroalimentação)


O diagrama de Harvard (FIGURA 1) indica como último degrau, a função Controle. Observando o conjunto do diagrama, notamos que o miolo indica pessoas e em seguida liderança. Isto porque a função envolve pessoas e a liderança tem um papel prepoderante no sucesso, na arte de controlar. Modernamente há um "tripé" que envolve as funções administrativas: Marketing, Produção e Controle, "tripé" este, abrangido pelo financeiro. Portanto, controle, controladoria ou ação do "Controller" (profissional responsável pela área), significa aferir o desempenho em relação a padrões, e agir no sentido da correção de rota, visando assegurar o progresso na direção dos objetivos, conforme o plano.

Mensalmente é emitido um balancete de verificação. O balancete de verificação contém as informações de um balanço, porém seus dados em geral não estão conciliados (confrontados com os documentos) nem auditados (auditores são profissionais que verificam as contas, conciliam e atestam o processo contábil), confrontando com as normas aceitáveis de contabilização e a legislação vigente e os valores dos estoques constantes dos registros de entradas e saídas, e não resultantes de um inventário físico (contagem física de materiais e produtos em processo e produtos acabados).

Um balancete de verificação contém os dados acumulados dos meses do exercício. A diretoria deverá receber o balancete com comentários analíticos e índices econômicos extraídos do balancete e confrontar com os mesmos índices dos meses anteriores e dos exercícios anteriores (pelo menos três exercícios).

11.1. ANÁLISE POR MEIO DE ÍNDICES

Um importante indicativo para a diretoria é uma análise dos índices. O balancete apresenta uma posição estática, e ao administrador interessa conhecer a dinâmica, a capacidade de fazer frente as obrigações, de gerar lucros, de enfrentar possíveis mudanças na economia, de conseguir retorno de capital investido, e outras questões que todo dirigente responsável por uma empresa coloca em evidência.

A melhor maneira de responder a estas questões, é a utilização dos índices, que são a relação entre duas grandezas e se obtém pela divisão de valores indicando quantas vezes um contém o outro. No caso de balanços e balancetes, estes valores são os que os compõem. Os índices têm suas limitações, mas proporcionam a verificação de tendências e indicação de desvios.

11.2. DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS

Para o diretor da empresa é muito importante o resumo dos resultados. Este resumo é a demonstração de lucros e perdas que acompanha

o balancete de verificação e fornece as indicações:

a. total de vendas do mês e acumuladas do exercício;

b. custos variáveis = materiais + mão de obra operacional + despesas de fabricação;

c. custos fixos = despesas administrativas indiretas + despesas comerciais + despesas com alugueis + condomínios + conservação + impostos sobre o patrimônio + despesas financeiras;

d. lucro bruto, também conhecido como margem de contribuição; e

e. lucro líquido, antes do imposto de renda.

É um instrumento de controle. A direção deve recebê-lo, mensalmente, de preferência na primeira semana após o encerramento do mês. Como se trata de um documento importante, deve ser examinado e discutido pelos dirigentes da empresa. Muitos denominam esta demonstração de lucros e perdas de: Resultado Operacional.

11.3. POSIÇÃO OPERACIONAL

Esta posição trata de informações sobre a Produção. Por produção entende-se o resultado da operação, seja ela industrial, comercial ou de serviços. Cabe à direção definir as informações desejadas para acompanhar o desempenho operacional.

Tomando como referência o processo industrial, em termos de posição operacional, existem alguns itens de controle aceitos e usados de forma geral e os específicos relativos ao tipo de operação realizada.

O importante é localizar a chave da operação ou o ponto crítico, e montar um diagrama específico de informações. A localização nem sempre é fácil. De qualquer forma os dados operacionais mais evidentes são:

1. dados de produção: com as informações mais variadas:

por tipos de produto; por máquina; por equipe; por dia; dia/homem; horária; e hora/homem.

2. controle da mão de obra: custo da mão de obra; mão de obra direta e indireta; incentivos à mão de obra; horas extras; produtividade; absenteísmo; e acidentes.

3. materiais: outro item onde as variáveis são inúmeras. O ponto central são os estoques, os lotes econômicos para efeito de suprimentos, a qualidade dos materiais, os custos, o enquadramento dos fornecedores, o controle da sucata e tantos outros.
4. máquinas: índices de ocupação das máquinas (carga), custos de manutenção, obsoletismo, programa de manutenção preventiva.

5. custos dos produtos: o diretor responsável de uma empresa têm que acompanhar a evolução dos custos e estar atento a formação do preço de venda.

Estes são alguns itens que compõem uma posição operacional. Em cada segmento de atividades identificam-se itens específicos, mas em todos eles destacam-se: produção, mão de obra, materiais, máquinas e custos. Os relatórios são os mais variados e alguns muito específicos.


12. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E RECOMENDADA


CAMPOS, J. Q. et al. - Fundamentos de Administração Sanitária - São Paulo: Editora JOTACÊ, 1993.

CAMPOS, V. F. - TQC - Controle da Qualidade Total - 3a ed. Belo Horizonte: FCO, 1993.

CERQUEIRA, E. P. - Paradigmas da Qualidade - São Paulo: Imagem Editora, 1993.

IMA M. - KAYSEN - são Paulo: Ed. Imam, 1993.

ISHIKAWA, K. - Controle da Qualidade Total - São Paulo: Ed. Campus, 1993.

MARANHÃO, M. - ISO Série 9.000 - São Paulo. Ed. Quality Mark, 1993.


TÍTULO II-

FUNDAMENTOS DE PESQUISA CIENTÍFICA

1. CIÊNCIA E MÉTODO

O homem, ao longo da história, procurou a origem, as causas e a explicação dos fenômenos à sua volta, inquietadores a lhe infundir temor. No início, apenas se valia da observação, único meio disponível, para buscar as causas e conseqüências dos fenômenos e fazer predições elementares. Hoje, conta com métodos aprimorados e técnicas apropriadas com base em teorias, possibilitando fazer explicações e predições mais aceitáveis e úteis, mediante o processo implicando na seqüência lógica de uma série de etapas. É o MÉTODO CIENTÍFICO.

1.1. MÉTODO CIENTÍFICO é o conjunto de normas padrão eficazes para alcançar INFORMAÇÃO CONFIÁVEL (foram usadas as melhores técnicas), IMPARCIAL (sem pré-julgamentos) e RELEVANTE (oportuna, adequada) para resolver problemas, responder perguntas ou testar hipóteses, em comunidades, hospitais, laboratórios, bibliotecas ou onde houver material passível de ser estudado.

Consiste em observar um fenômeno interessante e explicá-lo. Diante de um problema: OBSERVAR seus aspectos significativos, REFLETIR sobre a natureza dos fatos, ESTRUTURAR HIPÓTESE explicativa das causas prováveis, PROVAR a(s) hipótese(s) e ACEITAR ou REJEITAR as causas do fenômeno proposto.

FIGURA 1 - ETAPAS DO MÉTODO - TÍTULO II

DISTINÇÃO entre MÉTODO, TÉCNICA e INSTRUMENTO.

Verifica-se entre os autores de Metodologia uma confusão ao falar de métodos de pesquisa.

É necessário distinguir entre método de RACIOCÍNIO, método de ABORDAGEM e método de PROCEDIMENTO.

1.2. MÉTODOS DE RACIOCÍNIO: DEDUÇÃO e INDUÇÃO, conforme o pensar vai de enunciados gerais para particulares ou ao contrário; conforme o raciocínio vai da teoria à prática ou vice-versa ou se raciocine do geral para a casuística ou ao contrário.

Além do método dedutivo (do todo para as partes), indutivo (das partes para o todo), alguns autores apontam o ANALÓGICO: procede por comparação, indutivo, pois raciocina do particular para o particular.

1.3. MÉTODOS DE ABORDAGEM: realidade é ilimitada, não infinita, como diz POPPER. Por isso, os métodos de abordá-la são diversos. Os cinco mais comumente aceitos pelos autores são:

a) TEÓRICO-DEDUTIVO: baseia-se na evidência lógica. É usado na Filosofia e na Matemática; ou seja, empregado naquelas ciências bem a experiência como objetivo direto.

b) EXPERIMENTAL: vale-se da experiência interna e externa e da experimentação para estabelecer nexos de causa-efeito. Usado na Química, Física. Biologia e outros. Este método não parte de situações dadas, mas cria-as para, pela comparação para estabelecer princípios, leis e teorias na procura de nexo causa-efeito.

c) HISTÓRICO: toma como base a autoridade, documentos e testemunhas; usado nas Ciências Históricas e apoia-se, principalmente, em documentos, monumentos, para estudar e analisar fatos e épocas passadas.

d) DESCRITIVO: auxilia a pesquisa documental, usado nas Ciências Sociais, na Psicologia e na Pedagogia. Narra situações de fato, apresentando os fatos tal como observados, mediante o uso de instrumentos apropriados como a observação direta ou indireta, para tentar achar causas e características. A pesquisa de campo vale-se, principalmente, deste método de abordagem.

1.4. MÉTODOS DE PROCEDIMENTO: são as técnicas, impropriamente chamadas por muitos de métodos. “TÉCNICA é o modo de fazer da forma mais hábil, mais segura, mais perfeita algum tipo de atividade, arte ou ofício”. GALLIANO (1979:6). INSTRUMENTO é o meio utilizado pelo agente para executar qualquer trabalho ou implementar uma técnica.

2. METODOLOGIA CIENTÍFICA E SUA IMPORTÂNCIA

A ciência e a arte de estudo utilizado pelo método é a METODOLOGIA: parte da Lógica Aplicada.

A metodologia estuda os princípios, métodos, resultados, conclusões e aplicações das ciências. É a descrição, análise e verificação crítica do método.

2.1. IMPORTÂNCIA DA METODOLOGIA

As regras da pesquisa, são dadas pela Metodologia.

- “A pesquisa é um jogo, devendo ser jogado com regras extremamente exigentes e austeras; a audácia e a percepção são inúteis se você não respeitar as regras”(JACQUES MONOD).

“Você tem a liberdade de escolha: ser pesquisador ou sonâmbulo” (ORTEGA Y GASSET). “A sorte favorece os preparados” (PASTEUR). Passou a época de improvisar. Tudo necessita de método.

Toda ação deve ser planejada com objetivos e meios para executá-la.

A Metodologia tanto serve para fazer uma simples compra numa loja, como para resolver problemas médicos, sanitários, administrativos, de astronomia ou de cibernética. Ela estimula, ajuda e exige uma maior reflexão, análise e compreensão dos problemas profissionais ou de descobertas científicas. Ela faz despertar o interesse pelo PORQUÊ das coisas, PLANEJE qualquer tipo de ação antes de executá-la, tenha atitude científica, atente para os novos conhecimentos, à evolução de idéias e soluções de problemas, evite pré-julgamentos, não aceite dogmas científicos, não seja inflexível em suas discussões, formule conceitos, raciocine de forma mais inteligente e de acordo com os princípios da sua profissão.

Incentiva e obriga a uma maior reflexão sobre os problemas acadêmicos e profissionais. Exige uma postura mais racional, objetiva e produtiva do estudante, docente ou profissional para exercer suas atividades e favorece maior capacidade de observação, planejamento e execução.

A imensa maioria dos trabalhos científicos não tem método, nem técnicas, nem mesmo um objetivo claro. Apenas um amontoado de dados, sem explicar ao leitor o pretendido ou demonstrado, i. é, sem hipótese a provar ou negar mais parecendo trabalhos de improvisador. Tudo porque não se conhece METODOLOGIA CIENTÍFICA.

Em resumo, a Metodologia ajuda a saber o quê fazer, como fazer, para quê fazer e onde fazer.

2.2. ESPÉCIES DE METODOLOGIA

A Metodologia divide-se em Met. do conhecer, do planejar e do fazer. Quando ocorrem simultaneamente as três como afirma KAPLAN, acontece a chamada “integração metodológica”.

2.3. A MONOGRAFIA NA GRADUAÇÃO E NA PÓS-GRADUAÇÃO

Atualmente, está se dando grande importância ao trabalho escrito (MONOGRAFIA) no final da graduação e pós-graduação. A avaliação feita através de provas depende, e muito, da sorte. A monografia é resultado de um esforço continuado. Avalia a capacidade e a proficiência do estudante ao pedir o desenvolvimento, por escrito, de um tema, apresentado numa monografia. Ele é estimulado a ler com espírito crítico as obras de sua área de formação, procurar, organizar, redigir, expressar e apresentar idéias com originalidade, permitindo a assimilação da matéria.

O estudante, com este método avaliativo, dispõe de tempo para planejar e organizar, ler e reler, aumentar, suplementar, corrigir, organizar e expressar conhecimentos na sua MONOGRAFIA.

Devo fazer uma PESQUISA e apresentar uma MONOGRAFIA. Como fazer?. Não se pode apresentar MONOGRAFIA sem antes realizar uma PESQUISA.

O estudo da Metodologia consta destas duas partes:

PESQUISA (Operacional) e MONOGRAFIA (Formalística).

3. PESQUISA

A pesquisa é a atividade fundamental da ciência, permitindo a descoberta da realidade. Ela é geradora de conhecimentos.

3.1. CONCEITO DE PESQUISA.

“Pesquisa é a busca diligente para verificar alguma coisa”. (Dic. Webster). “Indagação ou busca minuciosa para averiguação da realidade; investigação, inquirição” (Aurélio).

“Conjunto de atividades racionais e materiais orientadas para a busca de um determinado conhecimento”.

“Estudo sistemático, objetivo e intensivo, dirigido para o aumento de conhecimento e controle dos assuntos e processos investigados”. (National Science Foundation).

“Procedimento reflexivo, sistemático, controlado e crítico, permitindo descobrir fatos ou dados, relações e leis, em qualquer campo do conhecimento” (ANDER-EGG).

Definimos pesquisa como a passagem contínua de um SABER DADO (T) para um SABER SUPERIOR (S), pela apropriação dialeticamente renovada de um SABER ADICIONAL (A). Onde, T = tese, S = síntese e A = antítese.

Podemos dizer: pesquisa é a RESPOSTA a duas perguntas: O QUÊ SE QUER SABER (assunto-tema-problema) e COMO CONSEGUÍ-LO. (hipótese e metodologia).

3.2. ETAPAS DA PESQUISA:

- APORÉTICA (descoberta do problema) PLANEJAMENTO.

- HEURÍSTICA (procura, crítica e registro) DOCUMENTAÇÃO.

- MAIÊUTICA (formal, informe, relatório) EXPOSIÇÃO.

3.3. PADRÃO GERAL DA PESQUISA

1 - Área de interesse (Assunto).

2 - Leituras preliminares: Heurística de temas.

3 - Estudo de viabilidade da pesquisa.

4 - Escolha do tema definitivo.

5 - Revisão exaustiva da literatura sobre o tema escolhido.

6 - Formulação do problema

7 - Hipótese (explicação provisória do problema). Proposição.

8 - Objetivos (aquilo a ser feito, demonstrar, conseguir)

9 - Metodologia (hipótese de trabalho) = como conseguir os objetivos.

10 - Teste de hipótese = coleta de dados.

11 - Processamento dos dados: organização, representação e tratamento estatístico.

12 - Análise, discussão e interpretação dos dados.

13 - Redação do relatório (provisória e definitiva)

14 - Apresentação, e se for o caso, defesa do RELATÓRIO.

3.4. ESPÉCIES DE PESQUISA:

- Pura, Aplicada e Tecnológica (ou de desenvolvimento).

“Não existe ciência pura ou aplicada, apenas aplicações da ciência” (L. PASTEUR). O mesmo pode-se dizer da pesquisa.

Acadêmica ou Profissional. Primária ou Secundária.

Classificação mais comum: DOCUMENTAL, CAMPO, EXPERIMENTAL.

TRIPODI et al, no livro “Análise da Pesquisa Social”, classificam a pesquisa em NÃO-EMPÍRICA (estudos documentários ou bibliográficos, ensaios de revisão e trabalhos metodológicos) e EMPÍRICA, esta é dividida em:

a) Estudos EXPERIMENTAIS (experiências de laboratório e campo). b) Estudos QUANTITATIVO-DESCRITIVOS (verificação de hipóteses e programas, descrição de população, procura de relações entre variáveis) e c) Estudos EXPLORATÓRIOS (exploratório - descritivos, uso de procedimentos específicos para coleta de dados).

3.4.1. PESQUISA DE CAMPO.

Nela, o pesquisador assume o papel de OBSERVADOR, recolhendo diretamente os dados no local (campo). Embora se baseie na observação, pode existir pesquisa de campo baseada na experimentação. KOCHE (1982:79), prefere chamar a pesquisa de campo de DESCRITIVA: “A pesquisa descritiva, não experimental, estuda as relações entre duas ou mais variáveis de um fenômeno, sem manipulá-las (...), tenta localizar situações ou condições existentes, espontâneas, no seu “habitat” natural, constatando e avaliando o tipo de relação.

A pesquisa descritiva não se confunde com a de campo, nem a experimental com a de laboratório.

Os termos “de campo” e “de laboratório” indicam apenas o contexto onde se realizam. Uma pesquisa pode ser experimental tanto em contexto de campo, quanto de laboratório. O mesmo acontece com a descritiva, embora, em geral, se realizem no contexto de laboratório mais pesquisa de caráter experimental.

Resumindo: pesquisa descritiva visa conhecer e interpretar a realidade, sem interferir para modificá-la.

Pesquisa de campo é resultante da OBSERVAÇÃO direta ou indireta em documentos, monumentos, condutas ou experimentos.

No próximo título, o leitor se familiarizará com os detalhes da pesquisa de campo na área da saúde.

DOCUMENTO é qualquer vestígio deixado pelo ser humano. “Documento é qualquer base de conhecimento, fixada materialmente e disposta, passível de ser utilizada como consulta, estudo, prova, etc.” (Dic. Aurélio).

Todo documento merece cuidado, podendo padecer de distorções, mesmo involuntárias do autor. Além disso, não permite generalizações.

MONUMENTO é outro objetivo de observação. “Monumento é obra científica ou literária de mérito excepcional” (Dic. Porrua). “Qualquer obra intelectual ou material que pelo seu alto valor passa à posteridade, pela qual se estuda a história de séculos passados (Dic. Caldas Aulete). Lembrança, recordação e memória são sinônimos de monumento.

Para quê observar monumentos? Para comparar o momento cultural em observação e as condições sociais da época. Monumento cultural, ferramenta ou instrumento, moradias, mobiliário, vestimentas, utensílios, objetos de lazer, armas, objetos relacionados com a magia e a religião e outros. (Pardinas, 1986)

CONDUTAS. A observação direta de condutas pode ser feita pela pesquisa participante ou não participante. Aquela, escreve PARDINAS (1986), “não consiste tão somente na materialidade de participar dos acontecimentos do grupo pesquisado, mas em que o pesquisador chegue a ser uma figura familiar no meio e os observados não tenham que fazer violência para aparecer como são e, por sua vez, o pesquisador tenha uma participação não tão externa, mas interna, nos sentimentos, nas expectativas e inquietudes do grupo observado”.

OBSERVAÇÃO EM LABORATÓRIO “consiste no estudo deliberado e controlado das mudanças ocorridas num determinado fenômeno, como resultado das modificações de suas condições, na procura de nexos causais”. GINO CORALLO (1966, 1898).

OBSERVAÇÃO INDIRETA. Na pesquisa de campo, além da observação direta, existe a indireta, feita por questionário, formulário e entrevista.

O questionário é respondido na ausência do pesquisador. O formulário, na sua presença. Ambos podem referir-se a fatos, atitudes ou opiniões.

FRANCO (1987:51) recomenda para a elaboração:

a) estabelecer o objetivo a alcançar;

b) dar um valor a cada pergunta para posterior codificação dos resultados;

c) definir o tipo de perguntas: abertas/fechadas, diretas/indiretas;

d) usar vocabulário adequado ao grupo pesquisado;

e) começar por assuntos gerais para chegar aos particulares;

f) fixar o número de perguntas;

g) eliminar fatores capazes de distorcer as perguntas (medo, ódio, intimidades...);

h) ganhar a confiança do questionado;

i) se o assunto é de domínio público, pode-se pedir ao entrevistado ou questionado a anotação do seu nome, se, porém, não o for, podendo provocar temor no entrevistado, basta a resposta, data e lugar”.

A ENTREVISTA, na prática, é o instrumento mais fácil e mais usado. Contudo, é o mais enganoso na pesquisa de campo, ou porque o entrevistado procura agradar com suas respostas ou porque quer esnobar.

São condições do entrevistador: perspicácia, sutileza, capacidade de escutar, transcrever, selecionar e condensar, de adaptação a circunstâncias imprevistas, cortesia, tato e paciência e no entrevistado: vontade de cooperar, sinceridade, memória, imparcialidade e boa comunicação.

O pesquisador deve perguntar-se: QUÊ TIPO DE PESQUISA QUERO FAZER?

Possivelmente responderá: aplicada, acadêmica, descritiva, de CAMPO, usando a entrevista. Qualquer tipo de pesquisa a ser feita pressupõe quatro etapas a percorrer:

- PLANO DE TRABALHO ou DESENHO DA PESQUISA

- COLETA DE MATERIAL

- ANÁLISE E ORGANIZAÇÃO DOS DADOS

- EXPOSIÇÃO (relatório, Informe, Monografia).

Toda pesquisa de campo ou experimental, deve ser precedida pela pesquisa bibliográfica (revisão da literatura).

3.4.2. PESQUISA BIBLIOGRÁFICA (passos):

1 - Escolher um TEMA.

2 - Levantar a BIBLIOGRAFIA ESPECIALIZADA sobre o tema.

3 - Elaborar as FICHAS BIBLIOGRÁFICAS e HEMEROGRÁFICAS (cronológicas)

4 - Fazer LEITURAS PRELIMINARES da bibliografia básica.

5 - Formular a PROPOSIÇÃO

6 - Elaborar o ESQUEMA DEMONSTRATIVO, PLANO ou TEMÁRIO: partes, capítulos com títulos e subtítulos.

7 - Fazer uma boa REVISÃO DA LITERATURA: leitura e fichamento dos capítulos e das obras escolhidas em função do esquema.

8 - CLASSIFICAR e ORGANIZAR as informações coletadas em função da proposição e do esquema demonstrativo.

9 - Redigir o RASCUNHO, com citações e referências.

10 - Fazer uma boa REVISÃO e a seguir a REDAÇÃO DEFINITIVA, com Introdução, Desenvolvimento (Capítulos), Conclusão e Bibliografia final.

4 - PLANEJAMENTO ou FASE PREPARATÓRIA DA PESQUISA

Uma pesquisa é uma ação composta de CIRCUNSTÂNCIAS a serem estudadas para a ação se realizar com perfeição:

FIGURA 2 - CIRCUNSTÂNCIAS - TÍTULO II

O plano de trabalho consiste na relação das atividades capazes de levar a obtenção de resultados para ajudar na solução do problema de pesquisa (conclusões). É descrever a maneira como se pensa resolver o problema (metodologia). Importante o plano?

O plano é FUNDAMENTAL, para não acontecer improvisação.

“Na prática, a pesquisa não segue uma seqüência linear, não havendo um constante ir e vir de uma etapa para a outra, especialmente nas primeiras, e portanto realizam-se de forma quase simultânea”. ROJAS SORIANO (1991). No entanto, por razões didáticas, os livros de Metodologia estabelecem esta seqüência:

TEMA-PROBLEMA - REVISÃO DA LITERATURA - HIPÓTESE - TESTE - CONCLUSÕES.

4.1. MOMENTOS DO PLANEJAMENTO:

Escolher a GRANDE ÁREA, a ÁREA, a SUB-ÁREA e a ESPECIALIDADE. Dentro desta, o CENTRO DE INTERESSE (Assunto).

FIGURA 3 - MOMENTOS DO PLANEJAMENTO - TÍTULO II

Foi escolhido o assunto ou núcleo temático? Mas o assunto é algo geral, muito amplo e compreende muitos tópicos ou TEMAS, fatos, situações, estudos, proposições. Deverá escolher um tópico concreto, definido, particularizado: O TEMA, mediante as LEITURAS PRELIMINARES com função de HEURÍSTICA de temas e são necessárias para ter uma VISÃO PANORÂMICA do tema, o assunto específico.

LEVANTAMENTO DAS FONTES na pesquisa documental (bibliográfica):

1) BIBLIOGRÁFICAS (livros, textos, revistas) 2) CRONOGRÁFICAS (fotos, gravuras, pinturas, slides, filmes, microfilmes, imagens, estátuas, monumentos). 3) FONOGRÁFICAS (gravações em discos e fitas).

Dependendo do tipo de pesquisa, podem bastar as bibliográficas.

Nem sempre um só livro possui todos os dados necessários. Ao contrário, um dado se liga a outro e este tem suas ramificações.

4.2. A ESCOLHA DO TEMA. Este é momento decisivo

A escolha do tema é condicionada por três fatores; INTERESSE do pesquisador, sua QUALIFICAÇÃO e existência de BIBLIOGRAFIA ESPECIALIZADA.

Muitas são as qualidades exigidas do pesquisador, podendo ser resumidas em três: VONTADE, PREPARO e RECURSOS. Na falta de uma, a pesquisa está fadada ao fracasso.

Parece fácil esta fase da escolha do tema, porém depende de: a) área de conhecimento mais interessante ao pesquisador; b) existência e disponibilidade das fontes; e c) do tempo disponível para fazer a pesquisa e escrever o trabalho.

FONTES DE TEMAS: a observação da realidade vivida, a experiência do dia-a-dia, a vida profissional, as aulas, as leituras especializadas, monografias, discussões com colegas, contato com especialistas, entrevistas, temas controvertidos, estudos insatisfatórios, situações mal diagnosticadas, proposições mal demonstradas, relações entre fenômenos mal estabelecidas, trabalhos com metodologia ultrapassada ou dados incompletos, fatos novos não enquadrados nas novas teorias, temas mal explorados e na conclusão de monografias.

Aparecerão vários temas. Elimine os difíceis, pouco interessantes, muito amplos, complicados ou suficientemente estudados. Fique com dois e recorra à leitura de um tratado geral da especialidade.

Fazer uma leitura rápida daqueles livros sobre os temas específicos e de interesse. Decidir-se por um dos temas.

CARACTERÍSTICAS DE UM BOM TEMA:

- INTERESSANTE, IMPORTANTE, ÚTIL, VIÁVEL (possível), ATUAL e OPORTUNO. É importante dizer sobre uma qualidade: a novidade.

- NOVIDADE. “Não há temas esgotados e sim pesquisadores esgotados no tema” (RAMON Y CANJAL). “Por incrível que pareça, sempre há alguma coisa que não foi estudada, explorada ou pesquisada na forma peculiar que nós pensamos e que podemos dar-lhe um tratamento pessoal”. (MENDIETA ALATORRE).

Por sua vez, TABORGA escreve a respeito da originalidade: “a forma peculiar de focalizar um problema, a sustentação de novos argumentos ou a maneira particular de tirar certas conseqüências, dá caráter de novidade hipótese, e, portanto, condição de ORIGINALIDADE”. Novidade é gênero. Originalidade é espécie.

REDUÇÃO E DELIMITAÇÃO DO TEMA

Quanto mais ambicioso o pesquisador, quanto mais quiser dizer, maior o risco de não dizer nada ou dizer coisas erradas. Pesquisador novato gosta de temas amplos. Nada mais errado.

A amplitude é inimiga da profundidade, degenera em superficialidade e é cemitério de vocações de pesquisadores iniciantes.

DELIMITAR é fixar limites, demarcar, circunscrever, restringir a realidade para melhor estudá-la. Para quê? - Para diminuir em extensão e ganhar em profundidade. Em ciência, nada se mede por peso ou tamanho!

A delimitação do tema é feita nestes aspectos: MATERIAL (características essenciais), FORMAL (aspectos e relações), HISTÓRICO (pesquisas feitas, estado atual, descobertas ...), GEOGRÁFICO (espaço onde será estudado) e CRITÉRIO (valor e utilidade das provas de conclusões apresentadas por outros pesquisadores).

4.3. JUSTIFICATIVA de escolha do tema e da pesquisa.

Justificar a escolha, por enquanto, só para você. Na Introdução, deverá justificá-la para os leitores.

É importante o tema escolhido? Vale o trabalho de estudá-lo? Pode trazer contribuições? Quais os motivos me induziram a estudá-lo? Merece uma pesquisa? Justifica o tempo e recursos a serem investidos?

4.4. REVISÃO DA LITERATURA

Revisar os registros sobre o tema é imprescindível em qualquer pesquisa. A revisão da literatura, além de ser um campo riquíssimo para descobrir temas de pesquisa, serve para formular o problema, elaborar o quadro teórico-conceitual e obter a teoria de base; aquela, a luz da qual, o tema-problema será estudado.

Proceder a uma profunda REVISÃO DA LITERATURA sobre o tema: o que foi e está sendo feito e escrito (crítica da documentação) à fim de obter:

- O ESTADO DA QUESTÃO (fase atual dos estudos)

- O QUADRO CONCEITUAL (conceitos e termos-chave, definições)

- O QUADRO TEÓRICO (leis e teorias existentes, doutrinas, enfoques, interpretações, e outros.)

- A TEORIA DE BASE (qual, entre as existentes, será adotada).

Exemplos de teorias de base: geocêntrica X heliocêntrica. Origem da raça humana: na África ou na Ásia. Os dinossauros extinguiram-se por condições climáticas, doenças, mutações genéticas ou queda de meteorito gigante. A TPM é efeito da progesterona ou da serotonina.

Sem teoria não se pode observar nem experimentar, pois não há observação sem uma TEORIA a autorizá-la e legitimá-la. A teoria decide aquilo a ser observado.

4.5. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA

PROBLEMA = dificuldade, dúvida, questão, incerteza, desconhecimento, ambigüidade, conflito, lacuna, incoerência no corpo do saber, enigma, e outros. São alguns sinônimos de problema.

TEMA e PROBLEMA são a mesma coisa; variando a forma de abordá-los. Um tema expõe-se, descreve-se, estuda-se, Um problema resolve-se, explica-se”. SALOMON (1973:140)

IMPORTÂNCIA DESTA FASE. O problema é o OBJETO da pesquisa.

“Todo pensamento reflexivo é uma atividade de RESOLUÇÃO DO PROBLEMA, como Dewey e outros pragmáticos insistiram em afirmar. Antes que o cientista meta ombros a uma tarefa, deve sentir primeiro a PRESENÇA DE UM PROBLEMA”. COPI (1979:392) e podemos caracterizar um problema como um fato ou grupo de fatos para o qual não dispomos de qualquer explicação aceitável, obviamente parecendo incomum ou que não adaptável às nossas expectativas e preconceitos.

Obviamente se requerem algumas convicções prévias para uma coisa se impor como problemática. SE NÃO HOUVER EXPECTATIVAS, NÃO PODERÁ HAVER SURPRESAS.

Concluindo: o primeiro passo de toda pesquisa é o PRESSENTIMENTO DE UM PROBLEMA. As qualidades necessárias para uma pessoa iniciar uma proveitosa pesquisa científica são: estar familiarizado com as teorias de seu tempo; observar fatos novos e não se conformar com a presença de qualquer conflito ou lacuna entre o fato e a teoria”.

Por quê se estuda um tema? Porque é problemático.

‘SE NÃO HÁ PROBLEMA, NÃO HÁ PORQUE FAZER UMA PESQUISA” SOSA-MARTINEZ (1991:48). “NÃO PODE EXISTIR PESQUISA CIENTÍFICA NÃO ORIGINADA DE UM PROBLEMA”. ROJAS SORIANO (1991:48).

“Enquanto o tema permanecer tema, não se iniciou a investigação propriamente dita. O tema deve ser submetido a questionamento, convertendo-o em problema”. CERVO e BERVIAN (1978:49).

Esta parte da pesquisa é uma situação-problema sobre a qual se irá formular um sistema de proposições”. BAPTISTA (1979:22). Esta mesma autora cita EINSTEIN:

“O objeto da pesquisa é uma situação-problema sobre a qual se irá formular um sistema de proposições”. BAPTISTA (1979:22). Esta mesma autora cita EINSTEIN:

“A miúdo, a simples colocação de um problema é muito mais essencial que a sua solução, podendo ser apenas uma questão de habilidade matemática ou experimental. Fazer novas perguntas, suscitar novas possibilidades, ver velhos problemas sob um novo ângulo, são coisas exigindo imaginação criadora e possibilitando verdadeiros progressos na ciência”. Ver velhos problemas sob novo ângulo é a HETEROTESE.

Finalmente, POPPER (1975:308): “A ciência avança rumo a um objetivo: o de sempre DESCOBRIR PROBLEMAS novos, mais profundos e mais gerais, e de sujeitar suas respostas, sempre provisórias, a testes sempre renovados, sempre mais rigorosos”.

Nenhum trabalho (MONOGRAFIA) será científico se não tiver como objeto o estudo e a solução de um problema.

PROBLEMA CIENTÍFICO - conceito

Problema científico é uma dificuldade teórica e/ou prática provocada por uma situação ou fato, por um estado cognitivo de conflito, enfim, por uma expectativa frustrada.

“Problema é uma pergunta feita em busca de respostas relativas a condutas de uma área de conhecimentos ou fenômenos”.

“Problema é o assunto para o qual não temos respostas ou constitui uma inquietude intelectual no conhecimento, ainda não satisfeita”. SOSA-MARTINEZ (1991:143).

“Problema científico é a questão colocada diante do estudioso como um desafio a sua capacidade solucionadora, revestida de notas de relevância: OPERATIVA (novos conhecimentos), CONTEMPORÂNEA (adequado ao estádio da ciência) e HUMANA (utilidade para o homem)”. SALOMON (1973:139).

CLASSIFICAÇÃO DOS PROBLEMAS DE PESQUISA

DESCRITIVOS (propriedades e caracteres distinguidores de uma questão de outras paralelas) e EXPLICATIVOS (causas, conseqüências, finalidades, pela exposição, análise e demonstração).

Nos níveis inferiores de estudo, quase todos os problemas são do tipo descritivo. (...) No entanto, nos níveis superiores, o pesquisador deve estar diretamente orientado ao estudo descritivo com fins explicativos e preditivos (variáveis independentes).

ORIGEM DO PROBLEMA:

O problema de pesquisa não nasce do nada, por geração espontânea. Surge no conhecimento existente. Nasce de expectativas frustradas. Surge para aquele atento aos fenômenos, tem a mente livre de preconceitos e que possui conhecimentos da área.

PARDINAS (1986:68) escreve: “O verdadeiro procedimento para achar o problema consiste na informação, a mais completa possível, das áreas de pesquisa na área escolhida: se um pesquisador escolheu SAÚDE PÚBLICA, antes de selecionar o problema, deverá LER AS MAIS IMPORTANTES PESQUISAS na área de seu interesse. Essas leituras, em muitos casos, informarão quais os problemas ainda por estudar e os estudados e suficientemente comprovados”.

AVALIAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA

BEST (1967:36) indica as seguintes perguntas para avaliar o problema objeto da pesquisa: “a) É este tipo de problema a ser eficazmente resolvido por meio de uma pesquisa? b) O problema é suficientemente significativo? c) O problema é novo? d) É possível ser pesquisado? e) Tenho a competência necessária para planejar e realizar um estudo deste tipo? f) Conheço bem este campo e compreendo seus aspectos mais importantes? g) Podem ser obtidos dados pertinentes? h) Posso dispor de sistemas e procedimentos para obter os dados com validade e confiabilidade? i) Terei recursos financeiros necessários para realizar esta pesquisa? j) Terei tempo bastante? k) Terei coragem e determinação para prosseguir a pesquisa apesar das possíveis dificuldades?”

CRITÉRIOS DE ESCOLHA DO PROBLEMA

RELEVÂNCIA (traz conhecimentos novos?), VIABILIDADE (pode ser resolvido por meio de uma pesquisa?), NOVIDADE (adequado ao estádio do conhecimento), EXEQÜIBILIDADE (recursos?) e OPORTUNIDADE (interesses particulares e gerais?).

PARDINAS (1986:70) aponta como critérios de escolha: relevância CIENTÍFICA (trará novos conhecimentos), HUMANA (contribuições para a comunidade) e CONTEMPORÂNEA (resolve um problema atual).

DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA

Nenhum problema pode ser estudado e resolvido sem antes defini-lo, delimitá-lo e formulá-lo.

“Delimitar o problema quer dizer reduzi-lo a seus aspectos e relações fundamentais a fim de poder iniciar seu estudo intensivo, em termos concretos, destacando aqueles elementos e vínculos assinalados pela teoria e a prática como importantes para uma primeira aproximação ao estudo do mesmo” (ROJAS SORIANO (1991:47).

Remeto o leitor ao item acima: Redução e Delimitação do tema.

A delimitação do problema deve ser: MATERIAL: o problema em si, separando-o de outros. Qual é realmente o problema?, FORMAL: ponto de vista específico a examinar - causas. Pode ser enunciado em forma de pergunta? Há duas variáveis, pelo menos, nele?, HISTÓRICA: avaliação do estado atual dos estudos sobre ele e CRÍTICA: bases teóricas das soluções até aqui apresentadas?

ROJAS SORIANO (recomenda estas atividades: 1) Definir idéias e conceitos para precisar as características do problema; 2) Fixar LIMITES TEMPORAIS da pesquisa: o problema num determinado período ou suas variações no tempo; 3) Estabelecer os LIMITES ESPACIAIS da pesquisa: área geográfica compreendida; 4) Definir UNIDADES DE OBSERVAÇÃO: características fundamentais dos elementos (pessoas, salários, moradias, idade...) e 5) Situar o problema no CONTEXTO (social, legal, econômico, histórico, ecológico, ideológico, entre outros) e 6) Estabelecer as OPERAÇÕES necessárias para o estudo do problema (abordagem metodológica).

FORMULAÇÃO DO PROBLEMA NA PESQUISA

“Um problema bem formulado é a metade de sua solução” ACKOFF (1967:420). “Na formulação correta do problema repousa a possibilidade de sua solução” GORTARI (1974:230)

Não há regras para formular o problema. KERLINGER aponta três requisitos: a) o problema deve expressar relação entre duas variáveis; b) deve ser formulado claramente, sem termos ambíguos, confusos e c) Deve sugerir possibilidades de resposta e de comprovação empírica. O mesmo autor enfatiza: “A melhor forma de formular um problema é a mais simples: ELABORAR UMA PERGUNTA”.

Ex. Tema: Aumento da epidemia do cólera no Brasil.

Problema: Por quê aumentou tanto o cólera em Fortaleza neste último mês a ponto de dar-se 250 casos diários de suspeitos?

Hipótese: falta de renda e desinformação.

Tema: baixo nível de conhecimento dos alunos concluindo o 2º grau.

Problema: quais as causas do baixo nível...?

Hipóteses: métodos de ensino, escola pública, cursos noturnos, excesso de disciplinas no currículo, livros inadequados, e outros.

Problema: até onde a delinqüência juvenil, na cidade de São Paulo, é ocasionada pelo consumo de tóxicos?

DEFINIÇÃO DOS TERMOS DO PROBLEMA

Após a formulação do problema e da hipótese, é necessário definir os termos ou conceitos a serem trabalhados para esclarecer o fenômeno pesquisado e permitir a comunicação com o leitor. Vejamos: “Por quê aumenta o consumo de drogas no Brasil”? Antes de mais nada, devemos saber se o termo “droga” se refere a medicamentos ou a tóxicos. Aleitamento materno (total ou parcial). Obesidade. Criminalidade. Primeira infância. Privação de alimentos. Marginalização. Menor abandonado. Os termos devem ser definidos.

4.6. HIPÓTESE OU PROPOSIÇÃO

IMPORTÂNCIA DA HIPÓTESE NA PESQUISA

“Quem se recusa a tomar a hipótese por guia, deve resignar-se a ter o acaso por mestre” (LE BON). “Hipóteses são redes: somente aqueles que as lançam pescarão alguma coisa” (NOVALIS). “Toda pesquisa científica consiste apenas em enunciar e verificar hipóteses” (RUDIO). “Na presença de um fenômeno insólito, a primeira coisa é imaginar uma hipótese a explicá-lo e o subordine a alguma das leis conhecidas (RAMON Y CAJAL: 104).

“Descoberto e individualizado o problema científico, a pesquisa estacionaria se o pesquisador não lançasse uma hipótese. (...) Quando o autor se define por uma solução com a pretensão de demonstrar no curso do trabalho, pode-se então falar de tese ou idéia central do seu trabalho”. SEVERINO (1976:53). HIPÓTESE-DIRETRIZ.

Esta etapa hipotética da pesquisa é imprescindível, é o impulso originário de todo saber.

CONCEITO DE HIPÓTESE

“Hipo = debaixo + Thesis = situação, posição”

A hipótese é uma relação explicativa entre certos fatos que compõem o problema e está subjacente a ele, isto é, certa explicação antecipada a ser comprovada nos e pelos objetos de conhecimento ou rejeitada por impraticável. BASCUNAN VALDES (1971:97).

“Hipótese é uma suposição, uma tentativa de explicação de um problema, de uma relação entre fenômenos”. KOCHE (1982:64).

Hipótese é o enunciado da solução estabelecida provisoriamente como explicativa de um problema qualquer”. RUIZ (1980:54).

“Suposição feita na tentativa de explicar o desconhecido”. RUDIO (1980:78). “Proposição feita na tentativa de verificar a validade da resposta existente para um problema”. LAKATOS (1983:104).

“Uma hipótese científica é aquela formulação apoiada num sistema de conhecimentos organizados e sistematizados e estabelece uma RELAÇÃO ENTRE DUAS OU MAIS VARIÁVEIS, para explicar e predizer, na medida do possível, os fenômenos que lhe interessam no caso de se comprovar a relação estabelecida”. ROJAS SORIANO (1991:90).

“O exame inicial de um problema e a observação criteriosa sobre o comportamento das variáveis conduzem o pesquisador a formular a SOLUÇÃO PROVÁVEL DO PROBLEMA”. RUIZ (1980:55).

CONCLUINDO: HIPÓTESE É A SOLUÇÃO OU EXPLICAÇÃO TEÓRICA E PROVISÓRIA DE UM PROBLEMA.

EXEMPLOS DE HIPÓTESES

A mortalidade infantil está altamente relacionada com o alcoolismo do País. Quanto maior a desnutrição dos operários, tanto maior será a probalidade de sofrer acidentes de trabalho. Há uma correlação direta entre o baixo nível de vida e as altas taxas de mortalidade infantil. No Brasil, funcionária grávida é marginalizada. Se uma comunidade é supersticiosa freiará seu crescimento econômico. Baseados nos últimos estudos sobre colesterol, acreditamos não existir relação entre consumo de alimentos ricos em colesterol e a formação de ateromas nas artérias. Os estudantes de Cuiabá são favoráveis ao divórcio. O aumento da desnutrição eleva a religiosidade entre algumas comunidades brasileiras. A freqüência de certos quadros neuróticos está relacionada com o status socio-econômico. Crianças bloqueadas na consecução de seus objetivos se mostram mais agressivas com relação as que não o foram. A privação de sono aumenta o tempo de reação aos sinais visuais. O aumento do álcool no sangue da pessoa diminui a capacidade de dirigir.

ESPÉCIES DE HIPÓTESE

A) Básica (principal resposta ao problema) e Secundárias ou complementares ou proposições. Alternativa (H1) e Nula (Ho). Indutivas ou Dedutivas. Descritivas ou Explicativas. Qualitativa ou Quantitativa.

Segundo o critério adotado teremos: pela FORMULAÇÃO: afirmativa ou negativa: pelo MÉTODO: indutiva ou dedutiva; pela DIREÇÃO: positiva, negativa ou não direcional; pelo TIPO DE PESQUISA: X manipulável, X não manipulável; pelo TRATAMENTO ESTATÍSTICO: quantitativa ou qualitativa.

ORIGEM DA HIPÓTESE DE PESQUISA é a “iluminação”, os resultados de experiências realizadas e conclusões inferidas de raciocínios.

TRUJILLO FERRARI aponta 4 fontes: a) do conhecimento familiar ou da intuição; d) da observação; c) da comparação com outros estudos; e d) de uma teoria. (1982:132).

FUNÇÃO DA HIPÓTESE NA PESQUISA

A hipótese, na pesquisa, fixa a diretriz ordenadora de todo o processo. Preenche lacunas que ficam em nosso conhecimento tela observação (O’Neil). Orienta a atividade do pesquisador na coleta e análise dos dados (provas). É ponte entre a teoria e a pesquisa empírica. Oferece uma explicação provisória para resolução do problema. Sugere explicações para determinados fatos e orienta na pesquisa de outros. (SELLTIZ: 42). Restringe a amplitude da pesquisa, orienta-a, prevendo fatos novos.

CARACTERÍSTICAS DA HIPÓTESE:

Compatibilidade com o conhecimento estabelecido e verificabilidade (POPPER). Razoável e verificável. RUIZ (:55). RUDIO (:80) aponta estas características: plausível (possível), consistente (sem contradição), específica (do que deve ser observado), verificável (pelos meios atualmente empregados), clara (ajudar a compreender o que se quer estudar) simples (ter todos e só os termos necessários para sua compreensão) e explicativa (explique o problema para o qual é formulada).

KOCHE (:65) - Enunciada através de proposição declarativa, estabelece a relação entre duas ou mais variáveis, passível de teste nas suas conseqüências empíricas.

TABORGA aponta como característica: não contradizer nenhuma verdade aceita, ser simples, sugerida e verificável pelos fatos (1987:79).

McGUGAN (1976:35), in: MARINHO (1980:30), aponta estas características: a) TESTÁVEL; b) COMPATÍVEL com outras da mesma área, SIMPLES (moeda viciada), d) RESPOSTA a um problema; e) TERMOS QUANTITATIVOS e f) de ÂMBITO GERAL (várias conseqüências).

FORMULAÇÃO DA HIPÓTESE

ROJAS SORIANO: (96) escreve: “Para que as hipóteses possam ser verificadas empiricamente devem reunir os seguintes requisitos:

1) referir-se a apenas um setor determinado da realidade (ex. população rural). 2) Seus conceitos devem ser claros para permitir serem medidos (ex. alcoolismo). 3) Seus conceitos devem ter referentes empíricos (desemprego) e 4) Prever técnicas para submetê-las à prova (experimento, observação).

LAKATOS (1983:125) anota como características: clareza, concisão e objetividade.

SOSA-MARTINEZ (1990:158) propõe um modelo de formulação:

“Com base nos estudos publicados por N. e N. (QUADRO TEÓRICO ou BIBLIOGRAFIA), considera-se poder haver uma associação (CONJECTURA) entre as variáveis A e B (CORRELAÇÃO), possibilidade esta a ser aceita ou rejeitada através de um estudo de laboratório (METODOLOGIA) sobre o efeito das variações de A sobre a variável B (CONCLUSÕES ESPERADAS)”.

Esta formulação mais parece uma PROPOSTA METODOLÓGICA do que uma hipótese. Poucos autores a fazem assim.

Por exemplo, ROJAS SORIANO (1981:90) e a maioria dos autores afirma: uma HIPÓTESE É UMA PROPOSIÇÃO AFIRMATIVA, com sujeito, verbo e atributos: SUJEITO (Vi e X), VERBO e ATRIBUTOS (Vd ou Y). Ex.:

FIGURA 4 - PROPOSTA METODOLÓGICA - TÍTULO II

As espécies de formulação mais comuns são:

a) MATEMÁTICA (Se Y --- X) (Se X --- Y) b) LÓGICA (de tal antecedente segue-se tal conseqüente) c) LINGÜÍSTICA (sujeito - verbo - atributo(s)).

FIGURA 5 - OPERACIONALIZAÇÃO DAS VARIÁVEIS DA HIPÓTESE - TÍTULO II

4.7. OBJETIVOS DA PESQUISA = PROPÓSITO

OBJETIVO provém de OBJETO. Objeto da pesquisa é o PROBLEMA. Conseqüência: os objetivos da pesquisa têm como base o PROBLEMA, ou melhor, a solução do problema.

OBJETIVO DA PESQUISA é aquilo que se pretende conseguir, solucionar, demonstrar, fazer, estudar, alcançar, Sinônimos: alvo, fim, propósito, objeto, intuito, mira. Os objetivos respondem a estas perguntas: por que? para quê? e para quem?

IMPORTÂNCIA: Estabelecer os objetivos da pesquisa é fundamental, pois são eles os pontos de referência e sinalização que guiam a mesma e aos quais todos os esforços se dirigem.

Convém, inicialmente, distinguir entre OBJETIVOS INICIAIS da pesquisa ou PROPÓSITO FUNDAMENTAL e OBJETIVOS FINAIS, ou aquilo que se quer demonstrar ou negar, descrever, explicar ou predizer.

Iniciado o processo da pesquisa já se tem uma idéia geral daquilo que se pretende alcançar no final da mesma. Por ex., :”Demonstrar que saúde-doença é um processo socio-histórico, dependente de determinadas condições materiais de trabalho e de vida” ou “Diagnosticar as diferenças significativas nos vários setores da classe operária em relação a morbi-mortalidade e expectativa de vida”. Diríamos que este é o PROPÓSITO FUNDAMENTAL da pesquisa, o OBJETIVO INICIAL e GERAL da pesquisa.

Percebe-se, desde logo, a FUNÇÃO dos objetivos ou propósitos iniciais é definir a natureza do trabalho, o tipo de problema(s) a solucionar, o material a coletar.

Porém, no decorrer do processo de planejamento e mesmo da execução da pesquisa, os objetivos, às vezes vagos e pouco precisos no começo, ao contar com informação teórica e/ou empírica (teorias e material empírico) suficiente sobre o objeto de estudo, ajustam-se e tornam-se mais precisos, pois pode-se aquilatar até onde se pode chegar na busca e compreensão da realidade a ser pesquisada. Por outras palavras, os objetivos iniciais aperfeiçoam-se simultânea e paralelamente aos outros momentos da pesquisa: estruturação do quadro teórico-conceitual, delimitação e definição do problema e formulação da(s) hipótese(s). Este aperfeiçoamento possibilita a delimitação clara e progressiva dos OBJETIVOS INTERMEDIÁRIOS e FINAIS. No exemplo acima, seria “Demonstrar que saúde-doença é um processo socio-histórico, pois depende de condições materiais de trabalho e de vida impostas pelo modo de produção capitalista”. No segundo caso acima: “Demonstrar diferenças significativas nos diversos setores da classe operária em relação a morbi-mortalidade, a expectativa de vida e ao nível de conscientização nos problemas de saúde e acesso aos serviços de saúde, mediante a determinação das causas de tais deficiências e estabelecer as características dessas causas na classe operária brasileira. ROJAS SORIANO (1983:29 e ss.).

PRESSUPOSTO para formular os objetivos finais: conhecer com detalhe o objetivo a ser conseguido através da pesquisa.

Segundo ROJAS SORIANO (1983:55), os objetivos podem ser por:

- tempo: imediatos e mediatos ou finais;

- alcance (extensão, importância): gerais e específicos; e

- enfoque (orientação): teóricos ou práticos.

Pode acontecer ser um objetivo ao mesmo tempo mediato, específico e prático; específico e teórico; mediato, específico e prático; mediato, geral e teórico.

O objetivo básico de toda pesquisa é DESCREVER, EXPLICAR ou PREDIZER a solução do problema.

OBJETIVO GERAL é aquele ligado a uma visão global e abrangente do tema-problema. Pode acontecer terem alguns estudos ou pesquisas um objetivo geral: obter um grau acadêmico (licenciatura, bacharelado, especialização, mestrado ou doutorado), aprovar uma disciplina, cumprir uma exigência curricular, cumprir uma tarefa escolar, aprender a pesquisar, aperfeiçoamento em pesquisa, estudar com profundidade ou sistematizar um assunto, experimentar determinada técnica, solucionar dúvidas, e outros. Porém quase sempre existem objetivos secundários ou colaterais.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS: apresentam caráter mais concreto com relação ao geral. Têm uma função intermediária e instrumental, permitindo atingir o objetivo geral e aplicá-lo a situações particulares. Por exemplo: definir, descrever, explicar, enunciar, informar, diagnosticar, avaliar, quantificar, classificar, opinar, comparar, contrapor, inferir e outros.

OBJETIVOS INTRÍNSECOS: “referem-se a problemas a serem resolvidos” (SALVADOR: 54, CERVO E BERVIAN: 49).

OBJETIVOS EXTRÍNSECOS: cumprimento de dever escolar, atender a solicitação de interessados, fazer uma monografia com fins de estudos, resolver problemas pessoais, produzir algo original, mera atualização (SALVADOR: 54; CERVO E BERVIAN: 49).

OBJETIVOS OPERATÓRIOS, INTERMEDIÁRIOS E FINAL. CAMPOS (1988) propõe:

OPERATÓRIO, instrumental ou imediato. Ex. vacinar 95 por cento da região metropolitana numa campanha antipólio. INTERMEDIÁRIOS, MEDIATOS ou SUBSTANTIVOS. Por ex.:

a) proteger elevado percentual de vacinados;

b) reduzir a mortalidade por meningite;

c) reduzir a morbidade por doenças transmissíveis;

d) reduzir a mortalidade por doenças transmissíveis; e

e) reduzir a mortalidade geral.

FINAL: elevar o nível de saúde ou ainda mais geral: contribuir para o desenvolvimento nacional.

A este respeito, Rojas Soriano: (57), escreve: “Não necessariamente um objetivo sempre é final. Pode acontecer serem formulados objetivos passíveis de serem alcançados antes do término da pesquisa: INTERMEDIÁRIOS para conseguir dados permitindo orientar o trabalho que se desenvolve. Por exemplo: conhecer os serviços municipais disponíveis ao pessoal da periferia, detectar focos de contaminação ambiental de um bairro, determinar as doenças levando as pessoas a consultar-se nos centros de saúde daquela zona. Este tipo de objetivo pode formar parte de outro(s) mais geral (ais), razão pela qual devem conseguir-se nas primeiras etapas da pesquisa, por ex., fixar as causas determinantes da problemática de saúde da população que mora na periferia.

Pelas classificações acima, vemos que os objetivos podem ser: gerais e específicos, básicos ou operacionais, extrínsecos ou intrínsecos, teóricos ou práticos, a curto - médio - longo prazo, iniciais finais; imediatos (operatórios, instrumentais), mediatos (substantivos) finalidades.

RECOMENDAÇÃO: ESTABELECER POUCOS OBJETIVOS e POSSÍVEIS! Os objetivos são condicionados pela existência de recursos humanos, materiais e financeiros (ROJAS SORIANO p: 55 ss).

4.8. METODOLOGIA (TESTE DA HIPÓTESE) ou HIPÓTESE DE TRABALHO

A metodologia consiste em dizer quais métodos e técnicas a usar para confirmar ou negar a hipótese: DESENHO EXPERIMENTAL ou TEMÁRIO (PLANO PROVISÓRIO), na pesquisa bibliográfica.

Este momento se diz MATERIAL E MÉTODOS. Refere-se a dizer a população, amostra, área física, técnicas e instrumentos a serem usados para coleta, análise e interpretação dos dados.

As principais técnicas usadas na pesquisa de campo são: observação, experimentação, entrevista, pesquisa participante, pesquisa-ação, questionário, formulário, estudo de caso, análise de documento, história de vida, relatórios de estágio e outros.

Nesta hora, é necessário fixar o TRATAMENTO ESTATÍSTICO: como arranjar os dados, como será feito o experimento, quais as medidas a serem utilizadas: dispersão, posição, freqüência. A representação será feita em tabelas, gráficos, quadros, série estatística. Quais os testes da hipótese? (estatística inferencial).

4.9. CRONOGRAMA (tempo para cada fase). Planejamento 20%, Coleta de dados (40%), Análise 20% e Relatório 20%.

4.10. CUSTOS (recursos materiais e financeiros)

Em resumo, as partes principais de um plano de pesquisa são:

1) TEMA-PROBLEMA, 2) OBJETIVOS, 3) METODOLOGIA, 4) CRONOGRAMA e 5) RECURSOS.

5. PROJETO OU PLANO DE PESQUISA

O projeto é a expressão física do processo de planejamento.

Consiste na materialização das idéias levantadas e das decisões tomadas durante o planejamento. É a passagem do abstrato para o concreto, das idéias para o papel. Sem domínio completo do tema, não pode ser feito um projeto de pesquisa.

TERMINOU O PLANEJAMENTO: processo reflexivo-decisório para fazer, medir, avaliar, p/ MANTER ou MUDAR alguma coisa com ajuda de uma TEORIA, seguindo o MÉTODO CIENTÍFICO, usando TÉCNICAS E INSTRUMENTOS APROPRIADOS, levando ao conhecimento (diagnóstico) da situação problemática que se quer MANTER ou MUDAR.

Agora, passar ao papel estas idéias, isto é montar o PROJETO. Todo projeto de pesquisa deve ter esta ESTRUTURA:

I - IDENTIFICAÇÃO: capa (entidade, departamento, título do projeto, autor, cidade e ano)

II - INTRODUÇÃO:

Comece a escrever a REVISÃO DA LITERATURA: o que foi e está sendo escrito sobre o tema-problema.

Justifique sua escolha. Apresente o problema (lacuna, dificuldade). Formule a hipótese (explicação provisória). Formule os objetivos (o que se propõe fazer, dizer, explicar, descrever, demonstrar ...)

III - DESENVOLVIMENTO:

Especifique a população, amostra, características, lugar, tempo, técnicas a serem usados para coletar, representar, tratar, analisar os dados. O que se espera conseguir (conclusões), caso o projeto seja executado.

IV - ADMINISTRAÇÃO DO PROJETO:

Estabeleça o cronograma da pesquisa; o organograma, se for em equipe; os recursos materiais necessários; o custo (alocação e liberação dos recursos financeiros necessários).

V - ANEXOS:

Apresentar modelo de instrumento de pesquisa: entrevista, formulário, questionário.

VI - BIBLIOGRAFIA utilizada para montar o projeto. Apresente-a segundo as normas da ABNT (vide mais adiante).

6. EXECUÇÃO DA PESQUISA

Execução da Pesquisa = coleta, crítica e registro dos dados.

Estabelecido o PLANO: tema-problema, objetivos, metodologia, custos e cronograma, coletar, obter informações, incluindo registro em tabelas, especialmente nas pesquisas de campo e experimental.

- Fazer o pré-teste do(s) instrumento(s) numa amostra da população a ser pesquisada.

- Treinar os agentes (se pesquisa em equipe).

- Coletar os dados em função da HIPÓTESE e dos OBJETIVOS.

- Processar os dados: organizar, classificar e representar, para poder medir (tratamento estatístico).

A ESTATÍSTICA estuda modos de representar e tratar os dados coletados: diagrama, histograma, polígono de freqüências, esterograma, cartograma, pictograma, organograma, fluxograma, gráfico de Gantt, e outros. O modo mais comum: a TABELA. O que é uma tabela? Tabela é o agrupamento coerente dos dados, com cabeçalho e casas formadas por filetes com linhas e colunas, com palavras e algarismos. Antes da tabela, e do gráfico, é necessário fazer uma introdução ou anúncio no texto. A tabela deve ir o mais perto possível da primeira vez mencionada.

Regra: se a tabela ou gráfico ocupam mais de meia página, devem ir na página seguinte, acompanhada do texto. Se ocuparem menos de meia página, podem ir no meio do texto ou em página própria. No texto ou em apêndice? Depende: Se for essencial seu material para exposição e prova, deve ir no texto; se apenas detalhes em apoio ou confirmação, irá em apêndice. Neste caso, remeter o leitor ao apêndice.

Como se numeram as tabelas? Toda tabela deve ser numerada para sua identificação: 1, 2, 3,... Se a tabela for em apêndice, levará número seguinte ao último texto. Ex. TABELA 10 Título da tabela. O TÍTULO da tabela deve ter sentido completo e forma expositiva (Não frase). Apenas a palavra inicial e as que necessitarem levam maiúsculas. O título da tabela não leva ponto final. Se ocupar mais de uma linha, a segunda irá a espaço duplo em forma de pirâmide invertida. Os elementos constantes na tabela são: número, título, títulos das colunas verticais, primeira coluna dos algarismos e coluna dos dados.

NOTAS em tabelas e figuras. Servem para explicar detalhas ou dar o significado de abreviatura ou símbolo. Usam-se letras ou símbolos: *, +, e outros. Não usar números arábicos para evitar confusões. A primeira nota vai duas linhas abaixo da tabela. Entre nota e nota, espaço 2 (dois). TABELAS GRANDES devem ir na horizontal; podem reduzir-se ou continuar noutra página ou serem apresentadas em tamanho grande dobradas.

7. ANÁLISE, DISCUSSÃO E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

A pesquisa em si tem pouco valor, devendo ser transformada em resultados a serem comunicados.

“A compreensão do conteúdo de um documento ou o significado de um fato está em relação direta com a cultura do pesquisador (ZUBIZARRETA). “Toda ciência seria supérflua, se a aparência, a forma das coisas, fosse totalmente idêntica à sua natureza” (MARX - O Capital).

“O positivismo diz ‘há apenas fatos’. Eu digo ‘ao contrário, fatos é o que não há; há apenas interpretações” (NIETZSCHE)

Após a coleta de dados, estes apresentam-se em bloco, Necessitando ser organizados, classificados e representados. Isto foi feito na fase anterior: RESULTADOS. Agora devem ser analisados. ANÁLISE = dividir, separar, para estudar os diversos componentes do todo e descrever as relações entre eles.

A análise pode ser QUALITATIVA (atributos) e/ou QUANTITATIVA (medida).

O processo de análise consta de três partes: ORGANIZAÇÃO e REPRESENTAÇÃO dos dados, TRATAMENTO ESTATÍSTICO e a descoberta de RELAÇÕES de interdependência, dependência, divergência, concordância e outros.

DISCUSSÃO é a apresentação dos diversos aspectos de uma questão ou problema.

INTERPRETAR quer dizer encontrar o significado dos dados.

O erro mais comum na interpretação é querer descobrir o inexistente, demonstrar apenas o interessante.

8. RELATÓRIO DA PESQUISA (MONOGRAFIA).

O relatório da pesquisa (Monografia, Informe) é um ARGUMENTO COMPLEXO com pressupostos teóricos (premissa MAIOR), evidências (premissa MENOR), (ambas constituem o ANTECEDENTE) e CONCLUSÕES. Estas são precisamente as idéias julgadas pelo pesquisador como justificadas com os conhecimentos teóricos existentes no campo onde se situou o estudo e com os dados coletados. A meta do pesquisador é redigir um relatório, um informe, uma monografia de sua pesquisa.

MONOGRAFIA é “um trabalho sistematizado e completo sobre um assunto particular, usualmente pormenorizado no tratamento, mas não extenso no seu alcance” (AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION).

Ainda, monografia é um trabalho de divulgação científica exaustiva e compreensivamente, tratando de um ÚNICO TEMA-PROBLEMA ou ASSUNTO ESPECÍFICO.

Toda monografia tem uma ESTRUTURA MATERIAL (conteúdo) e uma ESTRUTURA FORMAL (disposição das partes). Esta é comum a qualquer trabalho (trabalho de classe até tese de doutoramento).

FIGURA 6 - ESTRUTURA MATERIAL E ESTRUTURA FORMAL - TÍTULO II

Este decálogo de desdobra em:

8.1. PARTE PRELIMINAR

1 - CAPA (instituição, Título, Autor, Cidade e Ano)

2 - FOLHA DE RESPEITO (em branco)

3 - FOLHA DE ROSTO - Repete a capa, porém embaixo do nome do autor identifica-se a natureza do trabalho. Ex.

Monografia apresentada ao Centro de Pós-Graduação da UNAERP, como exigência do Curso de Especialização em Saúde Pública.

4 - FOLHA DE APROVAÇÃO (necessária apenas nas teses)

5 - DEDICATÓRIA (optativa)

6 - RESUMO (só em português): “Apresentação concisa dos pontos relevantes do texto” ABNT. Obrigatório. De 100 a 500 palavras, em frases breves, sem parágrafos, sem citações, fórmulas ou equações, na terceira pessoa do singular, sem numerar tópicos, sem frases negativas.

7 - ÍNDICES (de tabelas, gráficos, datas, mapas, fotos...)

8 - SUMÁRIO: “Enumeração das principais partes, capítulos, divisões e subdivisões de um documento na mesma ordem da matéria nele sucedida. Não se confunde com índice (lista de assuntos, nomes de pessoas, geográficos, datas, acontecimentos, autores, tabelas, ilustrações, e outros) com indicação de sua localização no texto, recomendável para obras técnicas e científicas”. (ABNT-217). Vai depois do resumo.

8.2. PARTE TEXTUAL

1. INTRODUÇÃO: porta de entrada onde o autor apresenta o tema. Embora se apresente no começo do trabalho, a introdução é uma das últimas partes a serem escritas. A introdução vai antes do texto (na apresentação formal), porém, redige-se depois de ter redigido o texto.

A finalidade da Introdução é responder a 4 questões: O QUÊ (tema-problema), POR QUÊ (justificativa do tema e seu estudo), PARA QUÊ (objetivos) e COMO (metodologia).

Enuncia-se o tema e os trabalhos anteriores sobre ele (revisão da literatura), importância do estudo do tema, apresenta-se o problema, as hipóteses, os objetivos e a metodologia.

Não se adiantam soluções. Escreve-se no tempo futuro. Redige-se depois do texto e das conclusões, isto é, por último.

2. DESENVOLVIMENTO (texto)

É a fundamentação lógica do trabalho. ASTI VERA propõe três momentos no desenvolvimento da monografia: EXPLICAÇÃO (analisar para compreender), DISCUSSÃO (exame de teses opostas ou dos dados com a teoria para chegar a uma síntese) e DEMONSTRAÇÃO (justificação das conclusões ou premissas). Este autor afirma a pesquisa consistir num destes dois procedimentos: a) expor as causas e princípios para, em seguida, ir aos efeitos (dedução) ou b) ir dos efeitos para as causas, das conseqüências aos princípios justificadores e sustentadores (indução).

Geralmente, consta de três partes: MATERIAL E MÉTODOS: (Objeto estudado, método de abordagem ou de raciocínio e técnicas e instrumentos (objeto estudado, método de abordagem ou de raciocínio e técnicas e instrumentos ou métodos de procedimento), RESULTADOS (apresentação de casos, observações, dados obtidos, sem os comentar) e DISCUSSÃO DOS RESULTADOS (em função do confronto dos dados coletados com o quadro teórico). É a hora de fazer inferências, deduções, generalizações e sugestões, porém cautelosas.

A discussão dos dados é uma fase importantíssima, oferecendo chance de uma contribuição intelectual, a formulação de novas teorias.

3. CONCLUSÃO. O trabalho científico deve ter conclusões, ao menos pessoais. Apontam-se as principais descobertas e apresentam-se sugestões para posteriores pesquisas sobre o tema. A conclusão é uma síntese, isto é, breve resumo dos pontos principais do trabalho.

8.3. PARTE REFERENCIAL

1. ANEXOS E APÊNDICES. “Matéria suplementar juntada ao texto como esclarecimento ou documentação, embora não constitua parte essencial da obra” ABNT. Neles, o modelo de questionário, mapas, organogramas, plantas, gráficos, figuras, capazes de tirar a atenção do leitor se colocadas no corpo do trabalho, porém documentam e valorizam a tese do autor. Outro anexo importante no estudo de um autor ou de uma personalidade: cartas pessoais. Onde devem ir? Após a bibliografia ou entre o último capítulo e a bibliografia? Em qualquer dos dois lugares, pois não há normas rígidas quanto à sua colocação, ficando a critério do autor qualquer das duas alternativas.

2. BIBLIOGRAFIA

Também pode levar estes nomes; REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, Lista Bibliográfica, Bibliografia Utilizada, Obras Consultadas, Indicações Bibliográficas, Bibliografia Recomendada, Bibliografia Básica, Obras Citadas, Fontes Informativas ou Fontes de Informação.

Quando o autor consulta poucos livros, é preferível escrever REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

A bibliografia pode ser: 1) DIRETA (obras de determinado autor). 2) INDIRETA (escritos feitos por comentaristas da obra). 3) GERAL (livros consultados, mesmo sem relação com o tema). 4) ESPECIALIZADA (títulos afins ao tema). 5 BÁSICA (leituras indispensáveis feitas na íntegra pelo autor). 6) SECUNDÁRIA (livros consultados em parte).

Onde vai a Bibliografia?

A grande maioria dos autores a colocam no final do trabalho. Entretanto, poderá ser seguido apenas pelo índice e anexos. Entendemos dever ir após anexos e apêndices, para a elaboração dos quais é base.

A ABNT estabelece um padrão para fazer a Bibliografia.

Nela, Livros e Revistas, Artigos de Jornais, Comunicações pessoais, Textos Normativos e Legais, discos, fitas, vídeos, filmes, conferências, e outros.

9. REDAÇÃO E APRESENTAÇÃO DA MONOGRAFIA (Trabalho Científico).

Redigir é passar as idéias ao pape. Vivemos tempos agitados. Refletimos pouco. Copiamos modelos. Pesquisamos o evidente, o óbvio. Repetimos lugares comuns. Redigir um trabalho científico não é apenas costurar partes heterogêneas e desconexas, mas, comunicar ao leitor uma mensagem com objetividade, precisão e clareza. Antes de escrever um trabalho escolar ou uma tese de doutoramento, exige-se total assimilação do conteúdo, para dar uma versão própria do tema pesquisado. São poucos aqueles que podem dispensarem-se destes três momentos: redação provisória, revisão criteriosa e redação definitiva. A revisão é momento intermediário entre a redação provisória e a definitiva. Exige reflexão global, retoques, avaliações do manuscrito (correções, citações, notas, bibliografia e datilografia).

Antes de imprimir um trabalho, requer-se do autor uma ou mais revisões para tudo estar no seu lugar e de forma conveniente. Contudo, o escritor deverá cuidar de não retocar em demasia o texto, deformando-o a ponto de torná-lo rebuscado e hermético. O poeta latino QUINTILIANO escrevia: “A lima deve polir a obra, mas não desgastá-la”. Aconselha-se, após a redação provisória, deixar de lado o trabalho por uns dias, a fim de “desintoxicar-se”, para voltar a ele, lendo-o à meia voz, tendo ao lado uma boa gramática e um bom dicionário. Nem sempre os prazos permitem dilatar a entrega do trabalho, porém, nada dispensa a boa organização das partes, a apresentação elegante, a boa linguagem, a seqüência lógica, a transição harmoniosa entre as partes com subordinação, ordem, autonomia, proporcionalidade e simbolização correta das mesmas. HOMOGENEIDADE: cada parte, capítulo, divisão e subdivisão integra um todo harmônico. Cada uma delas deve referir-se ao título do trabalho. Todo trabalho deve ter homogeneidade material (conteúdo) e formal (apresentação). Se uma parte começa num estilo, deve continuar no mesmo estilo até o fim. SUBORDINAÇÃO: uma seção não pode ter extensão superior a da parte à qual pertence. SEQÜÊNCIAÇÃO: adotada uma seqüência lógica, cronológica, espacial, ou outra, deve ser mantida até o fim. AUTONOMIA: cada parte ocupar-se-á de um único aspecto do tema. PROPORCIONALIDADE: partes ou capítulos terão uma certa extensão, para não aparecer uma inchada e a outra raquítica, uma com três páginas e a outra com trinta. Haverá uma desproporção exagerada entre elas. SIMBOLIZAÇÃO: cada uma das partes, capítulos, subcapítulos, e outros, deve levar um símbolo a identificá-las. DIVISÕES MAIORES (partes, capítulos) iniciam página, a 5 cm. da borda superior da página, centralizadas, em maiúsculas, simbolizadas por I, II, III... ou PRIMEIRO (A), SEGUNDO(A) ...

Ex. CAPÍTULO I (ou PRIMEIRO). TÍTULO DO CAPÍTULO

DIVISÕES MENORES (divisões dos capítulos) iniciam-se na margem esquerda, separadas do texto anterior e posterior por espaço triplo, em maiúsculas, simbolizadas com números arábicos: 1, 2, 3, ... sem ponto após os números.

SUBDIVISÕES iniciam-se no parágrafo, separadas do texto anterior e posterior por espaço triplo, em minúsculas, menos a letra inicial, sublinhadas ou em itálico, simbolizadas com números arábicos: 1.1 1.2 1.3 ou 2.1 2.2 2.3 ..., sem ponto ou traço após o símbolo, nem ponto final.

SUBDIVISÕES iniciam-se no parágrafo, separadas do texto anterior e posterior por três espaços de linha, em minúsculas menos a inicial ou as palavras, necessitando ser sublinhadas ou em itálico, simbolizadas: 1.1.1 1.2.1 1.3.1., sem ponto nem traço após o título, sem ponto final. Se forem necessárias ulteriores subsubsubdivisões, usar-se-ão 1.1.1.1 3.1.1.1 4.2.1.1 ... ou letras: a, b, c, ...

RECOMENDAÇÕES PARA DATILOGRAFAR O TRABALHO

1. PAPEL. Usar papel branco, tamanho ofício, sem pautar. Papel pautado, colorido ou irregular só se permite nos anexos e apêndices. O tamanho do papel: ofício 21,5 x 31,5 ou A4 21,0 x 29,7.

2. TINTA. Preta. Nunca vermelha.

3. ESCRITA. Escrever num só lado da folha.

4. REPRODUÇÃO. Offset, datilografado, fotocópia, computador.

5. VIAS. As solicitadas pela Instituição, guardar uma.

6. MARGENS. Superior: 5 cm no início de parte ou capítulo, e 3 cm em página normal. Direita e inferior: 2,5 cm. Esquerda: 4 cm.

7. PARÁGRAFOS. Iniciam na 8a ou 10a batida de máquina a contar da margem esquerda.

8. ESPAÇOS ENTRE LINHAS. Em texto corrido, espaço 2 (duplo no computador). Entre parágrafos, espaço três (múltiplos 3, no computador). Em citações longas, notas de rodapé e na bibliografia (na mesma obra), espaço um (simples, no computador) Entre obra e obra na bibliografia, espaço dois (duplo, no computador).

9. PAGINAÇÃO. Há vários modos de paginar. O mais comum é colocar os números na parte superior direita a 2 cm. da margem direita e 2 cm sobre a primeira linha do texto. No início de parte ou capítulo não se pagina, mas conta-se. Para solucionar este problema, neste último caso, pagina-se no centro inferior. Outros sistemas são: a) na parte inferior direita, b) no centro inferior (como fazem os computadores).

10. INICIAM PÁGINA partes e capítulos. Mesmo o capítulo anterior terminando com duas ou três linhas, retira-se a folha da máquina e inicia-se em página nova a parte ou capítulo seguinte.

11. SUBLINHAR. Só se aceita em palavras latinas e no título do livro na Bibliografia Final.

12. TABELAS E FIGURAS. tabela 10 - Extensão dos Estados Brasileiros em Km2.

Se na tabela ou figura for necessário algum esclarecimento, ou explicação, não se usam números, mas outros símbolos: *, + e outros, para não confundir um dado numérico com um número remissivo ao final da tabela ou figura. No pé da tabela deve ser colocada a fonte dos dados, se informação secundária.

13. CITAÇÕES. As espécies de citações: literais, conceituais e mistas. As textuais, se curtas, incluem-se no texto, entre aspas: “..........” CAMPOS (1990) ou CAMPOS (1980, p. 30) ou CAMPOS (1980:30). Se as citações forem longas (+ de 5 linhas), colocam-se em parágrafo próprio com duas sobre-margens (à esq. e à dir.), em espaço um (simples, no computador) entre linha e linha da citação. Atualmente, devido a economia na informática, o sistema é o seguinte: “.....” (7: p. 50 ou 7:50), querendo dizer: livro 7 da Bibliografia Final, na sua página 50. Usando este sistema, esclarecer ao leitor, na Introdução, a utilização posta no modo de fazer as referências. O sistema clássico é colocar, após a citação, um número progressivo: 1 (na primeira nota), 2 (na segunda nota), ao término da citação. Esse número remete ao pé-de-página, ou final do capítulo ou do capítulo final. Referências Bibliográficas.

14. CITAÇÕES DE CITAÇÕES (ou indiretas) o caso do autor encontrar um autor citado por outro. Por exemplo: BAPTISTA cita EINSTEIN; eu não tenho o livro de EINSTEIN; mas quero citá-lo. A isto chama-se “citação indireta” ou citação de citação. Será feita assim: ‘EINSTEIN, citado por (apud, mencionado por, em, e outros) BAPTISTA (1990:40).

15. ELIPSE. Quando, ao citar um autor, se considera desnecessário parte do parágrafo ou do texto, omitem-se palavras ou parágrafos. Para indicar essa omissão, usa-se a elipse (...) ou ... Se acontecer no início do parágrafo: “(...) ...” Se no meio: “... (...)”. Se no fim ...”.

16. ANEXOS E APÊNDICES. Podem ir no final, após a Bibliografia ou imediatamente antes da Bibliografia. Entendemos ser este o melhor modo, pois a Bibliografia serviu de base para sua elaboração consequentemente, devem ir após a mesma.

10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS - TÍTULO II

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - Normas ABNT sobre documentação V. 1 - Rio de Janeiro, 1996

ASTI VERA, A. - Metodologia da pesquisa científica - 7ª ed. Porto Alegre: Globo, 1983.

BAPTISTA, M. V. Planejamento; introdução metodologia do planejamento social - 3ª ed. São Paulo: Cortez; Moraes, 1979.

BASCUÑÁN VALDÉS, A. - Manual de técnica de la investigacion jurídica. Santiago do Chile. Ed. Jurídica de Chile, 1971.

COPI, I. M. - Introdução a Lógica - 2ª ed. São Paulo: Mestre Jou, 1979.

FERRARI, A. T.- Metodologia da pesquisa científica - São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1982.

FRANCO, P. O.; SANCHES, D. F. L. - Manual de técnicas de investigación documental. - 16ª ed. México: Esfinge, 1973.

KOCHE, J. C. - Fundamentos da metodologia científica - 7ª ed. Caxias do Sul: EDUCS/EST. VOZES, 1982.

LAKATOS, E. M.; MARCONI; M. A. - Metodologia do trabalho científico - São Paulo: Atlas, 1983.

PARDINAS, F. - Metodología y técnicas de investigación en ciencias sociales - 29ª ed. México: Siglo XXI, 1986.

RUDIO, F. V. - Introdução ao projeto de pesquisa científica. - 3ª ed. Petrópolis: Vozes, 1980.

RUIZ, J. A. - Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. - São Paulo: Atlas, 1980.

SALOMON, D. V. - Como fazer sua monografia - 3ª ed. Belo Horizonte: Interlivros, 1973.

SOSA, J. M. - Método científico - México: SINRESA, 1991.

TABORGA, H. - Como hacer una tesis - 8ª ed. México: Grijalbo, 1982.

Exemplo de citação de artigo com autor numa REVISTA.

VARGAS, F. F. - Zoonoses parasitárias - REVISTA BRASILEIRA DE SAÚDE PÚBLICA. Rio de Janeiro: Alfa, 4 (23): 90-5, jan/jun, 1990.


TÍTULO III-


A PESQUISA DE CAMPO NA ÁREA DA SAÚDE

SUMÁRIO - TÍTULO III
1. INTRODUÇÃO
2. A LÓGICA E OS SEUS OBJETIVOS.
3. A PESQUISA DE CAMPO SEM FUNDAMENTAÇÃO LÓGICA É TAREFA IMPOSSÍVEL
4. ALGUMAS DICAS PARA UMA PESQUISA DE CAMPO.
5. ESCOLHA DO TEMA DA PESQUISA
6. FACILITANDO A PESQUISA DE CAMPO
7. OS TÍTULOS SEGUINTES

1. INTRODUÇÃO - TÍTULO III


A pesquisa, tanto na área da saúde pública como da administração hospitalar no Brasil é difícil por fatores como:

2. Falta de confiabilidade dos dados estatísticos -Não existe uma conscientização quanto a necessidade de qualquer programa de saúde ter um diagnóstico fundamentado em dados estatísticos. A Epidemiologia engloba um campo em relação simbiótica com a Estatística. Epidemiologia sem Estatística é uma falácia injustificada. Os dados estatísticos, constituem um emaranhado confuso e não resistem a um exercício de cálculo pela mais simples calculadora manual. Quando divulgados por órgãos oficiais diferentes, mesmo com espaço amostral, período abrangido, objetivos e tabelas idênticas, os resultados são contraditórios em quase 100% dos documentos.

3. Burocracia excessiva -A organização perde o seu sentido quando não está atrelada à burocracia. Contudo, burocracia excessiva transforma-se em “burrocracia”.

4. Terminologia - Confunde-se termos como efetividade, eficácia, eficiência, leito-dia, paciente-dia, porcentagem da ocupação, média de permanência e outros, gerando confusões na interpretação dos relatórios. A divulgação de termos e conceitos padronizados pela doutrina é uma necessidade.

5. Complexidade dos fatores em jogo - A feitura de um Diagnóstico de Saúde de Área, cujo modelo apresentamos no Título I desta obra, indispensável para a elaboração de um programa de natureza sanitária, parece uma aventura. Os órgãos oficiais não dispõem de um banco de dados ou, quando o possuem, apresentam problemas de confiabilidade, em decorrência de maquiagens, de interesse imediato ou conflitos no choque de fisiologistas políticos.

Em obra anterior, (Política e Sistemas de Saúde, Editora Jotacê, São Paulo, 1993) apresentamos aos leitores um perfil da epidemia de cólera no Amazonas criada por decreto pelo Governador Gilberto Mestrinho e por ele extinta, e sua migração por quase todo o País, sem, até o momento, dados confiáveis justificarem sua real morbidade, mortalidade e extensão.

Os organismos públicos divulgam dados ao sabor de interesses emergentes. As organizações privadas, sob o manto do velho jargão: o “Segredo é a alma do negócio”, também jogam com os números de acordo com a problemática político-administrativa vigente. Dificilmente, um Diagnóstico de Saúde de Área reflete a realidade sócio-cultural e econômica do local onde foi elaborado. Com a nova política do Governo Federal de subvencionar os municípios pelo número de habitantes, as taxas de natalidade certamente dispararão.

6. Despreparo de ocupantes de cargos públicos - O mérito, único processo válido para uma escolha adequada dos ocupantes dos cargos públicos, ainda não encontrou guarida no país tupiniquim. Entra governo, sai governo, e tudo continua como está. Qualquer vislumbre de insegurança na problemática da maioria nos legislativos, condição imprescindível para o cumprimento de um Programa de Governo (sempre um segredo de Estado para a população, guardado a sete chaves na própria cabeça do executivo) origina um rápido processo de loteamento dos cargos públicos dos vários escalões, estribado em critérios variados, com exceção da avaliação do mérito dos pretendentes. Ocupações técnicas, são desenvolvidas por pessoas mais comprometidas com o maquiavelismo político.

O resultado é sempre o mesmo, previsto pelo Él Rei D. Manuel, o Venturoso: paternalismo, nepotismo e corrupção, tríade instalada pela esquadra de Cabral (leia-se a carta de D. Pero Vaz de Caminha).

7. Falta do espírito de pesquisa - Uma pesquisa, é constituída por objetivos específicos, tratamento lingüístico adequado: premissas e argumentos coerentemente formulados e raciocínios de lógica condizentes com as propostas e resultados obtidos. Assim, a pessoa ao propor um trabalho de pesquisa deve estar imbuída do espírito acima. Como a formação acadêmica não implanta nos estudantes a consciência da seriedade da pesquisa, quando se fala no assunto, gera-se um susto, não mais nos estudantes e sim nos portadores de diploma universitário. Embora com vivência restrita ao campo da Administração Sanitária, nada nos impede extrapolar este juízo às demais áreas, principalmente, as de ciências humanas.

Em saúde, o único tipo de pesquisa válido, no estágio atual é o de campo, pois, é voz corrente nos doutrinadores: saúde pública é um trabalho tipicamente de massa. A comunidade brasileira apresenta como dificuldade básica para a implementação de qualquer programa sanitário, a falta de divulgação em linguagem adequada do pretendido, por falta de pesquisa.

A saúde é um processo dinâmico, instável, num contexto de inúmeros fatores. Como a relação saúde-educação deve ser considerada simbiótica, nenhum programa sanitário poderá ser executado de modo efetivo, eficaz e eficiente, senão quando alicerçado em enfoque educativo dinâmico e adequado.

Desde o início da década de 90, o governo cearense vem dando mostras claras desta interdependência ao desenvolver e implementar programas educativos bastante simples, a partir da figura do Agente de Saúde e com o objetivo específico de conscientizar a população quanto à aplicação de simples medidas de higiene pessoal (ferver a água para o consumo humano, lavar as mãos antes das refeições e outros) e conseguindo reduções nos índices de mortalidade infantil, morbidade e mortalidade decorrentes de doenças de veiculação hídrica. Tais medidas não causaram impacto negativo no erário público.

Pesquisa de campo é um trabalho onde se usa a inteligência criativa. A confusão se inicia no conceito de inteligência. Muito embora, não seja consenso no âmbito dos doutrinadores, entendemos como inteligência um contexto formado por raciocínio, intuição, memória e vontade, a serem dosados pela pessoa, de acordo com o objetivo específico, para onde direcionou o seu argumento. Qualquer pessoa de nível superior, é capaz de atos inteligentes. Não questionamos os testes de QI tão divulgados pelos psicólogos e estudiosos em geral, simplesmente, não os consideramos de valor tão relevante para a feitura de uma pesquisa de campo adequada.

Temos visto no convívio acadêmico uma dificuldade de formulação de um juízo coerente com vistas a avaliação do grau de inteligência, mediante variáveis e valores puramente pessoais, e até contraditórios. Mesmo os mais conhecidos testes de avaliação de níveis de inteligência, além de não serem aceitos pela unanimidade dos doutrinadores, não podem ser considerados como 100% perfeitos. Além disso, aprendemos, na prática vivencial: o fator comunicação e seus efeitos têm grande influência quando traçamos o perfil de alguém, ao tentar classificar o seu nível de inteligência.

Como a pesquisa resulta de um enunciado, subordinado a um conjunto de premissas organizadas segundo um ordenamento lingüístico, o uso adequado das orações e do vocabulário poderá influenciar de modo decisivo na sua aceitação.

Contudo, quando se trata de uma pesquisa de campo, os argumentos apresentados devem estar fundamentados em dados estatísticos, onde se incluem o espaço amostral, as variáveis selecionadas, as tabelas pertinentes aos dados levantados, o tratamento adequado dos dados, uma discussão do conteúdo das tabelas e gráficos, resumidos numa conclusão coerente com os objetivos específicos da pesquisa.

Se pretendermos desenvolver uma pesquisa de campo sobre a perda precoce dos molares, o instrumento e o raciocínio devem ser veiculados ao tema: perda precoce dos molares. Analisando mais de 10.000 trabalhos de pesquisa feitos por nossos alunos em cursos de especialização, observamos: a grande maioria se perde com elucubrações, as mais variadas, não condizentes com os objetivos específicos da pesquisa. Ao limitar a abrangência da pesquisa ao seu objetivo específico, o autor ampliará os níveis de eficácia do trabalho.


2. A LÓGICA E OS SEUS OBJETIVOS TÍTULO III


Temos o costume de, muitas vezes, considerar a lógica como um ramo da Filosofia, porém suas aplicações ultrapassam o limite de qualquer disciplina considerada de forma isolada. Os padrões críticos da lógica podem ser aplicados em qualquer campo onde a inferência e o argumento sejam importantes e as conclusões devam estar apoiadas em evidências. A lógica pode ser estudada como um meio para alcançar algum objetivo intelectual definido.

A análise lógica elabora técnicas objetivando a análise de argumentos.

Quando raciocinamos, fazemos inferências. Estas podem, dependendo do objeto específico do raciocínio, originar argumentos.

A lógica trata de argumentos e inferências e tem como objetivo apresentar métodos capazes de identificar os argumentos logicamente válidos, distinguindo-os daqueles não logicamente válidos. O leitor não deve esquecer: a lógica não pode prescindir do argumento. Sem argumento, não há lógica possível.

Outro aspecto importante a considerar é a evidência do fato a exigir um argumento.

É possível um argumento sem evidência? Sim. Quando nos dispomos a aceitar, sem comentários, uma afirmação qualquer.

Como a mortalidade infantil é alta no Brasil, uma afirmação corriqueira se inclui no noticiário jornalístico cotidiano. Cabe a quem a escuta decidir pela sua aceitação ou recusa. Aceitando-a, tudo bem. Recusando-a, passa a exigir uma justificativa. Aí entram as evidências.

O autor do enunciado acima, se obrigará a convencer o interlocutor, sempre na dependência de um argumento. Entre as possíveis causas da mortalidade infantil, inclui-se a desnutrição e isto parece consenso. Para justificar a afirmação, a inclusão de uma premissa relativa a desnutrição como fonte do problema significará uma evidência.

Os programas sanitários, no Brasil, têm se caracterizado por: falta de planejamento, alocação inadequada dos recursos, má qualidade dos recursos humanos e ausência total de informações confiáveis.

Passemos a alguns conceitos muito utilizados no raciocínio lógico, de modo a familiarizar o leitor com uma terminologia tradicionalmente consagrada e útil, quando se administra grupos de pessoas, com a mesma capacidade de inteligência e igual acesso ao acervo cultural.

A lógica se fundamenta na elaboração de técnicas para a análise de argumentos, procurando examinar as relações de uma conclusão com a evidência a lhe servir de apoio.

Quando raciocinamos fazemos inferências. Estas podem se transformar em argumentos e as técnicas da lógica serão aplicadas aos argumentos daí resultantes.

Os objetivos da lógica são vinculados ao exame de argumentos e inferências e a uma metodologia identificadora dos argumentos logicamente válidos, diferenciando-os dos não logicamente válidos.

Não havendo evidência não existirá argumento.

Podemos aceitar enunciados ou afirmações, sem o respaldo de qualquer evidência. Se a afirmação não nos satisfizer, a evidência se tornará necessária. Uma vez apresentada a evidência, a asserção com apoio é transformada em conclusão: há um argumento e a lógica poderá ser aplicada.

O argumento é utilizado com o objetivo de convencer.

A lógica não está interessada no poder de persuasão dos argumentos. Ela procura estudar o tipo de relação existente entre a evidência e a conclusão.

O argumento é um conjunto de enunciados relacionados uns com os outros. Consiste num enunciado considerado conclusão e num ou mais enunciados de evidência corroboradora.

Aos enunciados de evidência chamamos "premissas". Estas, num argumento, devem apresentar evidências corroboradoras da conclusão.

A evidência nas premissas exige dois elementos:

a) as premissas devem ser enunciadas de fato; e

b) os fatos devem servir de evidência para a conclusão.

As premissas podem ser falsas. Neste caso, os fatos alegados não são fatos, não existe a evidência. As premissas podem ser verdadeiras e não estar relacionadas de forma adequada com a conclusão.

Diante de um argumento para justificar sua conclusão sobressaltam duas questões:

a) as premissas são verdadeiras?

b) as premissas estão relacionadas com a conclusão?

Para a lógica só interessa a (b).

A lógica trata da relação entre premissas e conclusão, não se importando com a verdade das premissas.

Argumentos logicamente incorretos são chamados falácias.

Um argumento logicamente incorreto pode ter premissas verdadeiras e conclusões verdadeiras:

Premissa 1 - todos os mamíferos são mortais

Premissa 2 - todos os gatos são mortais

Conclusão - Todos os gatos são mamíferos.
As premissas 1 e 2 e a conclusão são verdadeiras, mas o argumento não é logicamente correto, tratando-se de uma falácia.

Em síntese, os argumentos prestam-se para revelar as conclusões a partir de premissas dadas, verdadeiras ou falsas.

O leitor deverá efetuar exercícios de treinamento e procurar separar as premissas da conclusão, colocando-as em primeiro lugar:

1) todos os animais que mamam são mamíferos

2) os gatos mamam

logo - os gatos são mamíferos.

Neste caso, temos um argumento logicamente correto e apresentando primeiro as premissas. As conjunções subordinativas conclusivas: logo, portanto, indicam a colocação da premissa no argumento.

Uma análise lógica pede a presença de três fases:

1 - os argumentos precisam ser reconhecidos como tal, em particular, enunciados sem apoio devem ser distinguidos de conclusões de argumentos;

2 - é preciso identificar as premissas e a conclusão de um argumento;

3 - quando um argumento for incompleto, torna-se necessário identificar as premissas omitidas.

Argumentos e inferências mantém um estreito paralelismo. Porém, enquanto um argumento é uma entidade lingüística, uma sentença; uma inferência é uma opinião, uma crença ou coisa parecida.


1. Evidência

Alguém encontra um chapéu de grande volume e infere ser seu proprietário um intelectual. Para justificar a sua afirmação formula o argumento abaixo:

1. há um chapéu grande

2. alguém é o proprietário deste chapéu

3. proprietários de grandes chapéus têm cabeça grande

4. pessoas de cabeça grande têm cérebro grande

5. pessoas de cérebro grande são intelectuais

logo, o proprietário deste chapéu é intelectual. (conclusão)

O argumento acima é legítimo, mas, contém uma premissa falsa: pessoas de cérebro grande são intelectuais. Esta premissa serve de evidência para a validade do argumento. Para a lógica não interessa a veracidade da premissa e sim se serve de evidência para o argumento. A correção ou incorreção lógica é inteiramente independente da verdade das premissas.

Na pesquisa de campo deve-se cuidar para as premissas e a conclusão serem, além de coerentes, verdadeiras.

2. Inferência

A pessoa ao encontrar o chapéu, não viu a intelectualidade de seu proprietário. Viu um chapéu grande e inferiu ser seu proprietário um intelectual. Relacionar o tamanho do cérebro com o grau de intelectualidade, foi uma inferência simbiótica com uma evidência.

A evidência e a inferência devidamente ordenadas levam a formulação do argumento, base da lógica.

Tanto os argumentos como as inferências abrangem evidência e conclusão de alguma maneira relacionadas.

Inferir é uma atividade psicológica; consiste em obter uma conclusão a partir da evidência, em chegar a certas crenças e opiniões à custa de outras.

Quando a inferência é enunciada, transforma-se em argumento.

3. Descoberta e justificação

Ao fazermos um enunciado, deveremos ter em mente duas questões importantes: Como foi concebido? Existem razões para torná-lo verdadeiro? Não se pode confundi-las. A primeira relaciona-se com a descoberta e a segunda com a justificação.

É necessário distinguir o contexto da descoberta do contexto da justificação. A descoberta é um processo psicológico, leva a concepção, defesa e aceitação de um enunciado, enquanto a justificação consiste na conclusão apontada e na evidência corroboradora, devidamente relacionadas.

A distinção entre as duas pode ser exemplificada: "o matemático hindu Ramanujan assegurava: a deusa de Namakal o visitava em seus sonhos, dando-lhe fórmulas matemáticas". Não há como se duvidar de Ramanujan, contudo, estes sonhos nada têm a ver com a verdade das fórmulas.

A justificação relaciona-se com as demonstrações - argumentos matemáticos - em alguns casos, obtidas pelo matemático, em estado de vigília.

Cumpre ao leitor atentar para o fato de a justificação só poder ser resolvida mediante observações, experimentos e argumentos, na evidência capaz de corroborar o enunciado e não nos fatores psicológicos.

A justificação tem dois aspectos fundamentais: a verdade das premissas e a correção lógica do argumento.

Não podemos esquecer: estes dois aspectos são independentes. A justificação de um argumento depende de uma série de fatores tais como: espírito de curiosidade, nível de inteligência, imaginação fértil, poder de percepção, massa de informações acumuladas, sagacidade e amplo domínio da lingüística.

Não existem regras para inferir.

A lógica não nos ensina como inferir e sim a aceitabilidade da inferência aceitável. Procede ilogicamente a pessoa ao aceitar inferências incorretas.

A lógica se interessa pela justificação, não pela descoberta.

Argumentos dedutivos e indutivos.

a) Dedutivo: todo mamífero tem um coração.

todos os bois são mamíferos.

todos os bois têm um coração.

b) Indutivo: Todos os bois observados têm coração.

todos os bois têm coração.

Diferenças:

Dedutivos: Se todas as premissas forem verdadeiras, a conclusão deve ser verdadeira.

Indutivos: Se todas as premissas forem verdadeiras, a conclusão é provavelmente verdadeira, mas, não necessariamente verdadeira.

Os argumentos dedutivos e indutivos atendem a finalidades diversas. O dedutivo se destina a deixar explícito o conteúdo das premissas; o indutivo a ampliar o alcance dos nossos conhecimentos. Um argumento dedutivo ou é inteiramente conclusivo ou inteiramente não conclusivo: Não há gradações intermediárias.

Quando um argumento dedutivo é logicamente correto, as premissas sustentam de modo completo a conclusão, ou seja, a conclusão não pode ser falsa se as premissas forem verdadeiras. Se o argumento dedutivo for incorreto, as premissas não sustentam a conclusão.

Os indutivos, admitem graus de força, dependendo de quanto as premissas podem sustentar a conclusão.

Resumindo: os argumentos indutivos aumentam o conteúdo das premissas, sacrificando a necessidade, enquanto os argumentos dedutivos atingem a necessidade, sacrificando a ampliação do conteúdo.

Em pesquisa de campo, a relação entre a generalização científica e a evidência observacional sustentadora é do tipo indutivo, enquanto os argumentos matemáticos são dedutivos: na Geometria os teoremas são demonstrados a partir de axiomas e postulados. O método de demonstração é deduzir os teoremas (conclusões) dos axiomas e postulados (premissas). O método dedutivo garante teoremas verdadeiros se forem verdadeiros os axiomas e postulados.

A dedução em particular, é bem delimitada: o conteúdo da conclusão de um argumento dedutivo correto está nas premissas, não podendo um argumento dedutivo, ser logicamente correto se a sua conclusão tiver conteúdo excedendo o das premissas.

É muito comum ouvirmos uma célebre citação de René Descartes (o pai da Física Moderna) em sua memorável obra "Meditações" - “Penso, logo existo.” Esta dedução não poderia ser logicamente correta, pois, o conteúdo das conclusões excede, em muito, o da premissa.

Quando formulamos um juízo de valor, incorremos em erro ao tentar deduzi-lo de um juízo de fato: substitui-se com freqüência o é e o não é por deve e não deve expressões de relações novas a serem observadas e explicadas.

Um argumento indutivo pode ser transformado em dedutivo mediante acréscimo de uma ou mais premissas. Ainda se pode imaginar um argumento indutivo como um argumento dedutivo incompleto.

Neste caso, surge um perigo: as premissas introduzidas podem ser duvidosas, invalidando o argumento.

É necessário estabelecermos a diferença entre validade e verdade. A lógica se preocupa com a correção dos argumentos e não com a verdade ou falsidade das premissas e conclusões.

Os argumentos dedutivos corretos são chamados válidos, pois dependem da relação entre as premissas e a conclusão.

Um argumento dedutivo é válido porque as premissas estão relacionadas com a conclusão, e a conclusão precisa ser verdadeira quando as premissas são verdadeiras.

Validade é uma propriedade de enunciados isoladamente considerados.

Verdade é uma propriedade de enunciados isolados, não de argumentos.

Argumentos dedutivos incorretos são também chamados "não válidos" e são considerados como tal se existe a possibilidade de suas premissas serem verdadeiras e sua conclusão falsa.

Nos argumentos dedutivos válidos podem ser analisadas as três combinações abaixo:

1. Premissas verdadeiras e uma conclusão verdadeira:


a) todos os diamantes são duros

b) alguns diamantes são jóias

c) algumas jóias são duras.

2. Algumas ou todas premissas falsas e uma conclusão falsa:

a) todos os gatos têm asas

b) todos os pássaros são gatos

c) todos os pássaros têm asas.

O leitor deve atentar para o fato de, tanto os argumentos como as inferências abrangerem evidência e conclusão de algum modo relacionadas. A grande diferença está no fato de um argumento ser uma entidade lingüística, uma inferência não. Mesmo porque, a conclusão de um argumento é uma sentença, enquanto a conclusão de uma inferência é uma opinião, uma crença ou coisa parecida.

Uma crença ou opinião sustentada por certas evidências seria, então, a conclusão de uma inferência.

Cabe também ao leitor, entender: inferir é uma atividade psicológica, consiste em obter uma conclusão a partir da evidência, em chegar a certas crenças e opiniões à custa de outras.

O Administrador de Saúde, pela própria evolução da administração tem como obrigação um envolvimento na política comunitária devendo estar disponível para o dialogo, as discussões grupais, os reclamos comunitários: Associações, Sindicatos, Sociedades, Agremiações e outros, e não pode fugir de um contexto onde a necessidade da argumentação lógica e coerente merecerá um lugar de destaque.

Quando se realiza uma pesquisa de campo deve-se estar preocupado com as duas questões abaixo:

1. As premissas são verdadeiras?

2. As premissas estão relacionadas, com a conclusão?

No caso de uma das perguntas acima receber resposta negativa, não se pode justificar adequadamente, sendo indispensável misturar as duas indagações. Para a lógica, só interessa a segunda. Todavia, existem enunciados cuja verdade ou falsidade pode ser determinada empregando-se exclusivamente os métodos lógicos.

Sob o ponto de vista de análise lógica, deve-se distinguir enunciados logicamente verdadeiros dos fatualmente verdadeiros, e os logicamente falsos dos fatualmente falsos.

Por exemplo:

a) todos os solteiros são não casados

b) alguns solteiros são casados

c) alguns solteiros não possuem carros

d) todos os solteiros são cegos

a. Trata-se de um enunciado analítico decorrente das definições dadas às palavras pois, por definição: solteiro é um homem adulto não casado, a palavra "solteiro" não pode ser aplicada a uma pessoa não casada.

O enunciado b. é semelhante ao a., porém, as palavras o tornam falso. Este tipo de enunciado é chamado contraditório, autocontraditório ou contradições. O enunciado contraditório é falso em decorrência das definições dadas às palavras. Em resumo, enunciados analíticos e contraditórios são respectivamente, as verdades lógicas e as falsidades lógicas.

Os enunciados c. e d. não têm sua verdade ou falsidade fixada somente pelos significados das palavras envolvidas. Chamam-se enunciados sintéticos. Os significados das palavras presentes devem ser conhecidos antes de se cogitar da verdade e da falsidade de enunciados sintéticos; tais significados podem ser conhecidos pela linguagem para determinar verdade ou falsidade.

O enunciado c. é verdadeiro, porém, nada existe na palavra solteiro ligando o fato de alguns solteiros não possuírem carros. Trata-se de uma questão de fato, acima e além do significado da palavra, isso de alguns solteiros não possuírem carros. De forma semelhante, o enunciado d. é uma sentença falaciosa, sem a falsidade ser conseqüência de definições de palavras. O único modo de constatar: c. é verdadeiro e d. falso é examinar os solteiros.

Enunciados sintéticos não são verdades ou falsidades lógicas; são enunciados fatuais.

Os enunciados analíticos podem ter a sua verdade afirmada sem recorrer a nada além de significados, porque não contêm informações acerca de questões de fato, pertencentes a uma esfera extralingüística. Qualquer informação contida num enunciado analítico é lingüística e não informa acerca dos fatos referidos pela linguagem. Isto não significa os enunciados analíticos se referirem explicitamente à linguagem, pois, esses enunciados exprimem relações entre definições convencionadas, podendo ser verdadeiras ou falsas.

As convenções têm conseqüências e os enunciados analíticos são conseqüências de nossas definições.

De modo genérico, a informação fatual de um enunciado depende do número de possibilidades eliminadas pela sua verdade. Quanto maior for a informação contida no enunciado, menor será o número de possibilidades permitidas. Como um enunciado analítico é necessariamente verdadeiro, o será independente das circunstâncias reais verificadas. Como não pode ser falso, o enunciado analítico não contém informações.

A evidência observacional não tem qualquer importância para a verdade dos enunciados analíticos, sendo inútil tentar refutá-los por intermédio dos dados observados. Por exemplo: quase todas (?) as verdades matemáticas são analíticas. Considerando-se o enunciado "três mais três igual a seis": a verdade deste enunciado seria estabelecida mediante referência às palavras três, seis, mais e igual. As crianças aprendem a somar contando dedos, blocos, pedrinhas ou outros objetos.

Se misturarmos dois terços de óleo com dois terços de água, não chegaremos a seis sextos da solução. Se a evidência observacional fosse relevante, seríamos obrigados a concluir: três mais três, às vezes, é seis e, às vezes, não é. O fato de a solução resultante ocupar menos espaço com relação aos seis quartos do recipiente é interessante do ponto de vista de Física, mas, em nada afeta as verdades matemáticas.

É preciso não esquecer: como os enunciados analíticos são necessariamente verdadeiros, e não têm conteúdo formal, não permitem nenhuma conclusão de caráter sintético, pois, a conclusão de um argumento válido, dedutivo, não encerra além daquilo expresso nas premissas.

Quando dizemos "deve acontecer, acontecerá", e tomando esta premissa ao pé da letra, será uma premissa analítica. Dela conclui-se freqüentemente: o futuro está completamente determinado e as escolhas e ações humanas são incapazes de afetá-lo. O argumento não será válido: sua não validade é decorrente do fato de se chegar a uma conclusão sintética tomando como premissa um enunciado analítico.

Outras vezes, ouvimos "negócio é negócio". Como se trata de premissa analítica, não pode sustentar a conclusão (muito longe de analítica) de a desonestidade e a irresponsabilidade serem permissíveis no comércio. Se a premissa pretender dar algum apoio à conclusão deverá significar "os negócios não são, nem podem ser, governados por padrões éticos" ou algo semelhante.

Como o significado sintético da premissa pode torná-la suspeita, é sempre vantagem enunciá-la como se fosse de caráter analítico dando-lhe um aspecto indubitável. Freqüentemente dizemos: "as pessoas não fazem nada sem egoísmo". Esta premissa não tem caráter analítico. Porém, se tentarmos analisá-la veremos a não existência da evidência fatual capaz de refutá-la.

Ao dizermos: santos e mártires se sacrificaram em prol dos outros, respondem-nos: assim agiram porque quiseram, em verdade, agiram egoisticamente. É logicamente impossível agir motivado por um propósito inexistente. Assim, a premissa é, de fato, analítica, e o argumento, em conseqüência, não pode ser válido.

Os enunciados podem ser contrários e contraditórios.

Contraditórios podem estar de tal modo relacionados com a verdade de um deles implicando a falsidade do outro e a falsidade de um acarretar a verdade do outro.

É possível não sabermos qual dos dois é verdadeiro e qual é o falso, porém, podemos ter a certeza de um ser verdadeiro e o outro falso. A relação entre dois enunciados desta natureza permite chamá-los de contraditórios.

Por exemplo:

a. todos os homens são bípedes. Alguns homens não são bípedes

b. todos os gatos são quadrúpedes. Alguns gatos não são quadrúpedes.

Se enunciarmos: "todos os cavalos são mamíferos: alguns cavalos não são mamíferos", estaremos incorrendo em contradição: "Lei da Contradição". Qualquer enunciado da forma "p ou não p" é analítico e, portanto, necessariamente verdadeiro, esta é a chamada "Lei do terceiro excluído". Em síntese, duas leis afirmam o fato de um enunciado qualquer ou é verdadeiro ou falso, não sendo simultaneamente, verdadeiro e falso.

Dois enunciados podem estar de tal modo relacionados a tornar impossível a verdade de ambos, embora possibilitem a falsidade simultânea. São os enunciados contrários e sua relação constitui uma contrariedade. Assim: está frio aqui, está quente aqui.

Estes enunciados podem ser falsos, mas jamais serão verdadeiros, pois num dado momento e num determinado local é impossível fazer frio e calor simultaneamente, embora seja possível uma temperatura moderada.

Ainda há um aspecto muito discutido, quando estamos vivendo a era da contestação. Contesta-se tudo, até mesmo impondo-se argumentos falaciosos e também ilógicos.

É o caso da vontade livre. A vontade livre pressupõe um dilema com relação ao livre arbítrio. Alguns doutrinadores alegam ser o livre arbítrio incompatível com o determinismo e o indeterminismo. Outros entendem a possibilidade de haver uma terceira alternativa.

Como se conceituaria determinismo? A sustentação de tudo está causalmente determinado enquanto o indeterminismo defende a tese da existência de algo não causalmente determinado.

A terceira teoria poderia ser denominada de caotismo pois sustenta nada estar causalmente determinado. Também não é difícil notarmos: o determinismo e o indeterminismo, sendo doutrinas contraditórias, permitem a afirmação de ser uma delas verdadeira.

Ora, o determinismo e o caoticismo são doutrinas contrárias e seriam falsas no caso de existirem algumas coisas causalmente determinadas e outras não causalmente determinadas. Se o dilema do livre arbítrio utilizasse a premissa "ou o determinismo ou o caoticismo" caberia a hipótese de uma alternativa diversa. Na prática, a premissa utilizada é esta: "ou o determinismo ou o indeterminismo", premissa tipicamente analítica. No caso, trata-se de um exemplo da "Lei do terceiro excluído".

Ainda devemos ressalvar a tendência de pensar em "termos de extremos", considerando tudo ser bom ou tudo mau. Os extremistas não admitem seu país não errar e os outros não acertarão, salvo se cooperarem para atingir ideais recíprocos. Os petistas, em geral, sustentam ser seu partido político o dono da razão em todas as questões, enquanto a oposição está sempre enganada.

Pensar de modo extremado é confundir contrários com contraditórios: é o erro de tratar os enunciados contrários como se fossem contraditórios.

Finalmente, passemos ao registro do fato de um vocábulo possuir vários significados. Por exemplo:

1. o banco quebrou. Tanto pode ser a falência de uma casa bancária como um assento partido. Rotineiramente, a multiplicidade de significados não deve provocar transtorno, podendo levar a dificuldades
lógicas, quando a mesma palavra é empregada em diferentes sentidos.

Num argumento cuja validade dependa do significado daquela palavra e permanecer o mesmo ao longo da discussão, haverá o risco de incorrer na falácia do equívoco. Por exemplo:

2. só os homens são racionais

as mulheres não são homens.

logo, todas as mulheres são irracionais.

A palavra homem ora significa ser humano ora ser humano do sexo masculino.

No caso do exemplo acima, a palavra homem, no mínimo, deveria ter os dois significados. Caso contrário, verifica-se um equívoco destruidor da validade do argumento.

A validade de um argumento depende, em muito, de premissas justificadoras. A dança dos números pode conduzir a argumentos contrários e contraditórios. A manipulação, de tão freqüente, leva a argumentos frágeis e totalmente desprovidos de fundamentação lógica.

Sendo a lógica a disciplina da coerência lingüística, quando se trata de pesquisa de campo na área da saúde a Estatística assume nítida predominância. Pesquisa de campo numa área de complexidade tão profunda como a da Saúde Pública não pode prescindir de tabelas e gráficos. Mesmo porque, as variáveis em jogo, incluem uma quantidade de números a merecer um tratamento estatístico impossível de garantir uma análise lógica sem a ajuda de tabelas adequadas.

E o leitor terá sempre uma responsabilidade adicional: a obrigatoriedade da relação simbiótica: lógica e verdade, pois a lógica, por si só, não é comprometida com a verdade e sim com a relação premissas-conclusão. Quando alguém fala:

1. somente mamíferos mamam.

2. o gato não é mamífero

logo, o gato não mama.

Indubitavelmente, este tipo de argumento jamais poderia ser apresentado em reunião numa sociedade de biologia. Assim:

1. roubaram o relógio da Igreja

2. apenas Paulo entrou na Igreja

3. logo, Paulo roubou o relógio da Igreja.
ou:

1. roubaram o relógio da Igreja

2. apenas Paulo entrou na Igreja

3. Paulo é ladrão

logo, Paulo roubou o relógio da Igreja.

Observando os argumentos acima, o leitor verificará no segundo argumento, maiores evidências contra Paulo.

Muito embora as leis científicas não sejam definitivas, principalmente em decorrência do aprimoramento dos instrumentos e das técnicas, no momento histórico e para o local onde foram enunciadas terão a sua validade garantida até surgir um fato novo, comprovado cientificamente, anulando a sua validade.

No decorrer da história da humanidade notadamente no campo da Matemática, da Física, da Química e da Biologia, as leis científicas foram mudadas em decorrência dos avanços científicos.

A pesquisa de campo, exigirá argumentos lógicos interligados com os padrões científicos vigentes.

No campo das relações interpessoais a verdade de cada um leva a possibilidade de choques de argumentos verdadeiros com argumentos falaciosos.

Um chefe, ao tomar conhecimento de um problema administrativo envolvendo dois subalternos, certamente ouvirá a versão de ambos, isoladamente.

Ao analisar os fatos narrados, considerará as diferenças das versões. Ao chefe compete uma das decisões abaixo:

1. considerar um culpado e o outro inocente

2. considerar o outro culpado e um inocente

3. considerar os dois culpados

4. considerar os dois inocentes

5. considerar a inexistência da culpa.

Ao considerar culpado um dos interessados estará diante de duas verdades. A sua decisão final pode ser pela culpa dos dois. No caso, estarão presentes três verdades. E quem garante estar o chefe com razão? Estaremos diante de uma quarta verdade possível.

Como geralmente as pesquisas de campo trabalham com espaços amostrais e não com universos, quando veiculada para a saúde com atuação mais específica em população-alvo, o método mais comumente utilizado é o indutivo.

O propósito de uma pesquisa de qualquer natureza usando os métodos dedutivo e o indutivo é obter conclusões verdadeiras, a partir de premissas verdadeiras, sendo mais fácil quando se trabalha com o método dedutivo.

Em pesquisa de campo, quando se analisam resultados a partir de amostras nem sempre significativas, pode se conseguir conclusões de conteúdo mais amplo além do conteúdo das premissas. Ainda cabe ressaltar: o argumento indutivo, é mais utilizado na relação entre a generalização científica e a evidência observacional sustentadora.

Os argumentos matemáticos são dedutivos.

Em pesquisa de campo, é freqüente utilizar-se enunciados e argumentos condicionais.

Os enunciados condicionais ou hipotéticos são enunciados componentes ligados por meio da expressão "se... então..."

Por exemplo:

a) se hoje é quinta feira, então amanhã será sexta

b) se Einstein era físico, então ele era cientista

Neste tipo de enunciado, a parte ligada ao se denomina-se antecedente e a apresentada após o então se denomina conseqüente. ou

c) se a então b. Ainda convém salientar a contraposição: se não b então não a.

d) se Einstein não era cientista, então não era físico; ou

e) a menos que Einstein fosse cientista, não seria físico; ou

f) somente se Einstein fosse cientista, seria físico; ou

g) somente se Einstein fosse físico seria cientista; ou

h) se Einstein fosse cientista, então seria físico.

Comparando os enunciados b) e g) o leitor concluirá: b) é verdadeiro e g) falso.

Quanto aos argumentos condicionais:

a) se Manoel for reprovado em francês, será desclassificado. Manoel é reprovado em português. - b) Manoel será desclassificado ou: se a então b.

O exemplo: se a soma dos algarismos do número 27 for divisível por 9, o número 27 será divisível por 9, mostra a "afirmação do antecedente"; enquanto se a temperatura se elevar o termômetro subirá.

A temperatura não está se elevando - o termômetro não subirá cuja forma é: se a então b.

Não 9

Não b

A esta última forma de argumento dedutivo dá-se o nome de "negação do conseqüente".

Outro exemplo de negação do conseqüente:

a) se o determinismo é legítimo, então o homem não tem vontade livre

b) o homem tem vontade livre

logo o determinismo não é legítimo

A pesquisa em Saúde Pública baseará o seu argumento nos dados numéricos levantados a partir de variáveis estabelecidas e interrelacionadas com o espaço amostral escolhido.

As melhores formas de analisar os dados obtidos no seu conjunto são gráficos e tabelas.

Para a feitura de um trabalho de Pesquisa de Campo, não se deve prescindir de uma análise de detalhes lógicos importantes:

1. Evidência - 2. Inferência - 3. Descoberta e Justificação - 4. Argumentos Dedutivos e Indutivos - 5. Enunciados Condicionais - 6. Dilema - 7. Enunciados Categóricos - 8. Falácia.


3. A PESQUISA DE CAMPO SEM FUNDAMENTAÇÃO LÓGICA É TAREFA IMPOSSÍVEL TÍTULO III


Freqüentemente, refutamos certas afirmações, colocações lingüísticas e, até mesmo enunciados, por considerá-los não condizentes com a lógica. Até mesmo crianças quando não concordam com certas medidas disciplinares dos adultos, costumam retrucar e embasam a sua negação ou contestação sob o manto da lógica, palavra bastante comum e por demais conhecida, deixou de ser motivo de preocupação dos responsáveis pelo ensino de humanidades (como era conhecido até o final da primeira metade do século XX, chamado de primeiro e segundo graus).

Não se estuda sequer rudimentos de lógica, a não ser, em cursos superiores específicos, (Filosofia, por exemplo). E não é porque a necessidade de seu aprendizado a transformou em disciplina menor. Com a evolução dos meios de comunicação, dos diversos segmentos sociais provocando uma massificação da cultura, as pessoas exigem explicações quando se pretende aplicar qualquer norma disciplinadora.

É necessário ao pesquisador de campo, principalmente na área da saúde, se impregnar da necessidade de utilização adequada dos argumentos, onde a lógica se atrele a verdade científica. Vimos no título anterior, conceitos de ciência e da metodologia científica.

A nossa proposta, não é criar pontos de colisão com o título anterior. Longe disso. Pretendemos ampliar o horizonte do leitor, fazendo-o entender: a pesquisa de campo, muito embora, não renuncie a nada colocado pelo saudoso Professor Juán Fernandes, necessita de enfoque mais detalhado pela obrigatoriedade do compromisso com a verdade.

A pesquisa de campo na área da saúde, tem a sua complexidade aumentada em decorrência do consenso universal de ser Saúde Pública uma atividade social ampla, globalista e ilimitada.

Enquanto existirem pessoas, haverá a necessidade de implementação de programas sanitários.

Mesmo em países desenvolvidos, a melhoria das condições sanitárias é uma finalidade considerada inalcançável. Há duas décadas atrás, era bastante comum a afirmação de a população sueca ser portadora do título de melhor padrão de vida do mundo. Até aí tudo bem. Mas, como explicar: aquela região da Escandinávia, detinha o recorde de maior porcentagem de suicídios? Parecia um contra-senso. Quem está bem, em condições normais, não pratica o suicídio.

Neste final de século, vemos em estatísticas um aumento da média de vida a cada ano e o recordista é o Japão, enquanto a maior freqüência de suicídios ocorre na Hungria. Na China, o infanticídio de crianças do sexo feminino atinge proporções alarmantes. O governo egípcio luta para aplicar severas penas aos praticantes da clitorectomia e o Brasil é um dos recordistas mundiais em abortos clandestinos.

Cada vez mais, o público tem acesso aos avanços culturais e com uma rapidez incrível. Pela velocidade da luz, consegue-se ver programas ao vivo em regiões longínquas, com menos de um segundo de diferença.

Com o avanço da cultura, proliferam os donos da verdade.

Raciocinamos à nossa maneira formulamos juízos ao sabor da nossa criatividade e julgamos fatos e opiniões, segundo critérios pessoais.


4. ALGUMAS DICAS PARA UMA PESQUISA DE CAMPO TÍTULO III


1. Importância dos dados epidemiológicos - Em matéria de epidemiologia, fundamento de qualquer Pesquisa de Campo, os serviços sanitários brasileiros, têm uma péssima tradição. Lá fora, ninguém acredita na sua veracidade.

Quando uma moléstia transmissível é erradicada, antes da Organização Mundial de Saúde emitir pronunciamento definitivo, entra em estado de alerta para o noticiário brasileiro como última barreira.

Mesmo os países do 4o Mundo, parecem ter confiabilidade estatística superior a nossa. Isto se deve, sobretudo, a falta de fiscalização sanitária tão em voga no País tupiniquim.

Um dos maiores responsáveis é o próprio Governo Federal a utilizar as notícias de calamidade para abrir os cofres do erário público, em benefício de alguns governos estaduais inescrupulosos na busca de dinheiro fácil e, a fundo perdido.

Bradford Hill, na primeira edição inglesa da sua obra Estatística Médica assim se expressa "as estatísticas são uma coisa curiosa. Proporcionam um dos poucos exemplos em uso, o abuso dos métodos matemáticos e tende a provocar uma forte reação afetiva em mentes não matemáticas. Isto sucede, porque os estatísticos aplicam aos problemas interessantes, uma técnica que não compreendemos. É desconfortável, quando estudamos um problema por métodos cujo domínio levou anos de aprendizado, constatar as nossas conclusões questionadas e talvez refutadas por quem não havia feito as observações pessoalmente. É necessário mais equanimidade para reconhecer a nossa falta".

O estatístico não sentirá prazer especial em refutar as conclusões de outros profissionais, especialmente, por conhecer a dedicação, a paciência e o esforço na obtenção dos dados.

A saúde pública, embora não possa ser considerada a coletivação da prática médica, se beneficiará das vantagens oferecidas pelos cálculos considerados "dados quantitativos afetados em uma extensão marcada por uma multiplicidade de causas" e sigam "métodos especialmente adaptados à elucidação de dados quantitativos afetados por esta multiplicidade".

No campo da saúde pública pode interessar-nos um plano similar de experimentos e a análise dos resultados, como o teste de eficácia de uma vacina como meio de prevenir ataques de coqueluche e o efeito de uma dieta suplementar em mulheres grávidas, sobre a mãe e a criança.

Este campo será tratado com dados não provenientes de experimentos deliberados mas surgindo e sendo captados de uma população vivendo e morrendo no curso cotidiano dos sucessos. Assim, temos a taxa geral de mortalidade da população em um dado período de tempo, sua taxa de mortalidade para idades particulares num dado tempo - infância, puberdade, vida adulta e velhice -, e taxas de mortalidade por causas determinadas - tuberculose respiratória, pneumonia, violências, entre outras... Para algumas enfermidades - as infecciosas denunciáveis, temos cifras se referindo ao número de casos ocorrendo de tempos em tempos.

O objeto destas estatísticas e dos métodos estatísticos aplicados às mesmas, será considerado num duplo aspecto. Por uma parte, usaremos como simples informação numérica do estado de saúde pública, para mostrar por contrastes entre lugares ou períodos de tempo, se as taxas de mortalidade da população são relativamente altas ou baixas. Baseados em tal evidência podemos considerar nos problemas da medicina preventiva onde e quando são mais necessárias as medidas curativas.

Por exemplo, se a freqüência de morte no primeiro ano de vida ou a taxa de mortalidade infantil, aumentar consideravelmente quando descemos a escala social da classe profissional. Sem considerar os fatores determinantes deste fato, sabemos: tal problema existe e necessita de atenção.

Do mesmo modo, podemos observar uma freqüência diferente da febre tifóide em tipos de zona; a causa se desconhece, mas o problema persiste. Finalmente, os registros podem mostrar se as taxas de mortalidade de crianças por enfermidades infecciosas comuns são maiores em comunidades urbanas mais desinformadas.

A utilidade de tais estatísticas, consiste em dirigir a atenção para os problemas de salubridade e insalubridade apresentados pela população em estudo. Sem estas cifras será muito pobre nosso conhecimento dos campos mais importantes para a ação. Portanto, captar e tabelar os dados de estatística vital, são fundamentais.

O segundo, associado ao anterior, é a determinação das razões básicas dos contrastes observados. Se não pudermos determinar estas razões, estará obstaculizado o desenvolvimento de medidas preventivas eficazes e, inclusive, pode ser mal dirigido.

Por quê as crianças pertencentes às classes mais humildes apresentam uma taxa de mortalidade superior àquelas de nível social mais elevado? Em qual extensão, se deve isto a alimentação inadequada da mãe e da criança, onde a vacinação em determinado lugar com um risco mais freqüente de infecções específicas vai funcionar, e se a extensão da ignorância de como cuidar da criança é, às vezes, franca negligência? Uma incidência maior, ou uma epidemia de febre tifóide em uma zona determinada ou um tipo especial de zona se deve a uma provisão defeituosa de água, às infecções de origem láctea ou a alguma outra forma de transmissão?

Tais condições as expõem a um risco maior de infecção, morrendo com maior freqüência. A criança pré-escolar, com baixas condições de vacinação, ou sucumbe com mais facilidade à infecção adquirida por fatores associados com a vacinação, tais como desnutrição, ou pela falta de atenção técnica nas etapas iniciais da enfermidade?

Aqui entra em jogo o método estatístico tentando descobrir a cadeia de causas permitindo-nos, às vezes, a determinação dos fatores mais importantes para correção. Ao tratarmos com observações não controladas, há possibilidade de erros, e a empresa pode encontrar dificuldades maiores; os efeitos da multiplicidade de causas não podem ser completamente diferenciados, sejam os da vacinação sobre a saúde, independentemente das características da pobreza sempre o acompanhando.

Quando as estatísticas vitais indicam o problema e sua análise tem sugerido uma causa e efeito, estaremos em condições de progredir mais por uma captação adicional de dados ou uma experiência planejada.

De qualquer maneira, as estatísticas vitais deverão ser utilizadas no desenvolvimento de medidas preventivas orientadas para promover a saúde e o bem estar da população em geral, ou de determinados setores e servirão para determinar a eficácia de tais medidas.

A informação estatística é fundamental para avaliar o nível de saúde de uma população.

Segundo Swaroop, as estatísticas de saúde são úteis para:

a) descrever e diagnosticar o nível de saúde da comunidade;

b) descobrir soluções para os problemas de saúde e achar a chave para a ação administrativa;

c) determinar prioridades para programas de saúde;

d) dirigir ou manter controle durante a execução de programas de saúde;

e) desenvolver procedimentos, definições, classificações e técnicas como sistema de registro, esquemas para estabelecer amostras, entre outros;

f) criar padrões administrativos de saúde; e

g) promover a legislação sanitária.

Para obter tais informações estatísticas, recorre-se aos registros dos dados vitais, como: registros de nascimento e óbitos. Embora estes registros sejam obrigatórios e permanentes, nem sempre vão originar estatísticas de boa qualidade.

A primeira dificuldade é a de um padrão, a respeito dos nascidos vivos e mortos, dando margem a falsas interpretações.

Em maio de 1950, a 3a Assembléia Mundial de Saúde aprovou:

"Nascimento vivo é a expulsão ou extração completa do corpo da mãe independente da duração da gestação, de produto de concepção que depois dessa separação respire ou dê outro qualquer sinal de vida, como por exemplo, batimentos cardíacos, pulsação do cordão umbilical ou contração efetiva de algum músculo de ação voluntária, haja ou não sido cortado o cordão umbilical, esteja ou não desprendida a placenta".

Inversamente ao conceito apresentado para nascidos vivos, a O.M.S. denomina perda fetal "Todo produto extraído ou expelido do corpo da mãe, qualquer que seja o tempo de gestação, sem que apresente qualquer sinal de vida". A duração da gestação é importante para a classificação das perdas feitas em:

? precoces: ocorridas antes de 20 semanas de gestação;
? intermediárias: ocorridas entre a 20a e a 27a semana de gestação;
? tardias: verificadas da 28a semana em diante.

A segunda dificuldade encontrada é o sub-registro de mortes e nascimentos, eventos ocorridos sem qualquer inscrição.

A omissão dos fatos vitais, ocasionados por fatores, como: aspecto monetário, filiação ilegítima, falta de tempo, ignorância, negligência, distância do domicílio ao cartório, vão provocar estatísticas deficientes em choque com a realidade, apresentando idéias falsas sobre os coeficientes e indicadores de saúde a serem mensurados.

Em decorrência disso, o número de nascidos vivos de uma comunidade, estará abaixo do real, devido ao fato de nascimentos e óbitos não serem computados.

A terceira se refere ao não registro da causa-mortis pelo incorreto preenchimento do atestado de óbito, ligado diretamente à falha na elaboração da estatística, considerando-se ser a causa-mortis fundamental no planejamento de saúde e estudos clínicos e epidemiológicos. Para facilitar o correto preenchimento, a O.M.S. elaborou uma Classificação Internacional de Doenças e Causas de Morte.

Apesar desta uniformização, pela falta, em muitos locais, de esclarecimento junto à classe médica, sobre o correto preenchimento do atestado, a qualidade das estatísticas de mortalidade não é ideal.

Finalmente, como última dificuldade salientamos a influência das normas legais nas estatísticas vitais: a Lei no 6015 de 31 de dezembro de l973, regulamenta a inscrição dos fatos vitais no Brasil:

Art. 50 - "Todo nascimento que ocorrer no território nacional deverá ser dado a registro no lugar em que tiver ocorrido o parto..."

Com relação ao óbito, a lei também é taxativa:

Art. 77 - "Nenhum sepultamento será feito sem certidão do oficial registro do lugar do falecimento, extraída..."

Nos locais com maior concentração de maternidades e hospitais, ocorre um maior afluxo de pessoas e, conseqüentemente, elevado número de nascimentos e mortes.

Para sanar estas dificuldades, Silveira e Soboll sugeriram: os dados devem ser efetuados em qualquer cartório, e propugnar-se para as repartições encarregadas da estatística apurarem os dados vitais por local de residência e não de ocorrência, por constituírem estes, melhores subsídios para a saúde pública.

Os indicadores de saúde têm importância no diagnóstico sanitário de uma população. Analisado isoladamente, cada indicador permite o conhecimento de uma situação isolada, mas não retrata a realidade.

Os coeficientes e índices, bases da estatística vital, dão informações epidemiológicas para o diagnóstico da situação de saúde da população, fornecendo informações para o planejamento das ações de saúde.

Costuma-se definir coeficiente, quando se pode conceber o denominador da fração como: o número de expostos ao risco de apresentar o fator cuja freqüência de ocorrência, figura no numerador da relação.

Assim, a freqüência relativa é um coeficiente, pois é o número de expostos ao risco de morte por determinada doença, enquanto entende-se por índice as freqüências relativas não enquadráveis no conceito de coeficiente, indicando a freqüência do evento do numerador quando se faz igual a 1 a freqüência do evento do denominador.

Exemplos:

Coeficiente a) no de óbitos por determinada doença
_____________________________
no de casos desta doença

b) no de óbitos por qualquer causa
__________________________
população

Índice no de óbitos por determinada doença
_____________________________
no de óbitos totais.

Como vida e saúde apresentam uma relação simbiótica, não é fácil a fixação de um único índice para a avaliação do nível de vida.


5. ESCOLHA DO TEMA DA PESQUISA TÍTULO III


Na nossa prática de vida, aprendemos:

I - você só fará uma pesquisa de boa qualidade quando o assunto se relacionar com a sua crença;
II - o tema a ser escolhido deve integrar o seu cotidiano. Não pesquise em campo desconhecido;
III - procure escolher assunto relacionado com a sua atividade profissional;
IV - o assunto a ser escolhido deve se constituir de indagações a serem respondidas pela pesquisa;
V - procure se familiarizar com a feitura de tabelas e gráficos, peças indispensáveis à Pesquisa de Campo;
VI - o tema-problema deverá constituir a sua total preocupação. Se você optar por um enfoque epidemiológico sobre AIDS, por exemplo, da primeira até a última linha, você limitará a sua dissertação à AIDS;
VII - procure veicular uma proposição com objetivos específicos;
VIII - utilize a pesquisa bibliográfica apenas o suficiente para levar ao leitor o total entendimento do tema;
IX - evite uma pesquisa apenas bibliográfica, pois estará fugindo da filosofia de uma Pesquisa de Campo;
X - leia alguma obra de rudimentos de lógica; isto lhe facilitará o acesso às informações possíveis a serem fornecidas pela pesquisa. Neste livro você terá acesso a importância da lógica na feitura de argumentos. Procure trabalhar com argumentos verdadeiros, deixando de lado qualquer premissa falaciosa;
XI - procure se ater aos resultados obtidos e elabore os argumentos em cima deles. Antes de dar uma Pesquisa de Campo por terminada, verifique se existe uma ligação das premissas com os resultados e conclusões;
XII - não se preocupe com o número de páginas, pois trabalhos no campo da lógica, não se relacionam com o tamanho;
XIII - procure ordenar os tópicos segundo os fundamentos dos argumentos rotineiramente utilizados pela lógica;
XIV - qualquer tipo de material pode ser utilizado. Entretanto, se você não tiver prática na elaboração de trabalhos de Pesquisa de Campo procure usar Ficha-Modelo ou Questionário, evitando a Entrevista. Esta, mesmo fechada, admite um caráter emocional, criativo e subjetivo na relação: pesquisador - pesquisando;
XV - na feitura da Ficha-Modelo ou do Questionário procure repetir as variáveis da Proposição;
XVI - na Conclusão não poderá aparecer nenhuma variável inexistente na Proposição e nenhuma a mais, pois invalidará a pesquisa;
XVII - as variáveis da Proposição deverão integrar a Conclusão mesmo com a possibilidade de os resultados não apresentarem significatividade;
XVIII - cuidado com as Referências Bibliográficas. Evite o plágio: qualquer texto, não sendo de sua autoria, deve identificar a origem;
XIX - serão evitadas referências a trabalhos não escritos pela total impossibilidade de confrontação (mimeografados, por exemplo);
XX - antes de tabelar os dados, procure se familiarizar com as técnicas correntes de elaboração das tabelas e se atualizar com a regra de três;
XXI - após cada tabela, proceda à discussão dos resultados, procurando se aprofundar o mais possível;
XXII - passe para a tabela seguinte somente após discutir exaustivamente os dados da anterior;
XXIII - nada impede de você reunir duas ou mais tabelas e discuti-las em conjunto, sem a necessidade de repetir as tabelas;
XXIV - somente após o trabalho terminado você iniciará a elaboração do Capítulo das Referências Bibliográficas, pois os autores deverão ser listados em ordem alfabética estrita (igual a lista telefônica) e numerados, segundo esta ordem. Um erro de numeração impedirá o acesso às fontes bibliográficas, conforme o leitor poderá observar mais adiante;
XXV - quando você estiver satisfeito com o seu trabalho e verificar não ser necessária nenhuma mudança (redução ou ampliação do texto escrito) iniciará a elaboração do Resumo;
XXVI - o Resumo não conterá mais de 120 palavras (vírgulas, ponto e vírgulas, artigos, preposições e outros); evitando-se transformar o resumo em mini-trabalho;
XXVII - o Resumo incluirá: objetivos específicos (Proposição) local - espaço amostral - processo de escolha da amostra, - período abrangido pela pesquisa em data definida (Material e Método) - conclusões (Conclusão).


6. FACILITANDO A PESQUISA DE CAMPO TÍTULO III


Como se trata de obra puramente didática e com objetivo específico para o Curso de Especialização de Administração dos Serviços de Saúde da Universidade de Ribeirão Preto - UNAERP, o modelo exigido para uma Pesquisa de Campo inclui:

INTRODUÇÃO

Como o próprio nome indica, Introdução: 1. ato ou efeito de introduzir 5. artigo, estudo, e principalmente livro, que serve de preparação para o estudo de uma matéria (Aurélio - Novo Dicionário da Língua Portuguesa).

Assim, o leitor não terá a menor dificuldade para elaborar este capítulo numa Pesquisa de Campo.

Supondo ser o seu tema-problema o enfoque de uma doença transmissível, neste caso, alguns tópicos deverão ser enfatizados:

Conceito - Sintomas - Mecanismo de Transmissão - Tratamento e Prevenção.

Ao enfocar hipertensão arterial, diabetes, câncer e doenças degenerativas, principalmente, as ligadas à antecedência familiar você deverá incluir esta variável no seu trabalho. Todavia, isto não ocorreria necessariamente na Introdução e sim, como variável na Proposição.

Na introdução cabe a justificativa da escolha do tema.

Este é o capítulo onde os pesquisadores de campo mais incluem as Referências Bibliográficas e suas normas.

II - PROPOSIÇÃO

Em Pesquisa de Campo, a Proposição eqüivale a listagem das variáveis. Ao pesquisador será assegurada a livre escolha.

A concepção de variável implica em variabilidade possível. O contrário leva o nome de constante.

Não é incomum recebermos trabalhos de alunos com variáveis impossíveis tais como: pesquisa sobre prevenção de câncer ginecológico ou de câncer de próstata onde se utilizou a variável sexo.

Outras vezes, em pesquisa em berçário, observamos a inclusão de grau de escolaridade ou estado civil.

Felizmente, apenas uma vez, um aluno nos inquiriu quanto a possibilidade de utilizar Questionário numa pesquisa onde pretendia traçar um perfil do suicida.

Pede-se no mínimo, 7 variáveis.

As variáveis, quanto a sua natureza, podem ser categorizadas como qualitativas e quantitativas. As variáveis qualitativas incluem diferenças radicais. A variável sexo, engloba as categorias masculino e feminino, mantendo entre si diferenças de quantidades e de natureza. Outras variáveis qualitativas com interesse para a pesquisa: local de residência, de trabalho, ocupação, e outras.

As variáveis quantitativas envolvem diferenças não substanciais, diferenças apenas de grau. Referem-se a propriedades com a mesma natureza em toda a sua extensão e se mostram com maior ou menor freqüência ou intensidade, podendo ser expressas em termos numéricos: peso, estatura e temperatura.

As variáveis quantitativas serão descontínuas (ou discretas) quando, entre dois valores consecutivos expressos por números inteiros, não for possível incluir valores fracionários, número de batimentos cardíacos, por exemplo.

As variáveis contínuas admitem valores fracionários entre quaisquer valores consecutivos (temperatura corporal, por exemplo).

III - MATERIAL E MÉTODO

O título diz tudo. Em Pesquisa de Campo, o material corresponderá ao espaço amostral a ser escolhido e a técnica utilizada.

Quanto ao Método, três são os mais comuns: Ficha-Modelo, Questionário e Entrevista Aberta ou Fechada.

Nos nossos trabalhos sempre optamos por Ficha-Modelo ou Questionário, por considerarmos o caráter subjetivo da entrevista, mesmo fechada, capaz de atuar na elaboração dos argumentos da pesquisa.

Neste Capítulo ainda estarão incluídos: local e o período abrangido pela pesquisa. Não é o tempo gasto pelo pesquisador e sim, o período abrangido pela amostra.

Por exemplo:

Pesquisa de Campo realizada no Hospital de Hanseníase de Manaus. O período abrangido pela pesquisa foi de 2 de janeiro a 31 de dezembro de 1997. Neste caso, se foi um Questionário subentende-se a sua aplicação iniciada nos casos registrados, no dia 2 de janeiro e o último registro concluído em 31 de dezembro de 1997. No caso de entrevista, o raciocínio será idêntico.

Porém, na Pesquisa onde são consultados Prontuários de Pacientes, Fichas Clínicas ou outro documento de Registro de Clientes, estabelecer-se-a a relação das datas acima com as dos registros.

Finalmente, para acompanhar o raciocínio do pesquisador, recomendamos a colocação do Questionário, Ficha-Modelo ou Entrevista, em branco, neste Capítulo. O espaço amostral, será de, no mínimo 100 casos.

IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO

Neste Capítulo é de capital importância a atenção para a feitura conveniente das tabelas correspondentes aos dados levantados.

Existem técnicas apropriadas para a elaboração de tabelas.

O espírito de observação do pesquisador será aguçado para não esquecer nenhum dado importante a ser discutido e registrado embaixo da tabela. As tabelas serão numeradas e o cabeçalho o mais elucidativo possível. O Registro da Fonte de Dados não poderá ser omitido.

V - CONCLUSÃO

A coroação do trabalho está ligado ao trinômio: Enunciado - Proposição - Conclusões, de maneira simbiótica e infranqueável.

As variáveis utilizadas na Proposição estarão inseridas nas Conclusões e fundamentadas nos Resultados e Discussão.

VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

O leitor deverá consultar as Normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Entretanto, para facilitar a colocação das Referências Bibliográficas transcreveremos algumas dicas:

1. Numeração 1, 2, 3, ...
2. Ordem alfabética estrita (Lista Telefônica)
3. Último sobrenome, primeiro nome, outros nomes
CAMPOS, J. Q.
4. Despreza-se o de
5. Filho, Neto, Sobrinho
CAMPOS FILHO, J. Q.
6. Dois autores
CAMPOS, J. Q.; PRESOTO, L. H.
7. Mais de 2 autores
CAMPOS, J. Q. et al
8. Autor citado várias vezes na mesma obra
1 número
Autor citado em obras diferentes: 1 número para cada obra.
9. Trecho de um autor, tirado de outro autor:
PRESOTO, L. H. apud CAMPOS, J. Q.
10. Título da obra: Negrito, Itálico ou grifo:
CAMPOS, J. Q. Erros Médicos
CAMPOS, J. Q. Erros Médicos
CAMPOS, J. Q. Erros Médicos
11. Quando o texto da referência não couber em uma só linha, a primeira letra da 2a linha deverá ficar embaixo da 3a letra da 1a linha.
12. Edição: após o Título: somente a partir da 2a.
13. Local e nome da Editora separados por dois pontos e ano de publicação
CAMPOS, J. Q. - Saúde e Administração - 3a ed. São Paulo: JOTACÊ, 1997.
14. Número de páginas da obra: não é obrigatório
CAMPOS, J. Q. - Erros Médicos - 3a ed. São Paulo: JOTACÊ, 160 p., 1997.
15. Citar "páginas pesquisadas"
CAMPOS, J. Q. - Erros Médicos - 2a ed., Vol. I p. (18-25), 1997.
16. Revistas, Anais
CAMPOS, J. Q. - Erros Médicos - in Rev. Bra. Med. Vol. I, p. (29-32) jan-mar, 1997
As revistas registradas na ABIREME aparecem abreviadas com 3 letras: Rev. Bra. Med. Caso não saiba o nome do registro, escrever por extenso.


VII - ANEXOS

Serão incluídos os Anexos necessários ao perfeito entendimento da pesquisa.

Suponha o leitor envolvido numa pesquisa relacionada com uma Lei Municipal de Gurupi, não estando obrigado a conhecê-la.

Dependendo do seu grau de importância para os níveis de eficácia da pesquisa, a citada Lei estará presente nos Anexos.

Muitas vezes, o Pesquisador elabora uma Ficha-Modelo a partir de um Prontuário Médico do Paciente, dele retirando apenas algumas variáveis. Certamente, incluirá o Prontuário Médico do Paciente nos Anexos enquanto a Ficha-Modelo dele originada estará no Capítulo III - Material e Método.

Evidentemente, na medida de sua evolução no campo científico, o leitor se capacitará ainda mais.

O importante é ter em mente: uma Pesquisa de Campo não é um bicho de sete cabeças, é tão somente um exercício de argumentação no campo da lógica e garantia para a mudança dos hábitos estatísticos epidemiológicos vigentes a impedir a aceitação de credibilidade da epidemiologia brasileira.

Os próximos títulos incluirão trabalhos de ex-alunas nossas.

Com enfoques diversos, os trabalhos apresentados têm um ponto comum:

I - INTRODUÇÃO

II - PROPOSIÇÃO

III - MATERIAL E MÉTODO

IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO

V - CONCLUSÃO0

VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


7. OS TÍTULOS SEGUINTES TÍTULO III


Os trabalhos de pesquisa apresentados a seguir foram selecionados segundo os critérios de simplicidade e adequação às normas de Pesquisa de Campo desenvolvidas neste trabalho, devendo o leitor atentar para:

1. para traçar um perfil, as variáveis serão de total escolha do responsável pelo trabalho;

2. a validade dos resultados será analisada segundo o critério de coerência da análise global do trabalho;

3. os resultados podem diferir até mesmo num Município sem apontar para erros na pesquisa;

4. no caso de pacientes portadores de Hanseníase, determinada pesquisa pode apontar para maiores número e freqüência do sexo masculino enquanto outra, com as mesmas variáveis e amostra diferente poderá concluir o contrário; e

5. a pesquisa não deve candidatar o autor ao prêmio Nobel nem ao Guiness, é apenas um exercício de lógica, fundamentado em dados estatísticos.


TÍTULO IV-


UMA AVALIAÇÃO DO PERFIL DO PORTADOR DE DENGUE NOTIFICADO DURANTE O ANO DE 1996 NO MUNICÍPIO DE BARRA DO GARÇAS, MT.


Lúcia Helena Presoto
SUMÁRIO - TÍTULO IV
RESUMO
I - INTRODUÇÃO
II - PROPOSIÇÃO
III - MATERIAL E MÉTODO
IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO
V - CONCLUSÃO
VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


RESUMO - TÍTULO IV


A autora procedeu a um levantamento estatístico para verificar o perfil do portador de Dengue em casos notificados no período de 1 de janeiro a 31 de dezembro de 1996 no Município de Barra do Garças, MT, pela análise de Fichas de Notificações, num total de 59 casos, correspondendo a totalidade notificada no período. As variáveis utilizadas foram: sexo, faixa etária, procedência, sazonalidade, resultado do exame sorológico e ocupação. Pelo exposto concluiu ser maior a incidência de portadores no sexo masculino; faixa etária de 40 anos ou mais; procedente da zona urbana; o mês de maior ocorrência da doença foi Fevereiro; sorologia positiva e como ocupação prendas domesticas.


I - INTRODUÇÃO - TÍTULO IV


1. CONCEITO -


O Dengue é uma doença febril aguda, de etiologia viral e evolução benigna na forma clássica, podendo, na maioria dos casos, apresentar duas formas clínicas: Dengue Clássico (DC) e Febre Hemorrágica do Dengue (FHD).

2. AGENTE ETIOLÓGICO


É um arbovírus (vírus transmitido por artrópodes) do gênero Flavivírus, da família Flaviviridae. São conhecidos 4 sorotipos (1, 2, 3, 4), tendo como principal vetor o mosquito do gênero Aedes - Aedes Aegypti, também transmissor da Febre Amarela urbana.


3. MECANISMO DE TRANSMISSÃO


A transmissão se faz pela picada do mosquito fêmea infectado, no ciclo homem - Aedes Aegypti - homem, sendo o homem a fonte de infecção e o reservatório mais importante.

3.1. Período de transmissibilidade

Compreende 2 ciclos: um intrínseco, que ocorre no homem, começa 1 dia antes do aparecimento da febre e vai até o 6o dia da doença (período de viremia); e outro extrínseco, que ocorre no vetor. O vírus se localiza nas glândulas salivares da fêmea, onde se multiplica depois de 8 a 12 dias de incubação. Uma vez infectado, o mosquito assim permanece até o final da vida (6 a 8 semanas).

3.2. Período de incubação

Varia de 3 a 15 dias, com uma média de 5 a 6 dias.

3.3. Suscetibilidade e imunidade

Dengue Clássica - DC: a suscetibilidade ao vírus é universal. A imunidade heteróloga ou cruzada é de caráter temporário e parcial. Porém, a imunidade conferida pelo vírus causador da infecção (homóloga) é permanente.

Febre Hemorrágica do Dengue - FHD

Existem 3 teorias:

1 - o quadro estaria relacionado com a maior virulência de algumas cepas. Não está comprovado se as manifestações mais graves estão associadas ao Sorotipo 2;

2 - baseia-se na teoria de FHD ocorrida numa 2a infecção, seqüenciais, por vírus diferentes, num período aproximado de 3 meses a 5 anos, onde a resposta imunológica seria exacerbada; e

3 - relaciona as 2 teorias acima mais a combinação de fatores como menores de 15 anos e lactentes, sexo feminino, cor branca, estado nutricional, presença de enfermidades crônicas (diabetes, asma brônquica e anemia falciforme) e a suscetibilidade do indivíduo.


4. MORTALIDADE E LETALIDADE


No DC não há registro. A taxa de letalidade em casos de FHD não tratados ou tratados erroneamente varia de 40 a 50%.

4.1. Sintomas

A primeira manifestação clínica é febre alta (39 a 40OC), acompanhada ou não de cefaléia, prostração, mialgia, artralgia, anorexia, náuseas, vômitos, dor abdominal e exantema máculo-papular e em alguns casos manifestações hemorrágicas, como petéquias, gengivorragia e metrorragia sem desenvolver a FHD. Alguns pacientes podem apresentar prurido cutâneo intenso.

De acordo com a clínica, os pacientes estão classificados em 4 grupos:

GRUPO A - febre acompanhada de outros sinais e sintomas inespecíficos. Prova de traço (-)

GRUPO B - febre acompanhada de outros sinais e sintomas inespecíficos e manifestações hemorrágicas.

GRUPO C - febre, sinais e sintomas inespecíficos, manifestações hemorrágicas "acrescidas" de vômitos persistentes, hepatomegalia dolorosa, doenças cavitárias, PA Sistólica ? 90 mmHg.

GRUPO D - choque

A doença pode se manifestar com características de um grupo e evoluir para outro.

4.2. Diagnóstico

- diagnóstico clínico: paciente portador de febre mais dois sintomas clássicos: realizar exame físico, prova de laço e "aferir" PA - suspeita.

- diagnóstico laboratorial: não é obrigatório. Em casos de dúvida solicitar diagnóstico diferencial: sorologia ou virologia para confirmação.

4.3. Tratamento

Tratamento para o Grupo A: sintomático é feito no domicílio, com orientação para retorno ambulatorial, após 48 a 72 horas;

- uso de analgésicos e antipiréticos (nunca os derivados de salicilato); e

- fazer reidratação oral e repouso.

Tratamento para o Grupo B: fazer acompanhamento ambulatorial, monitorar hematócrito, plaquetas e diagnóstico laboratorial específico para confirmação.

Tratamento para o Grupo C: identificar os sinais e sintomas. Trata-se de pacientes com sinais de alerta, sem choque. O diagnóstico laboratorial específico é obrigatório, indica-se hospitalização com reidratação endovenosa, além dos cuidados do Grupo B.

Tratamento para o Grupo D: trata-se de pacientes em choque com alterações clínicas, indicando sintomas sensoriais, hipotensão, taquipnéia, acidose metabólica e outros.

UTI - diagnóstico laboratorial - específico obrigatório.


5. PROFILAXIA


A Portaria Ministerial n0 114/96 tornou obrigatória a notificação dos casos suspeitos e confirmados, permitindo conhecer a distribuição geográfica da doença no País. Logo após a notificação e vigilância epidemiológica realiza a busca ativa para definir o local da infecção. Confirmado o diagnóstico será feito um trabalho de mobilização junto a comunidade para destruir os criadouros potenciais do vetor.

Locais considerados pontos estratégicos, como: cemitérios, borracharias, depósitos de sucata, materiais de construção e outros, devem ser inspecionados quinzenalmente.

5.1. Controle Vetorial Químico

Consiste no tratamento químico de focos identificados, após levantamento pela busca ativa.

Tratamento local - consiste na aplicação de larvicidas nos criadouros do mosquito, em 100% dos imóveis daquela área.

Eliminar todos os recipientes acumuladores de água, sem utilização.

5.2. Controle Vetorial Físico

? melhoria no abastecimento de água tratada ao público;
? melhoria no sistema de coleta de lixo; e
? melhoria nas condições sanitárias domiciliares.

5.3. Vacinação

As vacinas contra os 4 sorotipos do dengue ainda estão em estudo.

Outras características:

Criadouro ? água limpa e parada
Espaço de tempo ? verão
Área ? núcleo urbano

Febre Hemorrágica do Dengue - FHD

Caracteriza-se por perda plasmática e não pelo sangramento podendo não haver hemorragia aparente, apresenta elevação do hematócrito, contagem de plaquetas abaixo de 100.000 mm3 e redução de albumina plasmática.

Para se estabelecer um diagnóstico sistemático de dengue, há 2 métodos:

• diagnóstico virológico e/ou
• diagnóstico sorológico

O diagnóstico para confirmação do dengue pode ser feito com uma amostra de soro, obtida a partir do 70 dia da doença, pela detecção de IgM específica, e o resultado deve estar associado ao quadro clínico (doença aguda).

Testes sorológicos empregados:

• reação imunoenzimática de captura de IgM (Mac-Elisa);
• inibição da hemaglutinação (IH); e
• teste de neutralização (TN). (BRASIL, 1)


II - PROPOSIÇÃO - TÍTULO IV


Pelo exposto, propõe-se mostrar a ocorrência de casos de dengue notificados no Município de Barra do Garças - MT, no período de 2 de janeiro a 31 de dezembro de 1996 e o perfil das pessoas acometidas, segundo as variáveis:


1. SEXO
2. FAIXA ETÁRIA
3. PROCEDÊNCIA
4. SAZONALIDADE
5. RESULTADO DO EXAME SOROLÓGICO
6. OCUPAÇÃO


III - MATERIAL E MÉTODO - TÍTULO IV


A pesquisa foi realizada no período de 1 de janeiro a 31 de dezembro de 1996 no Serviço de Vigilância Sanitária e Epidemiológica do Município de Barra do Garças, MT e abrangeu 59 casos, correspondendo a totalidade dos casos notificados no período.

A seguir é apresentada uma FICHA-MODELO cujos dados foram retirados dos Boletins de Notificação.

FICHA - MODELO - TÍTULO IV


IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO - TÍTULO IV


TABELA I - TÍTULO IV

TABELA II - TÍTULO IV

TABELA III - TÍTULO IV

TABELA IV - TÍTULO IV

TABELA V - TÍTULO IV

TABELA VI - TÍTULO IV


V - CONCLUSÃO - TÍTULO IV


Pelo exposto conclui-se, quanto a:

1. sexo: predominância no sexo masculino;

2. faixa etária: maior incidência na faixa etária de 40 anos ou mais;

3. procedência: a maioria dos casos pertence a zona urbana;

4. sazonalidade: o mês de maior ocorrência da doença foi Fevereiro;

5. resultado do exame sorológico: a maioria dos casos pertence a sorologia positiva; e

6. ocupação: a maior freqüência de casos foi na ocupação de prendas domésticas.


VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS - TÍTULO IV


1. BRASIL - MINISTÉRIO DA SAÚDE - Manual de Dengue - Vigilância Epidemiológica e Atenção ao doente. - 2a. ed. Brasília: DEOPE, 1996.


TÍTULO V-


TUBERCULOSE PULMONAR EM POPULAÇÃO INDÍGENA - UMA AVALIAÇÃO DO PERFIL DO ÍNDIO ACOMETIDO DE TUBERCULOSE PULMONAR NO PÓLO REGIONAL DE SAÚDE DE BARRA DO GARÇAS - MT E NA CASA DE SAÚDE INDÍGENA - ARAGARÇAS - GO, NO PERÍODO DE 24 DE JANEIRO DE 1987 A 23 DE DEZEMBRO DE 1996.


ANA DE FÁTIMA ROSA SIVIERO


FOTO - ANA SIVIERO

SUMÁRIO - TÍTULO V
RESUMO
I - INTRODUÇÃO
II - PROPOSIÇÃO
III - MATERIAL E MÉTODO
IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO
V - CONCLUSÃO
VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

RESUMO - TÍTULO V


A autora, neste trabalho, teve como objetivo proceder a uma avaliação do perfil do índio acometido de Tuberculose Pulmonar nas populações indígenas Bororo e Xavante no Pólo Regional de Saúde de Barra do Garças - MT e na Casa de Saúde Indígena - Aragarças - GO. A pesquisa abrangeu o período de 24 de janeiro de 1987 a 23 de dezembro de 1996, com amostra de 64 casos, correspondendo ao universo de casos ocorridos no período. As variáveis utilizadas foram: ano de ocorrência, etnia, sexo, faixa etária, forma de tratamento e motivo da saída do programa. A autora concluiu quanto ao perfil: maior predominância nos anos de 1994, 1995 e 1996, população Xavante, sexo masculino, faixa etária 70 anos ou mais, maior utilização do Esquema I para o tratamento e saída do programa por cura.

I - INTRODUÇÃO - TÍTULO V


1. CONCEITO


É uma doença infecto-contagiosa, de notificação compulsória, ocasionada por bacilos álcool-ácido resistentes do gênero Mycobacteríacea (Mycobacterium tuberculosis), constituída de várias espécies, e que se instala preferencialmente nos pulmões (Tuberculose Pulmonar). Entretanto, pode aparecer em outros órgãos, sob a classificação de forma clínica extra-pulmonar. Bier2


2. SINTOMAS


Segundo Bier2 "os sintomas podem estar ausentes ou moderados e não específicos na presença da doença ativa. Quando presentes os mais freqüentes são:


• tosse e escarro por mais de 4 semanas; falta de apetite; emagrecimento; dor no peito; suores noturnos; cansaço fácil; e febre baixa, geralmente à tarde.


3. MECANISMO DE TRANSMISSÃO


A tuberculose é uma doença transmitida pelo ar através de gotículas de saliva (contendo bacilos), dos portadores de lesões ativas ulceradas no aparelho respiratório que as expelem ao tossir, falar ou espirrar. O escarro dessecado pode conter bacilos, que permanecem viáveis por muito tempo, podendo infectar o indivíduo sadio. Os indivíduos com resistência deprimida, devido a presença de doenças ou terapia esteróide; os de determinadas idades (crianças e velhos) e aqueles que convivem constantemente expostos à tuberculose ativa (caso aberto) são mais propensos à doença. Recintos fechados, com pouca ventilação, como o tipo de moradia (malocas) utilizado pelos indígenas, má alimentação e condições precárias de higiene, contribuem para a sua propagação. Bier2, BRASIL3


4. TRATAMENTO DA TUBERCULOSE PULMONAR EM ÁREA INDÍGENA


Segue os esquemas padronizados pelo Programa Nacional de Controle de Tuberculose do Ministério da Saúde - M.S., com acompanhamento nas aldeias e supervisionado, onde houver condições, conforme Normas para o Controle de Tuberculose em Áreas Indígenas. M.S.5

FIGURA 1 - ESQUEMA PADRONIZADO - TÍTULO V

Existe ainda, o Esquema II indicado na meningite tuberculosa que utiliza na 1a Fase (2 meses) rifampicina, isoniazida e pirazinamida e na 2a Fase (4 meses) rifampicina e isoniazida. M.S.5, Oliveira6, BRASIL3, Zanini7.


5. PREVENÇÃO


• desenvolver ações de educação em saúde;
• proceder a vacinação BCG (primovacinação), vacinar toda a população indígena, independente de idade, na ausência de cicatriz vacinal e a revacinação poderá ser feita em qualquer idade, onde haja apenas uma cicatriz vacinal, respeitando um período mínimo de 6 meses após a primovacinação; M.S.5
• proceder a quimioprofilaxia: em área indígena ela é diferente da preconizada pelo Manual de Normas para Controle de Tuberculose, está indicada em todo comunicante de um caso bacilífero, com PPD reator forte, independente da idade e do estado vacinal, após uma avaliação clínica e afastada a possibilidade de tuberculose doença, através da baciloscopia e do exame radiológico; M.S.5;
• encaminhar sintomáticos respiratórios ao Serviço de Saúde;
• proceder a descoberta precoce de casos e fontes de infecção e tratar;
• curar os casos bacilíferos;
• notificar os casos ao M.S.; e
• promover novas alternativas visando a melhoria das condições de moradia, higiene e alimentação dos indígenas, porém sem agredir sua cultura. BRASIL3, M.S.5


6. ESCOLHA DO TEMA


A escolha do tema deveu-se a preocupação da autora com a falta de dados e a disseminação da Tuberculose Pulmonar, a constituir um sério problema de Saúde Pública nas áreas indígenas agravado pela falta de recursos humanos e materiais adequados para esta população.


7. CARACTERÍSTICAS ÉTNICO-SOCIAIS


7.1. Bororos Ocidentais


Apesar de estarem em contato com a sociedade nacional, desde o início do século XVIII, os Bororos Ocidentais se mantém como um grupo étnico diferenciado, face a outros segmentos da sociedade brasileira, na dinâmica de sua vida material e espiritual. Contam com uma população de 435 pessoas, distribuídas em 9 aldeias. Habitam áreas descontínuas, situadas no Estado do Mato Grosso, correspondendo a 0,1% de seu território tradicional e cercado por fazendas agropecuárias. No ordenamento espacial, as aldeias são divididas por uma linha imaginária, separando as duas metades Exerae e Tugarege. Suas casas estão dispostas em forma circular em torno da casa dos homens com exceção de duas aldeias que vivem em torno da Missão Católica dos Salesianos, Meruri e Morada dos Bororos com um tipo de ordenamento especial. Oposição e complementariedade é que organizam as relações entre as metades Exerae e Tugarege. O sistema de parentesco é bilateral, reconhecem socialmente os parentes do lado materno e paterno, a descendência é matrilinear, ou seja, pertencem ao nascer a linguagem da mãe (a sua metade e ao seu clã). Quanto à língua falada, é classificada como pertencente ao tronco lingüístico Macro-Jê, família Bororo. São matrilocais quanto à regra de moradia, isto é, após o casamento o noivo passa a habitar a casa da esposa, juntamente com os familiares desta. Os Bororos continuam enfrentando graves problemas em seu contato com os não índios, como redução de suas terras tradicionais, alcoolismo e doenças advindas do contato com a sociedade nacional e das mudanças impostas por esta em seus hábitos alimentares, organização social e outros. Albisetti1


7.2. Xavante


O Xavante é uma nação Jê e vive em seis reservas, localizadas numa área entre os rios Araguaia e Batovi, no leste mato-grossense, contando com uma população de 3.114 índios. Caracteriza-se pelo dualismo, em termos de organização social e se divide em duas metades Öwawê e Poredzaöno. Estas metades se complementam e os casamentos são entre clãs diferentes (exogamia); Öwawê não se casa com Öwawê. A regra de filiação dos clãs é patrilinear (o filho recebe o clã do pai). Uma das características do casamento Xavante é a matrilocalidade (marido passa a morar na casa do pai da esposa). Em função desta regra, a casa Xavante (maloca) abriga várias famílias nucleares (pai, mãe, filhos). A poligamia é permitida, com anuência do sogro, ocorrendo normalmente casamento com irmãs consangüíneas. Entre os rituais Xavantes um dos mais marcantes é a iniciação masculina, ocorrendo por volta dos 11 aos 13 anos de idade (não se leva em conta a idade e sim a estatura). Os rapazes são isolados da família, passando a viver em uma casa (maloca) - Hö, feita especialmente para eles e, durante este período, recebem os ensinamentos dos seus padrinhos. A sua formação consiste na aprendizagem de cantos, danças, rituais, preparo físico, aprendizado de caça e uso de armas. A iniciação tem uma duração média de 5 anos. Os rapazes que atravessam juntos este ritual de iniciação vão constituir um “grupo de idades” mantendo uma relação cerimonial por toda a vida. O conhecimento dos rituais de cura e da medicina tradicional é dividido entre grupos onde cada um deles domina uma parte do conhecimento, sendo o grupo considerado como proprietário. A socialização é feita por um sistema de trocas. Lewis4


II - PROPOSIÇÃO - TÍTULO V


Pretende-se traçar um perfil dos casos notificados de Tuberculose Pulmonar dos índios Bororos e Xavantes, segundo as variáveis:


1. ANO DE OCORRÊNCIA
2. ETNIA
3. SEXO
4. FAIXA ETÁRIA
5. FORMA DE TRATAMENTO
6. MOTIVO DA SAÍDA DO PROGRAMA.


III - MATERIAL E MÉTODO - TÍTULO V


Esta pesquisa foi realizada no Pólo Regional de Saúde de Barra do Garças - MT e na Casa de Saúde Indígena - Aragarças - GO. Os dados foram colhidos de Fichas do Programa de Tuberculose. O levantamento abrangeu o período de 24 de janeiro de 1987 a 23 de dezembro de 1996. A amostra foi de 64 casos, correspondendo ao total de casos ocorridos no período. A seguir, será apresentado um modelo da ficha utilizada para a pesquisa.

FICHA-MODELO - TÍTULO V

IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO - TÍTULO V

TABELA I - TÍTULO V

TABELA II - TÍTULO V

TABELA III - TÍTULO V

TABELA IV - TÍTULO V

TABELA V - TÍTULO V

TABELA VI - TÍTULO V

V - CONCLUSÃO - TÍTULO V


Pelo exposto pode-se concluir, quanto a:

1) período: aumento de casos nos últimos 3 anos;

2) etnia: maior número de casos nos Xavante;

3) sexo: maior incidência no sexo masculino;

4) faixa etária: predominância na população mais idosa, de 70 anos ou mais;

5) forma de tratamento: o Esquema I foi o mais utilizado;

6) motivo da saída do programa: predominou a cura.


VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS - TÍTULO V


1. ALBISETTI, C.; VENTURELLI, A. J. - Enciclopédia Bororo - Campo Grande, MT: Publicação no 1 do Museu Regional Dom Bosco, 1962.

2. BIER, O. - Microbiologia e Imunologia - 23a edição - São Paulo: Editora Melhoramentos, 1984.

3. BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE - MS - Manual de Normas para o Controle de Tuberculose - 4a edição - Brasília, DF, 1995.

4. LEWIS, D. M - Akwê Schavante Society - Oxford University Press, Inc - 1974 (tradução Aracy Lopes da Silva), Universidade de São Paulo - Editora Francisco Alves - Rio de Janeiro, 1984.

5. MINISTÉRIO DA SAÚDE DO BRASIL - Relatório da Oficina de Trabalho para adequação de Normas Técnicas para controle de tuberculose em área indígena (N.T.O.C.T.A.I.) - Brasília, 8/9 de agosto de 1996.

6. OLIVEIRA, A. G.; SCARPA, M. V. - Vetorização Intracelular de Fármacos em Infecções Bacterianas, através de Lipossomas - in INFARMA. Vol. 6 p.12 - 18. jan/jun de 1997.

7. ZANINI, A. C.; OGA, S. - Farmacologia Aplicada. São Paulo: Atheneu Editora, 1979.


TÍTULO VI-


OBESIDADE - UM PERFIL DOS CLIENTES ATENDIDOS NO CONSULTÓRIO DE NUTRIÇÃO E DIÉTOTERAPIA EM CIANORTE - PR.


MARIA MADALENA PREZOTTO


FOTO - MARIA MADALENA

SUMÁRIO - TÍTULO VI
RESUMO
I - INTRODUÇÃO
II - PROPOSIÇÃO
III - MATERIAL E MÉTODO
IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO
V - CONCLUSÃO
VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

RESUMO - TÍTULO VI


O objetivo deste trabalho foi traçar o perfil do cliente obeso, na cidade de Cianorte - Paraná, no período de 1 de junho a 1 de outubro de 1998 utilizando fichas de 100 clientes obesos atendidos em consultório privado de Nutrição e Dietoterapia escolhidos ao acaso, segundo as variáveis: idade; sexo; renda familiar; estado civil; profissão; grau de instrução e grau de obesidade. Algumas informações fornecidas aos clientes em fase de tratamento, foram anotadas paralelamente enfatizando o trabalho de conscientização desenvolvido no consultório. A conclusão foi: os clientes obesos analisados se concentravam na faixa etária de 8 ?? 18 anos, sexo feminino, renda familiar superior a 18 salários mínimos, casadas, grau de instrução correspondendo ao 2º grau completo e alto grau de obesidade.


I - INTRODUÇÃO - TÍTULO VI


Nos últimos 30 anos, a vida nas regiões do mundo, sofreu grandes alterações. A mão-de-obra foi substituída, em larga escala, pelas máquinas, o transporte ficou mais fácil, as atividades de lazer sofreram influência da tecnologia, eletrodomésticos sofisticados e outros avanços facilitaram o cotidiano provocando uma considerável redução no esforço físico do ser humano. Em conseqüência desta mudança comportamental, diminuíram as necessidades energéticas do corpo, mas os hábitos alimentares não foram readaptados à nova realidade.

Os hábitos alimentares da sociedade moderna e industrializada, estão voltados para o consumo de alimentos rápidos, práticos e gordurosos (lanches, refrigerantes, chocolates, pipoca e outros) contribuindo para o aparecimento de doenças cardiovasculares, infarto, problemas respiratórios, circulatórios e esqueléticos, elevando a taxa de mortalidade da população.

Entre as enfermidades relacionadas aos maus hábitos alimentares, encontra-se a obesidade, assim definida:

“...Um excesso de gordura corporal freqüentemente resultando num significante prejuízo à saúde.” (WAITZBERG)5

“...O acúmulo excessivo de gordura no tecido adiposo.” (NASCIMENTO; KARIYA)3

“...É o resultado de um balanço energético positivo relacionado a ingesta calórica excedendo as necessidades energéticas da pessoa.” E ..."um estado corporal caracterizado pelo depósito generalizado e excessivo de gordura no tecido adiposo.” (ANDERSON et al)1

“...É o acúmulo excessivo de gordura nos depósitos.” (LEDERER)2

“...Alteração do estado nutricional por excesso de ingesta.”(WAITZBERG)5

Segundo ANDERSON et al(1) "pesquisadores definem uma pessoa como obesa, quando se apresenta com 20% acima do peso para sua idade e sexo nas TABELAS de peso. Outros podem usar 5 a 10% como critério. Tais critérios não diferenciam “excesso de gordura de excesso de peso”.

Na citação de WAITZBERG(5) “de acordo com TABELAS do Metropolitan Insure, a obesidade maior do que 20% do peso corporal ideal associa-se a um aumento de morbimortalidade."

Há várias interpretações sobre o grau de obesidade do ser humano no consultório de Nutrição e Dietoterapia, onde a pesquisa foi realizada sendo a classificação feita da seguinte forma: para excesso de peso inferior a 10%, foi considerado obesidade leve ou discreta; valores compreendidos entre 10% e 20% acima do peso ideal, considerados obesidade moderada; valores entre 20% e 30% acima do peso ideal, refletem obesidade intensa e mais de 30% acima do peso ideal, resultam em obesidade extrema. O peso ideal corresponderá a uma pessoa normal de acordo com seu tamanho, idade e sexo. Para calcular o peso ideal pode-se utilizar fórmulas ou consultar as TABELAS existentes.

Nos últimos anos, as TABELAS peso-altura foram reavaliadas e revisadas. Assim, quando o desenvolvimento estatural completou-se ao redor dos 20 anos, não há necessidade biológica de ganhar peso além do satisfatório para cada pessoa. Do mesmo modo, o melhor prognóstico de saúde é encontrado naqueles que alcançaram e mantiveram um peso razoável durante a vida. As TABELAS peso-altura revistas refletem a preocupação em manter, durante a vida, um peso adequado a uma pessoa de 25 anos. As TABELAS de peso ideal da Metropolitan Life Insure Company, publicadas em 1960, fornecem as variações por altura para homens e mulheres de 25 anos ou mais, permitindo diferenças quanto a estatura corporal, designada como pequena, média ou grande. A obesidade é um grave problema de saúde pública. Pesquisas realizadas mostram, nos Estados Unidos, 50 milhões entre 200 milhões de pessoas, acima do peso ideal. Tem sido observada a ocorrência mais freqüente de diabetes mellitus e hipertensão em obesos com relação às pessoas de peso normal . A obesidade acarreta diminuição da qualidade de vida e afastamento precoce de milhões de trabalhadores do mercado de trabalho. A obesidade parece ter etiologia multifatorial e além do desequilíbrio energético, pode ser desencadeada por fatores biológicos, culturais, genéticos, hormonais e psicossociais. Em qualquer época da vida, o alcance e a manutenção do peso adequado são determinados pela própria pessoa, porém, durante a infância, o controle da alimentação e a introdução de hábitos alimentares saudáveis na família constitui responsabilidade dos pais. Uma ração alimentar excessiva no primeiro ano de vida, pode refletir no futuro, ocasionando problemas com o peso ao longo da vida. O ganho excessivo de peso ocorre com freqüência em certas faixas etárias ou períodos da vida sendo comum observar problemas com obesidade em mulheres após os 45 anos e entre adolescentes. Entretanto, desde as fórmulas lácteas da infância até as refeições servidas aos adultos, o valor energético dos alimentos é fundamental para a manutenção do peso para um tratamento dietético da obesidade. (ANDERSON et al)1

Ao considerar incidência e prevalência da obesidade no mundo, os profissionais da saúde devem concentrar a atenção na alimentação preventiva, orientando a população para um processo de reeducação alimentar, incentivando mudanças no comportamento e divulgando informações que permitam ao ser humano optar por uma alimentação saudável e adequada às suas necessidades de acordo com a sua vida. (SILVA)4

O tratamento da obesidade é complexo, o sucesso para atingir suas metas e alto grau de satisfação, depende de maior conhecimento das causas da doença.

O uso de moderadores de apetite no tratamento da obesidade, é discutível, porém, só podem ser utilizados sob estrito controle médico, em casos extremos de obesidade, acompanhados de dieta hipocalórica e atividades físicas. Os moderadores de apetite, também chamados anoréxicos, são redutores ou supressores do apetite, agindo sobre os centros cerebrais reguladores do apetite, situados no hipotálamo. Podem provocar efeitos colaterais como: náuseas; secura na boca; dor de cabeça; prisão de ventre; retenção de urina e são contra-indicados para cardíacos, hipertensos, pessoas nervosas e gestantes. Os moderadores de apetite, na maioria, são derivados de anfetaminas e criam dependência, obrigando os usuários a aumentar progressivamente a dose e impedir a redução do efeito. O tratamento da obesidade pela dietoterapia é muito utilizado. A dieta elaborada deve suprir as necessidades qualitativas do organismo, porém terá um aporte calórico reduzido, devendo o gasto energético do cliente ser superior a ingestão calórica. “Alguns médicos calculam o nível de restrição de calorias multiplicando o peso ideal para o cliente obtido em uma TABELA altura-peso por um fator de 10 calorias. Independente do nível de restrição calórica prescrito, e por variações na seleção diária de alimentos e tamanho das porções, a ingestão calórica real em casa não eqüivale exatamente ao número de calorias prescritas. Por exemplo, uma dieta de 1.200 calorias pode variar de 1.000 a 1.400 calorias. Da mesma forma, a atividade física varia de um dia para o outro.” (ANDERSON et al)1

A escolha deste tema - Obesidade - decorreu da preocupação com os índices alarmantes de pessoas obesas, cada vez mais crescente na sociedade. A falta de esclarecimento da população em relação a composição dos alimentos e a sua interação com o organismo é muito grande. O resultado de uma alimentação inadequada, pode causar sérios prejuízos à saúde, fato desconhecido por muitas pessoas.

Para diminuir a incidência da obesidade em nível global, os órgãos competentes devem ativar mecanismos de controle e prevenção desta patologia, com campanhas de informações sobre alimentação equilibrada e balanceada, incentivando os profissionais de nutrição a assumir o compromisso de promover, preservar e recuperar a saúde das pessoas. (SILVA)4


II - PROPOSIÇÃO - TÍTULO VI


O objetivo deste trabalho é traçar o perfil do cliente obeso atendido em consultório de Nutrição e Dietoterapia com problemas de peso corporal.

Foram utilizadas as variáveis:

• IDADE
• SEXO
• RENDA FAMILIAR
• ESTADO CIVIL
• OCUPAÇÃO
• GRAU DE INSTRUÇÃO
• GRAU DE OBESIDADE


III - MATERIAL E MÉTODO - TÍTULO VI


A pesquisa foi realizada em consultório de Nutrição e Dietoterapia, na cidade de Cianorte - PR, no período de 1 de junho a 1 de outubro 1998 e analisadas as fichas de identificação de 100 obesos, escolhidos ao acaso, conforme ficha-modelo a seguir:

FICHA-MODELO - TÍTULO VI


IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO - TÍTULO VI


TABELA I - TÍTULO VI

TABELA II - TÍTULO VI

TABELA III - TÍTULO VI

TABELA IV - TÍTULO VI

TABELA V - TÍTULO VI

TABELA VI - TÍTULO VI

TABELA VII - TÍTULO VI


V - CONCLUSÃO - TÍTULO VI


Pelos dados obtidos, concluiu-se quanto a:

1 - faixa etária: a maior incidência de obesidade ocorreu na faixa etária de 8 - 18 anos;

2 - sexo: predominou o feminino;

3 - renda familiar: a renda familiar superior a 18 salários mínimos foi a predominante;

4 - estado civil: a maior obesidade ocorreu nos casados;

5 - ocupação: os estudantes foram mais frequentes ;

6 - grau de instrução: observou-se predominância de clientes com 2ª grau completo; e

7 - grau de obesidade: constatou-se maioria absoluta de clientes com mais de 30,00% acima do peso ideal.


VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS - TÍTULO VI


1. ANDERSON, L. et al - NUTRIÇÃO - 17º ed. Rio de Janeiro: Guanabara - 1988.

2. LEDERER, J. - MANUAL DE DIETÉTICA - São Paulo: Editora Manole Dois - 1990.

3. NASCIMENTO, A. G. ; KARIYA, C. T. - OBESIDADE NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA - In Jornal CFN - Dezembro - 1998.

4. SILVA, M. C. M. - EPIDEMIOLOGIA DA OBESIDADE - In Jornal CFN - Dezembro - 1998.

5. WAITZBERG, D. L. - NUTRIÇÃO ENTERAL E PARENTERAL NA PRÁTICA CLÍNICA - São Paulo: Atheneu - 1997.


TÍTULO VII-


PERFIL DOS USUÁRIOS DE PLANTAS MEDICINAIS EM ARAGARÇAS - GO


AGDA RABELO


FOTO - AGDA


SUMÁRIO - TÍTULO VII
RESUMO
I - INTRODUÇÃO
II - PROPOSIÇÃO
III - MATERIAL E MÉTODO
IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO
V - CONCLUSÃO
VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


RESUMO - TÍTULO VII


Este trabalho tem como objetivo analisar o papel do usuário das plantas medicinais em Aragarças - GO. Foram utilizadas as variáveis: sexo, idade, grau de instrução, ocupação e renda familiar. A pesquisa foi realizada com 100 pessoas escolhidas aleatoriamente, no período de 1 a 30 de setembro de 1997. Foram anotados os nomes vulgares das plantas, as partes utilizadas, o modo e as indicações medicinais. As plantas serão apresentadas por ordem alfabética dos nomes vulgares, seguindo-se o binômio específico e a respectiva família botânica. As pessoas que utilizaram plantas medicinais de acordo com os entrevistados, apresentam-se na maioria com baixa renda, pouca instruções de escolaridade, do sexo feminino, dona do lar, estando na faixa etária compreendida entre os 45 ??? 55 anos.


I - INTRODUÇÃO - TÍTULO VII


História e Tradições.

Os antepassados mais remotos dos milhares de remédios disponíveis não têm muito mais do que cem anos de idade.

Até 1828, quando Friedrich Wohler produziu a síntese da uréia a partir de uma substância inorgânica , o cianato de amônio , o homem não concebia como fonte de matéria orgânica qualquer coisa que não fosse vegetal ou animal. Isto significa que, descontado apenas o século XX, a história da medicina encontra-se intimamente ligada às plantas medicinais.

Numerosas etapas marcaram a evolução da arte de curar, porém, torna-se difícil delimitá-las com exatidão, pois a medicina esteve longamente associada a práticas mágicas, místicas e ritualísticas.

A partir da antigüidade, passou-se a acreditar no domínio da magia do reino vegetal repousando no conhecimento dos espíritos das plantas-habitantes do plano astral aspirando elevar-se até a condição humana. Segundo a crença, retomada pelo alquimismo e sustentada pelo ocultismo, estes seres, dotados de inteligência instintiva e intenso poder sobre o plano material, poderiam efetuar curas surpreendentes, bastando para isso, serem bem dirigidos. A arte de preparar filtros - porções elaboradas com substâncias mágicas para realizar determinados desejos - ainda é praticada, atualmente, no Oriente. Com preparação relacionada à magia negra, as pomadas, os ungüentos e as poções teriam o poder de atuar sobre o corpo astral e produzir fenômenos fisiológicos a paranormais, da paixão ao ódio, da cura de doenças à morte.

Mesmo a medicina popular ocidental muitas vezes se realiza na lógica da magia misturando o conhecimento dos efeitos terapêuticos de certa planta com invocações e rezas para expulsar as doenças.

Concebidas ou não como seres espirituais, as plantas adquiriram fundamental importância na medicina popular por suas propriedades terapêuticas ou tóxicas.

No ano 3000 a.C., a China se dedicava ao cultivo de plantas medicinais, iniciando Sheu-ing. A obra do imperador Cho-Chin-Kei, o ''Hipócrates chinês'', é o que há de mais destacado na farmacognósia - parte da farmacologia tratando das substâncias medicinais antes de serem manipuladas - chinesa antiga. Nela, a raiz de Ginseng é consagrada como a cura de todos os males; sendo mencionadas, ainda, as virtudes do ruibarbo, do acônito e da cânfora.

Desde 2.300 a.C. os egípcios cultivavam diversas ervas e traziam de suas expedições tantas outras. Com estas plantas, chegaram a criar purgantes, vermífugos, diuréticos, cosméticos e ervas aromáticas para a cozinha. Além disso, grande quantidade de líquidos perfumados, antissépticos, gomas e diversas matérias de origem vegetal eram utilizadas no embalsamento de múmias.

Pela riqueza e exuberância de sua flora medicinal, alguns autores cognominaram a Índia o ''Eldorado dos medicamentos ativos''. Como o sândalo, a canela e o cardamomo. Do segundo período bramânico, datam três obras fundamentais -, o Caraca, o Sùsruta e o Vagabhta - sobre essências, elixires, purgantes, vômitos, sucos açucarados, tinturas, extratos aquosos e outros, e exaltam as virtudes de certos vegetais e de diversos outros medicamentos e receitas.

As plantas e o valor terapêutico ou tóxico de algumas delas eram bastante conhecidas na Antiga Grécia. Em muitos jardins e hortas cultivavam-se determinadas espécies medicinais. Hipócrates (460-377 a.C.), denominado o ''Pai da Medicina'', reuniu em sua obra ''Corpus Hippcraticum'' a síntese dos conhecimentos médicos de seu tempo, indicando, para cada enfermidade, o remédio vegetal e tratamento adequado.

Pimenta, canela, gengibre, cardamomo, mirra, goma-arábica, dormideira, sementes de linho, de gergelim e de rábano, mel de abelhas, corantes e especiarias, tudo isso Roma importava da África, da Espanha e do Oriente. Extremamente dependentes das ervas par uso medicinal e culinário, os romanos sabiam empregar certas plantas venenosas para se livrar dos seus inimigos, o que faziam com bastante freqüência. Entre os médicos mais destacados encontram-se Colúmela, Paladius, Plínio e Galeno. Este último, considerado o "Pai da Farmacêutica" devido à maneira como elaborava os medicamentos, escreveu mais de 200 obras.

Na Idade Média, a medicina e o estudo das plantas medicinais sofreram um longo período de estagnação. Na época, as obras de Dioscórides, Columela, Galeno e Plínio eram consulta obrigatória, ocorrendo, ainda, o triunfo da "medicina dos dignos".

Na Europa, apenas os monastérios mantiveram viva a literatura medicinal. Ali era preservado todo tipo de conhecimento com o auxílio dos escribas, cuja função consistia na cópia de manuscritos. Para os monges, freqüentemente médicos, cuidar de doentes era considerado uma das obrigações cristãs.

Deram, ainda inicio à iatroquímica, postulando a cura das doenças como a verdadeira finalidade da química. Essa doutrina teve de conviver com a teoria da "assinatura dos corpos", baseada na analogia entre as propriedades curativas de uma planta ou animal e a sua forma, seu aspecto, sua cor. Desse modo, em vegetal cujas raízes tinham forma dos órgãos genitais era indicado contra esterilidade, enquanto outro, de sabor amargo e seiva das flores amarelas, servia contra males hepáticos.

Dentre os alquimistas destaca-se Teophrastus Bombastus Von Hohenheim, mais conhecido como Paracelso, um dos principais responsáveis pelo avanço da terapêutica. Com este médico, teólogo e filósofo seriam lançadas as bases da medicina natural.

Para Paracelso, os corpos, orgânicos ou minerais, constituíam combinações variadas de três elementos fundamentais: o enxofre (fogo), o mercúrio (água) e o sal (terra), ou seja, a volatilidade, a fluidez e a solidez. Essa "Teoria dos Três Princípios", considerava como premissa de toda atividade e alicerça seus ensinamentos sobre as qualidades da matéria.

O poder curativo de uma planta reside, para Paracelso, em seu próprio espírito. Como, em seu estado natural, a atividade do espírito é limitada e sua luz obscurecida pela matéria, torna-se necessário depurá-la, eliminando o inútil e fixando o seu verdadeiro conteúdo. Esta mudança ou transmutação deveria ser efetuada por cocção, durante a qual se acrescentaria uma substância capaz de absorver todo o tipo de impureza. A escolha desta substância depende da consideração do tipo ideal para a qual tende a planta, sendo preciso efetuar-se a cocção com um sal mineral da mesma força planetária. Entrando em cena, combinada com as práticas laboratoriais, a astrologia.

A teoria de Paracelso, reconhecendo a relação entre o corpo e a alma, preconizava, em última análise, uma terapêutica total, englobando elementos místicos e práticas esotéricas (1).
Até meados do século XX, quando Fleming apresentou ao mundo o primeiro antibiótico (Penicilina) a medicina curativa se sustentava na extração de plantas e minerais.

Com a descoberta do Brasil em 1.500, os colonizadores começaram a incorporar a tradição nativa à sua mezinha e, posteriormente, com a chegada dos escravos, também a "medicina africana", foi incorporada, deixando o País numa posição privilegiada em recursos e alternativas de cura.(3)

A utilização de plantas na prevenção e cura de moléstias, condicionada a um processo de experimentação empírica desde os tempo mais remotos, constitui a base da medicina popular. Retomada, há algum tempo, pela medicina natural, procurando aproveitar suas práticas, dando-lhes respaldo científico e integrando-as num conjunto de princípios visando curar doenças e restituir o homem à vida natural.

A medicina natural ou terapêutica total baseia-se no fato das doenças, embora locais, afetarem a totalidade da pessoa e o tratamento também abranger o homem total.

Como a ervas medicinais contêm substâncias cujos efeitos se harmonizam reciprocamente, são empregadas, quase sempre na sua totalidade. Estendido à alimentação, este princípio implica no consumo de alimentos em estado natural: crus e produtos cerealíferos integrais. E, como filosofia de vida, significa assumir um modo de vida natural, sem excesso de qualquer espécie ou o uso de substâncias tóxicas ao organismo, como o fumo, o álcool, e outros.

O segundo princípio da medicina natural é o tratamento inócuo, pela utilização de remédios naturais bem administrados, não sobrecarregando o organismo nem produzindo efeitos secundários.

Os métodos terapêuticos dessa linha medicinal ao rejeitarem o uso de substâncias químicas, não existentes na natureza, estimulam a resistência do organismo por processos naturais, auxiliando-o a lutar contra a doença.

A medicina natural não constitui uma terapêutica fácil, requerendo muita paciência, total colaboração do doente e a mudança de alguns hábitos perniciosos. No entanto, como seus métodos são, de maneira geral, acessíveis a todos e de aplicação simples, muitas vezes, o doente tenta tratar-se sozinho, podendo causar-lhe sérios prejuízos. Doenças simples podem ser combatidas em casa, por estes métodos.

Falta à medicina natural uma avaliação científica, metódica e exata, permitindo constatar as virtudes propaladas de certas ervas medicinais e descobrir outras de suas propriedades benéficas.

Longe de negar a eficácia dos remédios e das técnicas cirúrgicas da medicina clássica, a natural procura, destacar as vantagens decisivas dos seus métodos. Estes, quando bem aplicados, não provocam efeitos colaterais, mesmo utilizados durante um longo período e estimulando as defesas naturais do corpo(1).

A saúde e a enfermidade não são meros problemas materiais, pois não se trata simplesmente de doenças ou de saúde e como seres racionais completos, estamos sãos ou enfermos. A enfermidade é um problema físico e moral total. Buda tinha parcialmente razão quando afirmava "toda a dor que afeta o homem é fruto dos seus erros, apetites e descuidos". O melhoramento físico deve ser acompanhado de uma recuperação da ordem na nossa consciência, tanto mais quanto o conteúdo do nosso mundo espiritual é de uma importância às vezes decisiva para estrutura orgânica e suas funções.

A alimentação chegou a converter-se, hoje, por muitas causas, num problema complexo. A progressiva industrialização, o crescimento das cidades, os transportes para maiores distâncias e os necessários armazenamentos, são fatores conduzindo, inevitavelmente, a perda no seu valor e propriedades. O grande caminho a percorrer do produtor ao consumidor, criou a necessidade de se recorrer a processos e tratamentos de conservação também prejudiciais para o valor biológico dos alimentos. Os hábitos de alimentação da moderna sociedade industrializada, com a sua preferência para os alimentos "puros" (como açúcar branco, a flor de farinha e o sal comum), a grande quantidade de carnes, as gorduras e os azeites elaborados industrialmente, são responsáveis pelo aparecimento de enfermidades da civilização, por defeitos constitucionais e outros transtornos de saúde.(4)

Em maio de 1978, Resolução da XXXI Assembléia Geral a Organização Mundial da Saúde - OMS, Órgão das Nações Unidas, determinou o início de um programa mundial para avaliar e utilizar os métodos da medicina popular.

Por quê a OMS, tendo como uma de suas metas "a saúde para todos até o ano 2000", daria sua aprovação a uma tendência generalizada de retorno ao tratamento de doenças com plantas?

Na verdade, enquanto as ervas se encontram ao alcance de todos, o emprego de medicamentos industrializados apresenta como principal obstáculo o seu alto custo, tanto para o consumidor como para as entidades previdenciarias, agravado pelo problema dos efeitos colaterais ocasionados pelo seu uso.

As ervas e plantas medicinais podem auxiliar a promover o restabelecimento do organismo do homem, perturbado pela doença, repondo a harmonia das funções e estimulando capacidades de resistência natural.

Devemos voltar os olhos para a milenar técnica de aproveitamento das plantas medicinais, remédios naturais de que o homem se vale desde sua origem.(1)

Por fim, uma observação a ser dada a população: Ninguém é mais preparado e indicado para aconselhar e prescrever o tratamento adequado do que um médico. Não tente fazer um diagnóstico ou receitar alguma coisa para alguém. Essa é uma tarefa do profissional de saúde. Veja as ervas, como excelentes coadjuvantes no tratamento.(2)

PREPARAÇÃO DE MEDICAMENTOS

O aproveitamento adequado dos princípios ativos de uma planta exige um preparo correto, através de uma série de operações sofisticadas, constituindo a arte farmacêutica e expostas de maneira simplificada, para capacitar o leitor à manipulação de seus medicamentos.

CATAPLASMA

Preparações para uso externo, de consistência mole, compostas de pós ou farinhas diluídas em água, cozimentos, infusões, vinho ou leite. Quando empregadas como maturativas, devem ser aplicadas quentes; como revulsivas, mais quentes ainda e como calmante ou sobre tumores inflamados e dolorosos, mornas. Para preparar cataplasmas quentes dissolve-se farinha em água, na quantidade necessária para formar uma pasta, a ser cozida até adquirir a consistência adequada. Os pós aromáticos, ungüentos, azeites, tinturas, e outros, misturados ou recobrir a sua superfície ao serem retirados do fogo. Obtém-se cataplasmas frias ao se misturar farinha ou pós com a quantidade suficiente de líquido para dar consistência adequada. As cataplasmas são aplicadas entre dois tecidos, preferencialmente de linho.

DECOCÇÃO

Gênero de preparação adotado para plantas perdendo sua eficácia em contato com o fogo ou quando se utilizam partes compactadas e lenhosas. Consiste em ferver uma substância em um veículo qualquer. De acordo com a duração e a saturação do líquido empregado, as decocções classificam-se, em leves ou brandas, carregadas ou concentradas.

INFUSÃO

Preparação simples, indicada para plantas que sofrem alterações, perdendo suas propriedades se submetidas a cozimento prolongado. Preparar uma infusão significa verter água fervente sobre determinadas partes da planta, colocadas em recipientes adequados, devendo ser tampados, deixando-se a mistura em repouso por tempo variando de 10 ou 15 minutos, para substâncias com tecidos delicados (folhas e flores), a algumas horas, quando se trata de raízes. Para coar ou filtrar o líquido, um coador comum ou uma tela podem ser utilizados.

CONTUSÃO

Preparação muito usada, consiste em pilar ou amassar, fortemente uma substância colocada num gral, para destruir a coesão das moléculas.

FILTRAÇÃO

Operação cujo objetivo é separar do líquido ( solução, sumo, tisana, tintura, xarope) partículas em suspensão. A filtração é substituída pela coadura, quando não se exige uma perfeita transparência do líquido. Para filtração, emprega-se papel de filtro, enrolado de forma cônica, colocado dentro de um funil. Quanto à coadura é feita através de tecidos de lã e de pedaços quadrados de algodão ou baeta, podendo usar-se, uma espécie de saco cônico de algodão, lã ou feltro.

MACERAÇÃO

Operação destinada a retirar os princípios medicamentosos de uma planta pelo seu contato, à temperatura ambiente, com determinado veículo. A maceração pode durar horas, dias ou até semanas. Quando o veículo utilizado for a água, esta deve ser doce (de rio, manancial ou chuva) e nunca de poço. A maceração apresenta como inconveniente a lentidão e um início de decomposição da massa, antes de se efetuar a penetração total das substâncias. Este inconveniente pode ser evitado se utilizar como veículo o vinho, o vinagre ou o álcool.

SUCOS

Por este termo se designam os produtos líquidos contidos nas plantas, seja qual for a sua natureza. Os sucos dividem-se em aquosos extrativos e ácidos. Os sucos aquosos extrativos, em geral retirados das folhas de plantas herbáceas, podem ser usados puros ou entrar no preparo de extratos, xaropes, e outros.

Os sucos ácidos procedem dos frutos e caracterizam-se pela presença de um ácido, quase sempre livre. Os sucos ácidos podem ser tomados puros, diluídos em água ou empregados no preparo de xaropes.

TINTURAS

O termo tintura designa o álcool - absolutamente puro - onde foram dissolvidos os princípios ativos da planta. Para o preparo de tinturas deve-se secar e dividir as partes das plantas a serem deixadas no álcool, por um tempo mais ou menos prolongado, de acordo com a sua maior ou menor facilidade em ceder os seus princípios. Depois de obtida, a tintura é filtrada e os resíduos espremidos em uma prensa, para se extrair o líquido restante. Para o uso interno, as tinturas devem ser administradas em pequenas doses ( 20 a 25 gotas), puras ou misturadas em poções. Externamente, podem ser utilizadas em maior quantidade.

TISANAS

O termo tisana aplica-se, genericamente, às soluções, macerações, infusões e decocções. Agregadas a xaropes, tinturas, extratos ou outros ingredientes, passam a ser denominadas poções.

TORREFAÇÃO

Usando fogo como agente e como meio, esta operação visa privar algumas substâncias da água podendo conter e modificar algumas de suas propriedades, fazendo-as sofrer um princípio de decomposição.

VINHOS MEDICINAIS

São preparações onde as substâncias vegetais sofrem a ação dissolvente do vinho de pureza absoluta. Os vinhos medicinais reúnem as vantagens das tisanas e tinturas, pois os diferentes princípios contidos no vegetal podem ser dissolvidos pela sua água e seu álcool. A preparação é muito simples, bastando macerar os vegetais (depois de bem limpos, picados e molhados em álcool) em vinho, durante alguns dias, filtrar o líquido e conservá-lo em local fresco. Para se obter uma preparação diurética, o vinho branco é o recomendado.

A autora escolheu o tema pela importância da Medicina Alternativa, o baixo poder aquisitivo da população e divulgar o valor da preservação do conhecimento do emprego das plantas como medicamento, pois, com o advento dos medicamentos industrializados, o interesse por este conhecimento foi diminuindo e muitos raízeiros desapareceram sem deixar registradas suas experiências e são fontes importantes para os trabalhos de Fitoquímica, Farmacologia e Parasitologia.


II - PROPOSIÇÃO - TÍTULO VII


Objetivamos neste trabalho, traçar um perfil do usuário das plantas medicinais que buscam a cura pelo uso das plantas, uma tradição passando de pai para filho. Foram utilizadas as seguintes variáveis:

• IDADE
• SEXO
• GRAU DE INSTRUÇÃO
• OCUPAÇÃO
• RENDA FAMILIAR


III - MATERIAL E MÉTODO - TÍTULO VII


A pesquisa realizou-se em Aragarças -GO, no período de 1 a 30 de setembro de 1997. Foram entrevistados 100 pessoas escolhidas aleatoriamente, conforme FICHA-MODELO apresentada a seguir:

FICHA MODELO - TÍTULO VII


IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO - TÍTULO VII


TABELA I - TÍTULO VII

TABELA II - TÍTULO VII

TABELA III - TÍTULO VII

TABELA IV - TÍTULO VII

TABELA V - TÍTULO VII

V - CONCLUSÃO - TÍTULO VII


Pelos dados obtidos, concluímos quanto a:

1. faixa etária: a maioria dos entrevistados encontra-se na faixa etária de 45 ??? 55 anos;

2. sexo: grande predominância no sexo feminino;

3. o grau de instrução é muito baixo com casos de 1o grau incompleto e completo, constituindo a maioria absoluta dos entrevistados;

4. ocupação: observou-se grande predominância na ocupação de donas de casa;

5. renda familiar: predominou a faixa de 1 salário mínimo


VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS - TÍTULO VII


1. CORDEIRO, R. et al - A ARTE DE CURAR, DA ANTIGÜIDADE À IDADE MÉDIA - São Paulo: Editora Três Ltda., 1996.

2. IAMONI, RAUNEI - A CURA PELOS REMÉDIOS CASEIROS - Rio de Janeiro: Ediouro, 1997.

3. SIQUEIRA, J. C. - UTILIZAÇÃO POPULAR DAS PLANTAS DO CERRADO - São Paulo: Editora Loyola, 1981.

4. SCHNEIDER, E. - A CURA E A SAÚDE PELOS ALIMENTOS - São Paulo: Editora Casa Publicadora Brasileira, 1989.


VII - ANEXO - TÍTULO VII


RESULTADOS DAS PLANTAS PESQUISADAS

ABACATE, ABACATEIRO (Persea americanaLAURACEAE)

Esta espécie tem a folhas utilizadas para o preparo de chás, indicados para o tratamento dos problemas renais. Muita difundida entre a população de Aragarças.

AGRIÃO (Piper sp PIPERACEAE)

O uso consiste no consumo das folhas fresca sob a forma de saladas, É utilizada para o tratamento dos problemas hepáticos.

ALECRIM (Rosmarinus officinalis L. LABIATAE)

O chá das folhas favorece a digestão e a cicatrização de feridas. Há indicações da sua utilização ainda para os problemas cardíacos, como depurativos e mesmo nas cólicas menstruais.

ALFAVACA (Ocimum micranthum Willd LABIATAE)

As folhas e os ramos são utilizados para o preparo de chás e banhos para curativos de gripes e ainda como calmantes.

ALGODÃOZINHO (Brosimum gaudichaudii TRÉC.MORACEAE)

Com a raiz prepare-se a infusão ou mesmo as "garrafadas", indicadas para o tratamento de manchas na pele.

ALHO (Allium sativum L..LILIACEAE)

O chá é preparado com os bulbilhos (2 a 3 bulbilhos - dentes para cada xícara de água). Após a fervura adiciona-se o suco de um limão. Dessa forma o chá é indicado para o tratamento de gripes fortes.

ARNICA (Brickelia pinifolia A GRAYCOMPOSITAE)

As folhas e ramos são colocados em álcool e posteriormente este preparado é utilizado exatamente, aplicando diretamente sobre contusões e machucaduras do corpo em suaves fricções. Este modo de preparar a arnica é conhecido popularmente por "garrafada".

ARRUDA (Ruta graveolens L.RUTACEAE)

O chá das folhas é utilizado para aliviar as dores das cólicas menstruais.

BABOSA (Alloe succotrina Lam.LLIACEAE)

A mucilagem das folhas é utilizadas em eczemas e queimaduras. As folhas trituradas são utilizadas em "furúnculos".

BARBATIMÃO (Strypnodendron adstringensLEGUMINOSAE)

Com a casca do caule prepara-se banhos que são usados contra a inflamação ovariana e qualquer outro tipo de feridas. A casca do caule deixado na água por algumas horas é tida como ótimo medicamento para úlceras.

BOLDO (Coleus barbatus BenthLABIATAE)

A folha macerada e esmagada em água fria é utilizada no tratamento de problemas hepáticos e mesmo em caso de tontura. Muito procurada para curar ressacas, provocadas por bebidas alcoólicas.

CAJÚ, CAJUEIRO (Anacardium occidentale L.ANACARDIACEAE)

Da casca do caule é preparado o chá empregado no tratamento de diabete. A resina da casca é utilizada na cicatrização de feridas.

CAMOMILA (Matricaria chamomilla L..COMPOSITAE)

Das folhas e flores são preparados chás indicados como antitérmicos. Também usados nas dores estomacais e intestinais.

CANELA (Cinnamomum zeylanicum BreynLAURACEAE)

O chá preparado com a casca e folha é utilizado contra o resfriado.

CAPIM CIDREIRA (Cymbopogon citratus L..GRAMINEAE)

O chá das folhas é muito usado no combate às gripes e dores estomacais. É aproveitado ainda no combate às febres e indicado para pessoas que sofrem de insônia. O banho é indicado para gestantes como calmante.

CARAMBOLA (Averrhoa carambolaOXALIDACEAE)

O chá preparado com folhas é utilizado para regularizar a pressão arterial e também para o tratamento de diabetes.

CEBOLA (Allium cepa L.LILIACEAE)

Pedaços de cebola são aplicadas diretamente sobre picadas de insetos. A inalação do sumo é indicada quando das hemorragias nasais. Da cebola ainda é preparado o chá que é utilizado como diurético, emoliente, nas infecções intestinais, má digestão, prisão de ventre e ainda nos casos de hemorróidas. Estas mesmas propriedades são atribuídas à cebola cozida ou crua.

DOURADINHA (Palicourea xnthophylla M. Arg.RUBIACEAE)

As folhas são utilizadas no preparo de chás indicados para os problemas renais e doenças venéreas.

ERVA CIDREIRA (Lippia alba Browm VERBENACEAE)

São utilizadas as folhas para a preparação de chás indicados como ótimos calmantes e antigripais.

ERVA DOCE (Pimpinella anisum L.UMBELLIFERAE)

As folhas e sementes servem para a preparação de chás utilizados nos problemas estomacais.

EUCALIPTO (Eucalyptus ct. Citriodoramyrtaceae)

Os chás são preparados com as folhas de preferência aquelas já desprendidas da árvore, indicados para combate de gripes e problemas respiratórios.

FEDEGOSO (Cassia occidentallis LEGUMINOSAE)

O chá preparado com as raízes é indicado para os problemas hepáticos e doenças das vias urinárias.

FUNCHO (Foeniculum officinaleUMBELÍFERAS)

O chá das folhas e o óleo é indicado no catarro bronquial. Asma, tosse renitente, flatulência intestinal, e prisão de ventre.

GENGIBRE (Zingiber officinale Ros.ZINGIBERACEAE)

Com a raiz é preparado o chá que é utilizado essencialmente no combate às câimbras e gripes.

GOIABA, GOIABEIRA (Psidim guajava L..MYRTACEAE)

O chá é preparado com as folhas e cascas do caule, indicado para a cura de disenterias. Outras informações indicam o seu uso para as gripes e aftas bucais.

HORTELÃ (Hyptis cana PohlLABIATAE)

O decocto é usado contra as dores estomacais.

LARANJA, LARANJEIRA (Citrus aurantium L.RUTACEAE)
O chá das folhas é utilizado nos momentos de febres e tosses. A queimada da casca do fruto é utilizado para os mesmos fins curativos, e as flores, por sua vez, são colocadas em álcool, e este líquido é utilizado como refresco, indicado como calmante.

MANGA, MANGUEIRA (Mangifera indica L..ANACARDIACEAE)
Prepara-se o chá das folhas, que é usado no combate das tosses e irritações da garganta em geral.

MARACUJÁ (Passiflora edulis SimsPASSIFLORACEAEO

Chá das folhas é utilizado como tônico cardíaco, enquanto o chá da casca do fruto, para o tratamento dos problemas renais. O suco do arilo amarelado que recobre as sementes é usado também para o tratamento cardíaco.

PICÃO (Bidens pilosa L.COMPOSITAE)

Das folhas e raízes são preparados chás, indicações contra hepatite e a icterícia. O chá é utilizado no tratamento renal.

ROMÃ (Punica granatumPUNICACEA)

A casca do fruto é utilizada na preparação de chás indicados no combate às diarréias. O chá das folhas tem o mesmo emprego.

SABUGUEIRO (Sambucus nigra L.CAPRIFOLIACEAE)

O chá das folhas é indicado contra o sarampo, varíola e rubéola.


TÍTULO VIII-


LEISHMANIOSE TEGUMENTAR - UMA AVALIAÇÃO DO PERFIL DOS PORTADORES DE LEISHMANIOSE TEGUMENTAR ATENDIDOS NO CENTRO DE SAÚDE DE AMARAJI - PE, NO PERÍODO DE 2 DE JANEIRO A 31 DE DEZEMBRO DE 1997.


Evalda Virgínia do Nascimento Pio


FOTO - EVALDA


SUMÁRIO - TÍTULO VIII
RESUMO
I - INTRODUÇÃO
II - PROPOSIÇÃO
III - MATERIAL E MÉTODO
IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO
V - CONCLUSÃO
VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


RESUMO - TÍTULO VIII


Neste trabalho a autora avaliou o perfil do portador de Leishmaniose Tegumentar em casos notificados no período de 2 de janeiro a 31 de dezembro de 1997 no Município de Amaraji, Pernambuco, pela análise de fichas de notificações, num total de 99 casos, correspondendo a totalidade notificada no período. As variáveis utilizadas foram: sexo, faixa etária, procedência , sazonalidade , diagnóstico, ocupação e grau de instrução. Pelo exposto concluiu ser maior a incidência no sexo masculino, faixa etária de 20 ??? 30 anos, procedente da zona rural, o mês de maior ocorrência da doença foi abril, diagnóstico através do exame clínico e epidemiológico, ocupação trabalhador rural e grau de instrução ignorado.


I - INTRODUÇÃO - TÍTULO VIII

1.1. Conceito

As Leishmanioses são doenças infecciosas crônicas, produzidas por um protozoário do gênero LEISHMANIA e transmitidas ao homem por inseto hematófago da família, Psychodedae - subfamília Phlebotominae. LOPES2

1.2. Etiologia

O agente etiológico é a L. brasilienses (Vianes, 1911), que se apresenta sob duas formas fundamentais: uma aflagelada de amastigótica encontrada no homem e animais sensíveis - forma em leishmania - e, outra flagelada ou promastigótica, existente no inseto vetor e em culturas - forma em leptomona. MARCONDES³

1.3. Mecanismos de transmissão

A transmissão ao homem se faz através da picada de pequenos insetos hematófagos - os flebótomos - conhecidos no Brasil com os nomes de birigüi, mosquito-palha, cangalhinha, e pertencentes aos gêneros : Psychodopygus, Lutzomyia e Pintomyia, que introduzem em seu organismos os parasitas, que penetram na pele e por vezes, nas mucosas, onde se multiplicam. MARCONDES³ , LOPES²

1.4. Período de incubação

Varia de duas semanas a dois meses , LOPES²

1.5. Fisiopatologia

Após a picada única ou múltiplas picadas do inseto vetor nas partes descobertas do corpo, são inoculadas as formas em leptomonas que, ao atingirem os elementos histiocitários da derme, se transformam em Leishmanias e iniciam intensa a multiplicação intracelular, dando origem aos granulomas leishmanióticos e alterações secundárias da epiderme. MARCONDES3

1.6 Quadro clínico

Após período de incubação, surge no local da picada ou das picadas dos insetos vetores, pápulas eritematosas que evolui para vesiculosas e pustulosas. Em progressão, estas lesões tornam-se úlcero-crostosas e com a queda das crostas , surge lesão ulcerosa característica, de contornos circulantes, bordas altas e infiltradas, em molduras e fundo formado por granulações salientes e intensamente avermelhadas às vezes recobertas por exsudado seropurulento. MARCONDES³

1.7. Diagnóstico

1.7.1. Pacientes portadores de lesões cutâneas (pele):

a) Observar o aspecto clínico da lesão.

b) Realizar os seguintes procedimentos de laboratórios:
Intradermorreação de Montenegro (IDRM)

Sorologia (Imunofluorescência indireta ou ELISA . BRASIL1

1.8 Tratamento

O Tratamento dos casos humanos é feito com injeções repetidas de antimonial pentavalente, variando o esquema terapêutico de acordo com a droga utilizada:

- Stibogluconato de meglumina (85mg/ml) - glucantime

- Antimônio - gluconato de sódio (100mg/ ml)

1.8.1. Pacientes portadores de lesão cutânea:

Dosagem de medicamento em relação a idade do paciente:

FIGURA 1 - LESÃO CUTÂNEA - TÍTULO VIII

1.8.2. Pacientes portadores de lesões mucosas

Dosagem do medicamento em relação à idade do paciente.

FIGURA 2 - LESÃO MUCOSA - TÍTULO VIII

FIGURA 3 - OBSERVAÇÕES IMPORTANTES - TÍTULO VIII

1.9. Prevenção

A Leishmaniose Tegumentar apresenta sérias dificuldades para a sua prevenção:

• não são conhecidas medidas completamente efetivas para que seja evitada;

• a única medida de proteção, válida consiste no diagnóstico da doença em seu início e o tratamento do homem doente;

• o combate aos mosquitos transmissores (flebótomo) é ineficaz não só pelo conhecimento incompleto de sua biologia como também pelo fato de que a transmissão da doença geralmente é efetuada fora das casas; e

• ainda não existe uma vacina efetiva à população mas, estudos nesse sentido encontram-se em andamento.

A prevenção vai depender da mobilização das comunidades visando:

• explicar à população como acontece a transmissão da doença;

• explicar que a doença não é contagiosa;

• esclarecer as medidas de proteção às populações das áreas rurais com casos da doença; e

• divulgar os meios capazes de dificultar o contato do mosquito com o reservatório, com o objetivo de diminuir a transmissão. BRASIL1

Escolhemos esta tema por se tratar do município de Amaraji - PE , onde a mão de obra é na maioria constituída por trabalhadores rurais mais sujeitos a este tipo de doença.


II - PROPOSIÇÃO - TÍTULO VIII


Pelo exposto, propomo-nos mostrar a ocorrência de casos de Leishmaniose no Município de Amaraji - PE, no período de 2 de janeiro a 31 de dezembro de 1997, segundo as variáveis:

1. sexo
2. faixa etária
3. procedência
4. sazonalidade
5. diagnóstico
6. ocupação
7. grau de instrução


III - MATERIAL E MÉTODO - TÍTULO VIII


A pesquisa foi realizada no período de 2 de janeiro a 31 de dezembro de 1997 no Serviço de Vigilância Sanitária e Epidemiológica do Centro de Saúde de Amaraji - PE e abrangeu 99 casos , correspondendo a totalidade de casos notificados no período.

A seguir é apresentada uma FICHA - MODELO cujos dados foram retirados dos Boletins de Notificação.

FICHA - MODELO - TÍTULO VIII

Obs.: Esta ficha foi uma adaptação do boletim de notificação original, cuja cópia se encontra em anexo.


IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO - TÍTULO VIII


TABELA I - TÍTULO VIII

TABELA II - TÍTULO VIII

TABELA III - TÍTULO VIII

TABELA IV - TÍTULO VIII

TABELA V - TÍTULO VIII

TABELA VI - TÍTULO VIII

TABELA VII - TÍTULO VIII


V - CONCLUSÃO - TÍTULO VIII


Pelos dados apresentados, concluímos quanto ao perfil dos casos pesquisados:

1) sexo: predominância do sexo masculino;

2) faixa etária: maior incidência na faixa etária de 20 ??? 30 anos;

3) procedência: a maioria dos casos pertence a zona rural;

4) sazonalidade: o mês de maior ocorrência da doença foi abril;

5) diagnóstico: a maioria dos casos foi diagnosticada clínica e epidemiologicamente;

6) ocupação: a maior freqüência de casos foi na ocupação não consta; e

7) grau de instrução: a maioria dos casos foi no grau de instrução ignorado.


VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS - TÍTULO VIII


1. BRASIL - Ministério da Saúde - Leishmaniose Tegumentar Americana no Brasil - 2ª ed. Brasília, DF, 1997.

2. LOPES, E. R. et al. Bogliolo patologia - 4ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987

3. MARCONDES, M. et al. - Clínica Médica propedêutica e fisiopatologia. - 3ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1984


TÍTULO IX-

UMA AVALIAÇÃO DA ERUPÇÃO DENTÁRIA PRIMÁRIA NA REGIÃO SUL PAULISTA NO PERÍODO DE 2 DE MARÇO A 30 DE JULHO DE 1998.

MORGANA ELI VIANNA


SUMÁRIO - TÍTULO IX
RESUMO
I - INTRODUÇÃO
II - PROPOSIÇÃO
III - MATERIAL E MÉTODO
IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO
V - CONCLUSÃO
VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


RESUMO - TÍTULO IX

A autora estudou o tema Erupção Dentária Primária na Região Sul Paulista no período de 2 de março a 30 de julho de 1998. Foram aplicados questionários a 50 médicos atuando na área de Pediatria, utilizando as seguintes variáveis: queixa principal dos pais ou responsáveis, opinião profissional em relação à erupção dentária primária, tempo de formado do médico, observação de manifestações sistêmicas, manifestações locais e alterações de comportamento na fase de erupção dentária primária. Pôde ser observado nos 50 casos pesquisados: a erupção dentária primária em 30,00% das queixas dos pais ou responsáveis; a erupção dentária primária como um processo fisiológico para a maioria dos médicos, a maior parte da amostra formada há 10 anos ou mais; houve manifestações sistêmicas, locais e alterações de comportamento nas crianças atendidas durante a fase de erupção dentária primária.

I - INTRODUÇÃO - TÍTULO IX

Os dentes primários são também chamados de dentes provisórios, dentes temporários, dentes de leite, dentes caducos ou dentes decíduos. Os dentes decíduos são em número de 20. Estes são importantes na trituração mecânica dos alimentos, na manutenção do espaço do arco dental, no estímulo do crescimento dos maxilares, principalmente em altura e na fonética: na pronúncia dos sons f, v, s, t, z e na estética. É ao redor dos seis meses de idade que irrompem os primeiros dentes decíduos e dos dois aos três anos de idade a dentição temporária se completa.(7)

Existem controvérsias acerca do assunto Erupção Dentária Primária com relação às manifestações locais ou gerais levando a conclusões divergentes da natureza do processo se fisiológico ou patológico.(8,9,10)

O processo de erupção tem início na fase de formação do elemento dentário e em sua fase intra-óssea, passando logo após para uma fase extra-óssea com o irrompimento dos dentes na cavidade bucal. (11,15)

Vários autores descrevem a erupção dentária de acordo com sua linhas de pesquisa , como movimentos de erupção (11,14), seqüência de erupção(6,15,16) e outras facetas do tipo manifestações gerais ou locais.( 3, 4, 5, 9, 10, 12, 13)

II - PROPOSIÇÃO - TÍTULO IX

Este trabalho tem por objetivo realizar um estudo da Erupção Dentária Primária no meio médico, mais especificamente na área pediátrica, na Região Sul Paulista no período de 2 de março a 30 de julho de 1998, utilizando as variáveis:

1) a queixa principal dos pais ou reponsáveis das crianças atendidas na fase de erupção dentária primária;

2) a opinião dos médicos com relação à erupção dentária primária;

3)o tempo de formado do médico;

4) as manifestações sistêmicas nas crianças atendidas na fase de erupção dentária primária;

5) as manifestações locais nas crianças atendidas na fase de erupção dentária primária; e

6) as alterações de comportamento nas crianças atendidas na fase de erupção dentária primária.

III - MATERIAL E MÉTODO - TÍTULO IX

Este trabalho foi realizado na Região Sul Paulista, no período de 2 de março a 30 de julho de 1998 com amostra de 50 casos, escolhidos ao acaso.

A Região Sul Paulista compreende os seguintes municípios: Alambari, Angatuba, Apiaí, Barão de Antonina, Barra do Chapéu, Barra do Turvo, Boituva, Bom Sucesso de Itararé, Buri, Capão Bonito, Cerquilho, Cesário Lange, Guapiara, Guareí, Iporanga, Itaberá, Itaóca, Itapetininga, Itapeva, Itapirapuã Paulista, Itaporanga, Itararé, Jumirim, Laranjal Paulista, Nova Campina, Porangaba, Quadra, Ribeira, Ribeirão Branco, Ribeirão Grande, Riversul, São Miguel Arcanjo, Sarapuí, Taquarivaí, Tatuí, Tietê e Torre de Pedra.

Os dados foram colhidos em Questionário, apresentado a seguir.

MODELO DE QUESTIONÁRIO - TÍTULO IX


IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO - TÍTULO IX

TABELA I - TÍTULO IX

TABELA II - TÍTULO IX

TABELA III - TÍTULO IX

TABELA IV - TÍTULO IX

TABELA V - TÍTULO IX

TABELA VI - TÍTULO IX


V - CONCLUSÃO - TÍTULO IX

A avaliação dos resultados obtidos permitiu concluir:

1) segundo os médicos a erupção dentária primária corresponde a 30,00% das queixas dos pais ou responsáveis das crianças atendidas na fase de erupção dentária primária.

2) a erupção dentária primária é um processo fisiológico, segundo a opinião da maioria dos médicos; este resultado concorda com outros autores. (3,4,9,10)

3) a maior parte dos médicos questionados está formada há 10 anos ou mais.

4) houve manifestações sistêmicas na maioria das crianças atendidas durante a fase de erupção dentária primária dos casos, este resultado coincide com outros autores(4,9,10,12).

5) houve manifestações locais na maioria das crianças atendidas durante a fase de erupção dentária primária dos casos, este resultado coincide com outros autores(4,9,10).

6) houve alterações de comportamento na maioria das crianças atendidas durante a fase de erupção dentária primária dos casos, este resultado coincide com outros autores (4,9,10,12).

VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS - TÍTULO IX

1) BAQUERO, G. - Métodos de Pesquisa Pedagógica - São Paulo, Loyola, 1978.
2) BHASKAR, S. N. - Histologia e Embriologia de Orban - 8 ed., Artes Médicas, 1978.
3) CARPENTER, J. V. - The relationship between teething and systemic distubances - J Dent. Child., 45(5): 381284, 1978.
4) LAUZIER, C.; MIRJIAN, A. - L’emergence des dents primares chez l’efant canadien-français. L’Union Médicale du Canada - Dec., 110(2): 1061-1064, 1981.
5) LOKKEN, P.- Eruption of deciduos teeth: a usual and treatment requering cause of disease? - 89(6): 322-324, 1979.
6) MARQUES, G. D. et al. - Estudos da Cronologia de Erupção dos dentes permanentes em crianças da Cidade de São Paulo - Ver. Fac. Odont. São Paulo, 16(2): 177-86, 1978.
7) MCDONALD, R.; AVERY, D. - Odontopediatria - 5. ed., Rio de Janeiro, Guanabara, Koogan, 1991.
8) NEARDERLAND,R. - Teething: a review. J. Dent. Child - 19(9): 127-32, 1952.
9) NORONHA, J.C. - Erupção dos dentes decíduos e suas manifestações na criança - Tese de Mestrado da UFMG, Belo Horizonte, 1983.
10) NORONHA, J.C. - Eruption of deciduous teeth and its manifestations in the children - Arq. Cen Estudos Curso Odont. UFMG, 22(2): 53-64, 1985.
11) ORBAN, B. - Growth and movement to the germs and teeth - Jada, 15:1004, 1928.
12) OUNSTED, M. et al - A longitudinal study of tooth emergence and somaticas growth in 697 children from birth to three years - Arch. Oral. Biol., 32(11): 787-791, 1987.
13) SEWARD, M. - General disturbances attributed of the human primary child - 39(3): 178-83, 1972.
14) SICHER, H. - Tooth eruption the axial movement of continuously growing teeth - J. Dent. Res., 21:201, 1942.
15) TOLEDO, O. A.- Aspectos da cronologia de erupção dos dentes permanentes em escolares primários da cidade de Araçatuba - Tese de Livre-docência, 1963.
16) VONO, Z. - Estudos da cronologia e seqüência de erupção dos dentes decíduos em crianças leucodermas brasileiras da Cidade de Bauru - Tese de Doutorado. USP - FOB, Estado de São Paulo, 1972.


TÍTULO X-

UMA AVALIAÇÃO DO PERFIL DA SAÚDE BUCAL DOS ALUNOS DO CURSO DE MAGISTÉRIO DA ESCOLA ESTADUAL DE PRIMEIRO E SEGUNDO GRAUS “ALFERES MÁRIO PEDRO VERCELLINO”, EM BOITUVA, S.P., NO PERÍODO DE 8 DE AGOSTO A 16 DE SETEMBRO DE 1998.

REGINALDO FERREIRA


SUMÁRIO - TÍTULO X
RESUMO
I - INTRODUÇÃO
II - PROPOSIÇÃO
III - MATERIAL E MÉTODO
IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO
V - CONCLUSÃO
VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


RESUMO - TÍTULO X

O autor procedeu a uma avaliação do perfil da saúde bucal dos alunos do segundo e terceiro anos do Curso de Magistério da Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus “Alferes Mário Pedro Vercellino”, de 8 de agosto a 16 de setembro, em Boituva, São Paulo. Foram analisados 55 alunos, escolhidos ao acaso. As variáveis escolhidas para a pesquisa foram: quantificação da placa bacteriana, orientação prévia sobre higiene oral, textura das cerdas da escova dental, uso do fio dental, freqüência da escovação, tempo de uso da escova dental e a valorização da prática da escovação. Pelos dados obtidos, o autor observou que a maioria dos alunos considera os métodos de escovação importantes para a prática da higiene oral e também já tinha recebido noções de orientação de higiene oral, no entanto esta mesma maioria não usa fio dental e possui elevada porcentagem de placa bacteriana.

I - INTRODUÇÃO - TÍTULO X

No Brasil existem poucos programas de prevenção onde alguns segmentos da comunidade e não somente os profissionais da saúde, em especial os da Odontologia, participam levando os ensinamentos e instruções específicas para a melhoria da saúde bucal da população. (3)

Na maioria das vezes esta prestação de serviços à comunidade fica a cargo das Faculdades de Odontologia, de alguns órgãos de saúde das Forças Armadas, Polícia Militar dos Estados e Secretaria de Saúde da administração pública. O cirurgião-dentista tem atuado a frente nos programas de educação e motivação dos clientes, orientando-os no aprendizado para prevenir cáries e doenças periodontais. Com isso, tem-se estabelecido aos profissionais de Odontologia o propósito de motivar e conscientizar os pacientes para a responsabilidade por sua saúde bucal. (9, 10)

Os outros segmentos da sociedade, entre os quais alunos de Magistério - futuros educadores com atuação junto às crianças e adolescentes - deveriam compartilhar com os profissionais da Odontologia da responsabilidade de divulgação e conscientização dos conceitos de saúde bucal junto à população estudantil. Julgamos necessário avaliar as condições de higiene bucal destes futuros professores, os conceitos de importância da saúde oral, agentes de limpeza e controle da placa bacteriana por eles utilizados. Constituem como orientações de higiene oral: técnica de escovação, uso do fio dental, uso de flúor e antissépticos. (1, 5, 7)

Vários autores consideram como ideal escovar os dentes 3 ou 4 vezes ao dia, usar uma escova por no máximo dois meses, usar as escovas dentais com cerdas macias e fazer uso do fio dental diariamente. (1, 4, 7, 8, 9).

Para a quantificação da placa bacteriana foi utilizado o “Índice de O’Leary” baseado na quantificação da placa bacteriana nos dentes por meio de porcentagem. A visualização da placa bacteriana foi feita por meio de pastilhas evidenciadoras. A seguir conta-se quantas faces dentais na respectiva cavidade oral e depois quantas delas estão com placa e se faz os cálculos da porcentagem. (10)

II - PROPOSIÇÃO - TÍTULO X

Este trabalho objetiva avaliar nos alunos do Curso de Magistério da Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus “Alferes Mário Pedro Vercellino”, em Boituva, São Paulo, o perfil da saúde bucal, segundo as variáveis:

1. quantificação da placa bacteriana por meio do Índice de O’Leary;
2. orientação para a higiene oral por dentistas;
3. textura das cerdas da escova dental;
4. uso do fio dental;
5. freqüência da escovação;
6. tempo de uso da escova dental; e
7. valorização da prática da escovação.

III - MATERIAL E MÉTODO - TÍTULO X

Esta pesquisa foi realizada na Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus “Alferes Mário Pedro Vercellino”, situada à Rua Bruna Vercellino, nº 361, Vila Ginasial, Boituva, SP, do dia 8 de agosto a 16 de Setembro de 1998.

Foi utilizada uma amostra, escolhida ao acaso, de 55 alunos do segundo e terceiro anos do Curso de Magistério, com idade compreendida entre 16 e 27 anos. No ato da entrevista, foi solicitado aos alunos trazer suas atuais escovas. Para o exame clínico o autor utilizou espelho odontológico nº 5, sonda exploradora e pastilhas evidenciadoras de placa. Aplicou-se em todos o Índice de O’Leary para determinar o índice de placa bacteriana. Os dados foram colhidos em um questionário, apresentado a seguir.

MODELO DE QUESTIONÁRIO - TÍTULO X


IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO - TÍTULO X


TABELA I - TÍTULO X

TABELA II - TÍTULO X

TABELA III - TÍTULO X

TABELA IV - TÍTULO X

TABELA V - TÍTULO X

TABELA VI - TÍTULO X

TABELA VII - TÍTULO X


VI - CONCLUSÃO - TÍTULO X

Com base nos resultados obtidos, podemos concluir:

1. a grande maioria dos alunos possui mais de 50,00% de placa nos dentes, segundo o Índice de O’Leary;

2. a grande maioria recebeu orientações de higiene oral;

3. a grande maioria dos alunos utiliza para escovar os dentes as escovas com cerdas de textura média e apenas uma pequena parte dos alunos utiliza, nos métodos de escovação, as escovas macias;

4. a grande maioria não usa fio dental;

5. a maioria dos alunos pesquisados escova os dentes três vezes ao dia;

6. metade dos casos pesquisados usa a escova dental por três meses ou mais e a minoria faz uso da escova por um período compreendido entre um e dois meses; e

7. a grande maioria considera importantes os métodos de limpeza dos dentes para a manutenção da saúde oral.

VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS - TÍTULO X

1. ALEXANDER, A. G. - The effect of frequency of brushing and the type of bristle used in gingival inflammation, plaque and calculus accumulation. Dent. Pract., 35:347-55, 1970.
2. ASH, M. M. - A review of the problems and results of studies on manual and power toothbrushes. J. Periodontol., 35:345-55, 1970.
3. AZEVEDO, A. L. et al - Intervalo de tempo da última consulta odontológica. III. Estudo comparativo em alunos da Faculdade de Odontologia de Piracicaba. Ver. Bras. Odont., 38(2); 22-5, 1981.
4. BAY, I. et al - Quantitative evaluation of the plaque-removing ability of different types of toothbrushes. J. Periodontal., 38:526-33, 1967.
5. CARRANZA JR., F. A. - Controle de placa. In: Periodontia Clínica de Glichman. 5.ed., Rio de Janeiro, Interamericana, 1983.
6. CHASENS, A. I.; MARCUS, R. W. - An evaluation of the comparative efficiency of manual and automatic toothbrushes in mantaining of the periodontal patient. J. Periodontol., 39: 156-9, 1968.
7. HALLA, D. - Estudo do índice de placa dentária re-manescente em função da frequencia de escovação diária. Rev. Catar. Odont., 5(1):25-9, 1978.
8. HALLA, D. - Escovas. In: Seminário de Prevenção da Cárie e Doenças da Gengiva, lº, Jundiaí, 1982. Anais. Jundiaí, Associação Brasileira de Odontologia Preventiva, 1982.
9. MACEDO, N. L.; LACAZ NETT0, R. - Manual de Higienização Bucal: motivação dos pacientes. 3. Ed., Rio de Janeiro, Epuc, 1985.
10. O’LEARY, T. J. - Oral hygiene agents and procedures. J. of Periodontology, 41: 625-29, 1967.


TÍTULO XI-

NOVAS ABORDAGENS METODOLÓGICAS EM PESQUISA QUALITATIVA

Fernando Lefèvre
Ana Maria Cavalcanti Lefèvre


SUMÁRIO - TÍTULO XI-
1. PREÂMBULO
2. INTRODUÇÃO
3. PESQUISA QUANTI X PESQUISA QUALI
4. NOSSOS INSTRUMENTOS
5. CONCLUSÃO PROVISÓRIA
6. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
7. PERGUNTAS E RESPOSTAS


1. PREÂMBULO - TÍTULO XI

Neste trabalho apresentamos alguns elementos que estamos desenvolvendo em nossa atividade de cursos, palestras, seminários visando a difusão da proposta de novos instrumentos de análise de discursos em pesquisas de corte qualitativo.

Parte deste material, com o acréscimo de uma série de trabalhos de pós-graduação onde estes instrumentos vêm sendo aplicados, será consolidado, ainda em 1999, em livro a ser publicado pela Editora da Universidade de Caxias do Sul (U.C.S.)

2. INTRODUÇÃO - TÍTULO XI

Logo após a derrota da seleção brasileira de futebol no jogo final do campeonato mundial de 1998 pela equipe da França, o Universo On Line - U.O.L. “site” da Folha de São Paulo/Abril na Internet, promoveu entre os seus freqüentadores uma enquete com o título: “de quem é a culpa?”, questão relativa ao desempenho brasileiro na referida competição.

A enquete se apresentava, como habitualmente, com um elenco de alternativas, mutuamente exclusivas.

• Apresentação da enquete do U.O.L.

De quem é a culpa?

Respostas:

Dos jogadores. O grupo não se uniu e só pensou em dinheiro e contratos: 3754 - 34%

Do Zagallo. Não escutou ninguém, foi arrogante e ignorou os adversários: 2483 - 22%.

Da CBF: Ela está afundando o futebol brasileiro 1620 - 14%.

Não há culpados. É preciso acabar com essa mania de achar sempre um culpado: 1158 - 10%.

De todo o grupo: jogador, comissão técnica e dirigentes: 807 - 7%.

Minha. Quem me mandou acreditar nesta seleção: 327 - 3%.

Do Zico. Como deixam um cara pé frio destes no banco da seleção: 295 - 3%.

Do Zidane. Fez os dois gols que deram a vitória à França 270 - 2%.

Do el niño: 256 - 2%.

Da imprensa. Criou um clima ruim entre os jogadores e foi sensacionalista: 220 - 2%.

Total de votos: 11190

Atenção: o resultado desta enquete não tem valor de amostragem científica e se refere apenas a um grupo de freqüentadores do U.O.L.

• Por quê tem que ser assim? Não pode ser de outro jeito?

Toda pesquisa social, para ser "científica" , "séria", deve seguir este modelo clássico do qual a pesquisa do U.O.L. é um exemplo? Achamos que não.

Vamos imaginar um outro modo de tratar este assunto, o da "culpa pela perda do penta", que consistiria na reunião, em poucos discursos-síntese, destas opiniões "espalhadas".

• Discurso 1

No que toca aos jogadores, o grupo não se uniu e só pensou em dinheiro e contratos. O Zagalo, por sua vez, não escutou ninguém, foi arrogante e ignorou os adversários. O Zico também tem sua parte de culpa: como deixaram um cara pé-frio destes no banco da seleção? A culpa também é da CBF, que está afundando o futebol brasileiro. Da mesma forma, a imprensa criou um clima ruim entre os jogadores e foi sensacionalista. Numa certa medida até o Zidane tem culpa: afinal fez os dois gols que deram a vitória à França. Finalmente, pensando bem, mesmo eu tenho parte da culpa: quem me mandou acreditar nesta seleção?

• Discurso 2

Não há culpados. É preciso acabar com esta mania de achar sempre um culpado.

• Discurso 3

A culpa é do el niño

• Quais as diferenças entre a enquete da Folha e estes discursos?

Na realidade, todas as diferenças se resumem em respostas distintas a uma questão de base implícita. Esta questão é: o quê é uma enquete?

Para o U.O.L., que adota uma definição tradicional de enquete, os indivíduos componentes de uma comunidade (no caso aquela dos freqüentadores do U.O.L.) são portadores de diferentes opiniões e o resultado de uma enquete consiste na apresentação da distribuição dos indivíduos entre as opiniões possíveis, sobre um dado tema.

Segundo esta perspectiva, uma pesquisa sobre uma coletividade, para ser válida, precisa resgatar ou as opiniões de toda a coletividade ou de uma amostra estatisticamente representativa dela e a forma aparentemente mais "prática" de obter o resgate das diferentes opiniões consiste em apresentá-las ao pesquisado para este se enquadrar, em geral, apenas numa das opiniões possíveis, obtendo-se, ao final, a desejada distribuição.

Da nossa perspectiva, ao contrário, uma enquete do tipo da proposta aqui pelo U.O.L. deveria ter como resultado final não uma distribuição de opiniões sob a forma de tabelas mas o resgate do ou dos discursos existentes numa dada coletividade (no caso, sobre o tema: “de quem é a culpa pela perda do penta”).

Do ponto de vista “qualitativo” não interessa obter a distribuição dos indivíduos entre as diferentes opiniões até porque esta é, no mais das vezes, forçada por uma visão matematicamente bitolada do pensamento de uma comunidade dever sempre ser expresso em termos de uma distribuição de diferentes e mutuamente exclusivas opiniões entre os indivíduos, cuja soma tem que dar 100% ( ou algumas vezes mais do que isso, quando é possível responder a mais de uma alternativa).

Para os “qualitativos”, quando se trata de pesquisa social onde se busca saber o que uma comunidade acha ou pensa sobre determinado assunto, esta comunidade não deve ser representada matematicamente mas pelos discursos nela existentes sobre o tema.

A comunidade pode, em certas circunstâncias, perfeitamente, ter apenas um grande discurso sobre um dado tema. Em outras circunstâncias, como é o caso do discurso da "culpa pela perda do penta", podem ser dois discursos (o terceiro discurso é apenas “piada”).

Então, neste caso - supondo, para efeitos de raciocínio que, de alguma forma, a sociedade brasileira esteja refletida nos freqüentadores do U.O.L. e as alternativas propostas reflitam adequadamente, apesar de se tratar de uma pesquisa utilizando metodologia quantitativa, o imaginário sobre o assunto, o que parece ser o caso aqui - provavelmente esta sociedade brasileira emitiria, sobre o tema da “culpa pela perda do penta”, os nossos primeiro e segundo discursos.

3. PESQUISA QUANTI X PESQUISA QUALI - TÍTULO XI

• A moda da pesquisa qualitativa

Decididamente a pesquisa qualitativa está "na moda".

Isto tem um lado bom porque esta moda está pressupondo uma busca no sentido de se entender melhor (e se respeitar mais) as complexas questões do sentido (Minayo, 1992) que os diversos atores sociais, situados nos diversos enquadramentos de tempo e espaço, atribuem às suas ações aos objetos materiais e simbólicos com que interagem as conseqüências dos seus comportamentos e outros.

Também pode ter um lado mau porque, em determinadas circunstâncias, o pesquisador , em função de um entendimento decididamente inadequado, poderia considerar que este resgate do sentido da vida social através de procedimentos qualitativos, implicaria em menos rigor e objetividade, em metodologias "softs", mais relaxadas.

Para muitos pesquisadores qualitativos, a única possibilidade de ser rigoroso implicaria, necessariamente, na utilização de metodologias ou procedimentos "quanti" ou, quando muito, "quanti-quali" onde, em geral, o "quali" se quantifica para, por esta via, tentar adquirir status de cientificidade exemplo Oliveira, D.C .et al,1998).

Para o pesquisador qualitativo consciente, estas novas abordagens propiciam a oportunidade de enfrentar em profundidade os desafios metodológicos e instrumentais inerentes ao resgate do sentido das ações sociais, a principal das missões geralmente atribuídas aos estudos que adotam a Representação Social (Jodelet, 1989) como referencial teórico.

• Descrição, interpretação e evolução

Quando se considera os dados de uma pesquisa social, existem, pelo menos, três grandes níveis de consideração do problema: o descritivo, o interpretativo e o evolutivo.

Permanecendo no nível descritivo poderemos obter apenas - o que, em muitos casos já é muito - respostas melhores ou piores a questões do tipo: o que pensa a população “x” sobre o tema “y”. Por exemplo, na pesquisa que realizamos sobre as representações presentes na população dos usuários do site “Universo On Line” sobre descriminação da maconha (Simioni e Lefevre, sd) constatamos a presença de seis discursos distintos.

No nível interpretativo poderemos obter respostas melhores ou piores - dependendo de fatores como adequação do referencial teórico, imaginação/inteligência do pesquisador, capacidade de expressão deste e assim sucessivamente - a questões do tipo: dado que a população ”x” pensa de modo “y” sobre o tema ”z”, por que razões, associadas ou correlacionadas a que condições objetivas e subjetivas, pensaria assim.

No nível evolutivo ou pragmático, nossa questão pode ser formulada: dado que a população ”x” pensa de modo ”y” sobre o tema ”z” por um conjunto ”w” de razões, como fazer para que ela passe a pensar de modo distinto de “y” ou continue a pensar de modo ”x” (se se considera que ”x” é um modo adequado de pensar); ou ainda .... como fazer para que ela passe a pensar e a agir de modo distinto de “y” ou a agir em conformidade ao modo “x” de pensar e outros.

Evidentemente pesquisadores sociais podem trabalhar em cada um destes três níveis mas deve-se considerar as questões pertinentes a cada nível e a sua necessária progressividade ou seja para procurar influenciar na evolução da representação é preciso ter passado pela interpretação dos seus porques e para isso é preciso ter adequadamente descrito a substância ou literalidade da representação.

Visando descrever, de maneira mais adequada, discursos dos diversos tipos de atores sociais cujas falas, muitas vezes, constituem a principal matéria prima das pesquisas de corte qualitativo, estamos desenvolvendo desde 1992 , com um trabalho de pesquisa realizamos para a Secretaria Estadual da Saúde, que consistindo numa avaliação de um projeto chamado Programa de Gerenciamento Integrado (Simioni et al, 1991, Spinola et al 1992) um conjunto de instrumentos metodológicos de tipo qualitativo.

• Quando a lógica quantitativa é inadequada

Ao longo do tempo e tendo acompanhado um sem número de pesquisas sociais, temos consolidado a opinião de que, quando se trata de pesquisa visando colher representações sociais, opiniões e crenças de grupos humanos sobre temas relacionados à sua vida, os procedimentos habituais da pesquisa de tipo quantitativo mostram-se inadequados.

Vamos tentar demonstrar isso examinando a lógica da pesquisa quantitativa em contraste com a da pesquisa qualitativa

Suponhamos, por exemplo, que um objetivo de pesquisa seja saber o que pensam os habitantes da periferia de São Paulo, hoje, sobre hanseníase ou lepra.

Caso se queira trabalhar de uma perspectiva quantitativa, deve-se pesquisar o que, a partir do conhecimento anterior disponível sobre o assunto, poderiam e deveriam estes habitantes saber sobre o tema. Em seguida, deve-se construir o instrumento de pesquisa baseado neste conhecimento e verificar o que os respondentes efetivamente sabem. Assim, por exemplo, poderia-se imaginar a seguinte pergunta:

A hanseníase ou lepra é uma doença:

• contagiosa
• não contagiosa
• hereditária
• congênita

Suponhamos, que os respondentes saibam o sentido dos termos com os quais a questão foi elaborada. A pesquisa - composta por um conjunto de questões do tipo da exemplificada acima - poderá ter seus questionários aplicados a uma amostra representativa da população a ser estudada. Após a aplicação, os dados serão tabulados, serão construídas tabelas, gráficos, e outros, feitos alguns cruzamentos e ao final ter-se-á um conjunto de informações que permitirão descrever adequadamente o que pensa a dita população sobre hanseníase.

Neste tipo de pesquisa o assunto ou tema é apresentado considerando um conhecimento pré-existente onde os pesquisados se enquadram de uma determinada forma.

Para dar outro exemplo de utilização de procedimentos quantitativos, vamos nos reportar a um tema amplamente discutido, o da sexualidade. Quando a abordagem utilizada é de cunho quantitativo, os indivíduos são, com freqüência, divididos previamente, isto é, antes de serem entrevistados, em categorias ou sub categorias do tipo: sexualmente normal (subentendido tradicional), praticante eventual, ocasional ou permanente de sexo oral ou anal; mais ou menos adepto de perversões, fantasias e outros.

Outro exemplo de categorização prévia dos indivíduos a serem entrevistados poderia ser dado quando se deseja conhecer as opiniões, pensamentos ou crenças dos adolescentes da periferia de São Paulo sobre gravidez na adolescência. Para isso, normalmente o assunto é segmentado em conhecimentos sobre procriação, métodos anti-concepcionais, sexualidade, comportamentos ou sentimentos típicos da adolescência e outros. Em seguida, este conhecimento é transposto de forma segmentada para um instrumento de pesquisa tipo questionário, composto pelo máximo possível de questões fechadas (com algumas questões abertas cujas respostas - de preferência curtas - que possam ser facilmente agrupadas em categorias), questões estas enunciando comportamentos, opiniões, crenças correspondentes às diversas partes em que foi segmentado o conhecimento. Aplicados estes questionários e tabulados os dados, o pesquisador obtém um conhecimento sobre o que pensam os adolescentes em questão, traduzível em estatísticas do tipo: 40% dos adolescentes acreditam que gravidez na adolescência traz problemas; 60% das adolescentes do sexo feminino têm conhecimentos adequados sobre reprodução e outros.

A alegação habitual para a necessidade de utilização de tais procedimentos é que assim fazendo, e só assim, é possível produzir conhecimento legítimo, científico sobre qualquer tema que se deseje estudar.

Por quê se acredita nisso ?

Porque se acredita, não sem razão, que a expressão, na pesquisa, do pensamento de um grupo, de uma coletividade só pode se dar através de procedimentos quantitativos permitindo e ensejando a representatividade estatística do conjunto dos indivíduos que compõe esta coletividade. Isto é, para conhecer o que pensa uma determinada comunidade sobre um dado tema é preciso acessar o pensamento de 100% deste comunidade ou um percentual representativo destes 100%.

Um modo que se acredita prático de obter este acesso implica em quantificar (e de preferência informatizar) todo o processo.

Como se faz isso habitualmente? Através de uma série de operações.

1) Antes de mais nada, coloca-se como pressuposto indiscutível a existência e a necessidade de consideração do conhecimento prévio sobre o tema a ser empiricamente investigado, no qual o respondente da pesquisa deve necessariamente se enquadrar ou encaixar;

2) Para que este encaixe ocorra mais facilmente opera-se, em geral, um esquartejamento ou segmentação deste conhecimento prévio dividindo-o em uma série de questões ou perguntas pelas quais se busca esgotar, numa certa medida (*dependendo do tipo de população a qual o pesquisador se dirige), o assunto. Algumas vezes, quando se trata de prova ou teste, a pergunta é desdobrada em alternativas;

3) Finalmente computa-se e organiza-se os dados obtendo-se, ao final, descrições clássicas do tipo:

20% dos estudantes entrevistados acreditam que Aids se transmite por picadas de mosquitos, 80% por relações sexuais, 50% por compartilhamentos de seringas,70% por transfusão de sangue, 50% por amamentação e 10% não souberam responder (no caso, a soma dá mais do que 100% porque o indivíduo poderia escolher mais de uma alternativa).

Ora, esta matematização da realidade implica em deformá-la, gravemente, fazendo com que o conhecimento obtido fique significativamente prejudicado. Com efeito, para descrições (supostamente científicas) como a acima fazerem sentido é preciso supor que o fenômeno da Aids, ou, mais precisamente, aquela sua parte a ser conhecida pelo leigo, seja “naturalmente” atomizável num conjunto composto pela soma de unidades discretas e previamente homogeneizadas de idéias, valores, comportamentos, atitudes, práticas às quais os indivíduos isolados aderem ou não (ou aderem mais ou menos fortemente, numa escala de 1 a 5, por exemplo).

A Aids cognoscível pelo leigo seria, de acordo com este modelo composta por um “pacote” de, digamos, 10 conceitos, 20 comportamentos, 15 atitudes, 20 valores "corretos" sobre o tema, que o pesquisado deveria saber para que se possa dizer o quanto ele está "informado" sobre o tema.

Este modelo implica, necessariamente, na homogeneização prévia dos sujeitos a serem pesquisados na medida em que o pensar, conhecer e se comportar deles diante do fenômeno supõe que todos deveriam reagir uniforme e passivamente ao estímulo, isto é às alternativas que lhe são colocadas, sendo o resultado final a soma dos “concordos”, “discordos”, ou, no máximo dos “concordo muito”, com aquilo que o pesquisador acha que eles deveriam concordar.

O resultado final deste tipo de pesquisa é visto como o equivalente do percentual da posse ou domínio, por esta coletividade, dos atributos "corretos" que, reunidos, compõem o tema (ou seu conhecimento verdadeiro) em questão.

Estas operações sobre os fenômenos são arbitrárias, nada tendo de natural e não oferecendo qualquer garantia de que a pesquisa conduzida nesta base seja capaz de resgatar o que efetivamente as coletividades pensam ou como se sentem ou se comportam diante de um grande número de fenômenos.

É preciso observar que este tipo de procedimento se por um lado, facilita o registro dos dados pelo pesquisador, por outro tem o inconveniente de não corresponder ao processamento habitual do pensamento dos indivíduos, grupos ou coletividades, que se dá, naturalmente, de maneira complexa, integrativa, contraditória e sobretudo DISCURSIVA.

De fato, as pessoas não pensam, espontaneamente, sob a forma de questões ou alternativas mas sob a forma de discursos, imagens, narrações internas e outros que, reunidas, formam um conhecimento não "encaixável" num conhecimento previamente existente e externalizado num questionário mas existe, internamente, na mente dos indivíduos, na medida em que estes introjetaram e incorporaram às suas histórias de vida particulares, os discursos e o imaginário existente na formação socio-cultural do qual fazem parte.

Assim, muito freqüentemente, os resultados que aparecem nas pesquisas sociais de tipo quantitativo estão distorcendo mais ou menos gravemente a realidade do pensamento que se deseja resgatar.

• A lógica da pesquisa que utiliza metodologia qualitativa

Na pesquisa qualitativa as coisas se colocam de modo bastante distinto, na medida em que o assunto a ser conhecido não é submetido a um processo intenso de segmentação, sendo, em geral, subdividido em poucos sub-temas genéricos; estes sub-temas, por sua vez, são transpostos para roteiros compostos por poucas questões abertas, respondidas através de discursos expressando a nosso ver, de modo mais adequado, os pensamentos dos sujeitos investigados.

A pesquisa qualitativa busca reduzir a alta taxa de arbitrariedade presente nas pesquisas empíricas sobre representações sociais, buscando fazer emergir, de forma mais direta e adequada, a fala ou o discurso do social.

Mas não se encontrou, parece-nos, até agora, um modo metodologicamente apropriado de representar esta fala social, que aparece, no mais das vezes, nas pesquisas que se socorrem de metodologia qualitativa, sob a forma precária de simples comentários do pesquisador sobre os depoimentos coletados, com eventuais transcrições de exertos destes.

Pretendemos com as figuras metodológicas por nós desenvolvidas contribuir para uma apresentação e descrição metodologicamente adequadas desta fala do social, ultrapassando a barreira física (digamos assim) do discurso individual, produzindo uma agregação não matemática destes discursos.

O fato das representações sociais só serem resgatáveis através de discursos reconstruídos, já que não existe a possibilidade de uma coletividade, diretamente, emitir um discurso, implica numa certa dose de artificialidade na elaboração destes discursos reconstruídos. Mas esta é bem menor se comparada com aquela presente nas chamadas coletividades matematizadas. A razão é que na pesquisa qualitativa a natureza eminentemente discursiva do pensar dos indivíduos é respeitada (o que não acontece nas pesquisas utilizando metodologia quantitativa) tanto no plano individual quando cada indivíduo emite respostas discursivas a questões abertas, quanto no plano coletivo, quando estes discursos individuais são sintetizados sob formas igualmente discursivas.

Na pesquisa qualitativa estes sujeitos são também homogeneizados, na medida em que devem pertencer a um mesmo ou a semelhantes universos culturais, sociais, organizacionais, ideológicos, etários e outros mas também evidentemente, na medida em que reagem discursivamente (e não como uma massa indiferenciada de “optantes” compulsórios frente a um conhecimento previamente disposto em “alternativas”) diante de um tema ao qual são genericamente apresentados, eles tem muito mais respeitada sua autonomia e liberdade de posicionamento diante deste tema.

4. NOSSOS INSTRUMENTOS - TÍTULO XI

Para descrever as representações sociais, atitudes, opiniões, é preciso lançar mão de procedimentos de organização dos dados discursivos constituindo os substratos destas representações, opiniões e outros.

Nas pesquisas utilizando metodologia qualitativa esta organização é freqüentemente precária ou simplesmente inexistente. A nossa proposta visa contribuir para sanar esta deficiência, através da utilização de quatro figuras metodológicas elaboradas para ajudar a organizar e tabular os depoimentos, condição prévia indispensável para uma boa análise e interpretação destes depoimentos.

Estas figuras são:

• Ancoragem
• Idéia central
• Expressões chaves
• Discurso do sujeito coletivo

Ancoragem

Considerando as coisas genericamente diríamos que quase todo discurso tem uma ancoragem na medida em que está quase sempre alicerçado em pressupostos, teorias, conceitos, hipóteses.

No entanto, para uma análise mais fina de discursos, convém, metodologicamente, destacar e distinguir os discursos onde encontramos marcas lingüísticas claras de ancoragem, daqueles nos quais esta ancoragem é, digamos, genérica. Nestes últimos, não se consegue fazê-la emergir, correndo o intérprete o risco de subjetiva e arbitrariamente, construir aquilo que acredita ser a dita ancoragem.

Positivamente entender-se-á, inspirado na teoria da Representação Social (Jodelet, 1989) que um discurso está ancorado quando é possível encontrar nele traços linguísticos das teorias, hipóteses, conceitos, ideologias existentes na sociedade e na cultura que este indivíduo internalizou.

O destaque dado à ancoragem tem inegável motivação prática. Com efeito, quando se for trabalhar, educativamente, seja com a população seja com os profissionais, parece-nos da mais alta importância tornar manifestas, para eles, as teorias, ideologias, conceitos, que, no mais da vezes inconscientemente, estão subjacentes às suas práticas cotidianas e profissionais.

Idéia central

Para a análise dos depoimentos, idéia central poderia ser entendida como as afirmações permitindo traduzir ou resgatar o essencial do conteúdo discursivo das partes em que se divide o depoimento que, muitas vezes,mas nem sempre, correspondem às próprias questões de pesquisa.

Expressões chaves

As expressões-chave são constituídas por transcrições literais das partes mais significativas dos depoimentos.

Busca-se a literalidade do depoimento. Esta é fundamental na medida em que, através dela, o leitor é capaz - comparando um trecho selecionado do depoimento com o depoimento bruto e com as afirmativas reconstruídas sob a forma de idéias centrais ou ancoragens - de julgar a pertinência ou não da seleção e da tradução dos depoimentos.

Ou seja, as expressões-chave são uma espécie de “prova discursivo-empírica” da “verdade” das idéias centrais e das ancoragens e vice versa.

Na maioria das vezes, é com a materia prima das expressões-chave que se constroem os Discursos do Sujeito Coletivo.

O Discurso do Sujeito Coletivo

O Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), por ser a principal das figuras metodológicas, merece um desenvolvimento mais aprofundado.

Tradicionalmente, a forma utilizada para tabular dados provenientes de questões abertas de pesquisa consiste na leitura das respostas e na identificação de uma palavra, conceito, expressão que revele a essência do sentido da resposta.

Feito isso com um número considerado razoável de questões e encontradas palavras ou expressões suficientes para representá-las, temos o que se chama de categorias.

A partir daí, torna-se possível enquadrar os vários depoimentos/discursos em uma das categorias de modo que dois depoimentos enquadrados na mesma categoria são reputados iguais ou equivalentes, podendo, conseqüentemente, as respostas serem somadas, da mesma forma que se somam respostas iguais nos questionários com questões fechadas.

A categoria, desta forma, torna os depoimentos equivalentes porque expressam a mesma idéia, representada, simbolicamente, pela categoria.

Na categorização, o agrupamento dos discursos, condição necessária para produzir conhecimento ou entendimento através da eliminação da variabilidade individual não pertinente do fenômeno pesquisado, é, pois, classificatório. O que passa a valer é o nome ou o título da classe, deixando os discursos empíricos de existir justamente na medida em que as categorias, ou seja, o nome das classes, passa a existir em seu lugar, ou seja, a ser o signo ou, como diria Pierce (1975), representamem de seu entendimento ou conhecimento.

A categoria/representamem é, assim condição para a “cientificidade” na medida em que os discursos - e os indivíduos que os professam - são classificados, isto é, reduzidos ou eqüalizados nas classes, podendo ser distribuídos por estas classes.

A proposta do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) como forma de conhecimento ou redução da variabilidade discursiva empírica implica em um radical rompimento com esta lógica quantitativo-classificatória na medida em que se busca resgatar o discurso como signo de conhecimentos dos próprios discursos.

Com efeito, com o DSC, os discursos não se anulam ou se reduzem a uma categoria comum unificadora já que o que se busca fazer é precisamente o inverso, ou seja, reconstruir com pedaços de discursos individuais, como num quebra-cabeças, tantos discursos-síntese quantos se julgue necessário para expressar uma dada “figura”, ou seja um dado pensar ou representação social sobre um fenômeno.

O DSC é uma estratégia metodológica com vistas a tornar mais clara uma dada representação social.

Na prática, consiste na reunião, num só discurso-síntese, de vários discursos individuais emitidos como resposta a questões de pesquisa, por sujeitos social e institucionalmente equivalentes ou que fazem parte de uma mesma cultura organizacional e de um grupo social homogêneo na medida em que os indivíduos que fazem parte deste grupo ocupam a mesma ou posições vizinhas, num dado campo social.

Através deste modo discursivo é possível visualisar melhor a representação social na medida em que aparece não sob uma forma (artificial) de quadros e tabelas de categorias, mas sob uma forma (mais viva e direta) de um discurso, que é, como se assinalou o modo como os indivíduos reais, concretos, pensam.

Para a elaboração do DSC parte-se dos discursos em estado bruto, submetidos a um trabalho analítico inicial de decomposição consistindo basicamente, na seleção das principais ancoragens e/ou idéias centrais presentes em cada um dos discursos individuais e em todos eles reunidos, e termina sob uma forma sintética, onde se busca a reconstituição discursiva da representação social.

Nesse sentido, é fácil verificar que o DSC pode também ser visto como um expediente de apresentação de resultados de pesquisa qualitativa, aparentada a algumas formas classicamente encontradas em pesquisas quantitativas, quando se utiliza, para dar visibilidade aos dados “frios” , de afirmações do tipo: a grande vítima da violência urbana em São Paulo é pardo, tem 15 a 29 anos, não completou o primeiro grau, está desempregado.. ou o brasileiro médio não lê, vê muita televisão...

É importante observar que o conteúdo do DSC é composto por aquilo que um dado sujeito individual falou e também por aquilo que poderia ter falado e que seu “companheiro de coletividade” atualizou “por ele” já que o pressuposto sociológico de base é que o DSC é a expressão concreta do imaginário do campo a que ambos pertencem e da posição que ocupam dentro deste campo ou de uma cultura organizacional.

Em síntese, o DSC é como se o discurso de todos fosse o discurso de um.

5. CONCLUSÃO PROVISÓRIA - TÍTULO XI

Um modo legítimo (não o único) de conceber as Representações Sociais consiste em entende-las como a expressão do que pensa ou acha determinada população sobre determinado tema. Este pensar, por sua vez, pode se manifestar, dentre outros modos, através do conjunto de discursos verbais emitidos por pessoas desta população. Estas pessoas, em geral, são inquiridas individualmente sobre o tema, por pesquisadores que participam de projetos de pesquisa destinados, no todo ou em parte, a conhecer, de modo sistemático, estas representações.

Outra maneira de acessar as Representações Sociais é através de artigos publicados em revistas especializadas, livros e outros.

É destes dois grandes tipos de discursos verbais que trata este trabalho e é para ele que os instrumentos metodológicos aqui apresentados foram desenvolvidos.

Os instrumentos, estratégias e técnicas aqui apresentados estão sendo aplicados em uma série de trabalhos publicados, abordando diferentes temas.

Foram, no total, 8 dissertações de mestrado, 2 teses de doutorado, 2 artigos em periódicos especializados, além de materiais não formalmente publicados como apostilas, trabalhos de disciplinas de pós-graduação e outros. (ver http:www.fsp.usp.br/~flefevre).

A aplicação ampla desta metodologia deverá provocar a emergência de críticas e propostas de reformulação e conseqüente aperfeiçoamento progressivo dos instrumentos, técnicas e estratégias que a compõem.

Gostaríamos que os interessados na aplicação destes instrumentos pudessem se agregar de diversas formas, visando o aperfeiçoamento deste tipo de pesquisa. Para isso, estamos lançando a REDE QUALI DSC, podendo ser acessada na Internet no endereço <http://www.fsp.usp.br/~flefevre>.

6. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS - TÍTULO XI

Jodelet D. Représentations sociales: un domaine en expansion. In: Jodelet D (org). Les Représentations Sociales. Paris: PUF;1989.

Minayo MCS. O desafio do conhecimento. Pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo/ Rio de Janeiro: Hucitec/Abrasco; 1992

Oliveira DC et al. Práticas sociais em saúde: uma releitura à luz da teoria das representações sociais in Moreira A e Oliveira DC (orgs) Estudos Interdisciplinares de Representação Social, Goiânia: AB, 1998.

Pierce CS. Semiótica e filosofia. São Paulo: Cultrix/Edusp; 1975.

Simioni AMC; Lefévre F. Maconha, saúde, doença e liberdade: análise de um forum na intenet. Rio de Janeiro: Cadernos de Saúde Pública; no prelo,

Simioni et al . O PGI: análise da eficácia de um estímulo financeiro como instrumento de ação gerencial. Relatório de Pesquisa. S. Paulo: SES/FSP,1991

Spinola, A .et al. São Paulo, Pesquisa Social em Saúde. São Paulo: Ed. Cortez,1992


7. PERGUNTAS E RESPOSTAS - TÍTULO XI

1. Quando se deve optar pela pesquisa social de corte qualitativo? <RESPOSTA 1.DOC>

Quando se deseja saber o que pensa determinada comunidade, sociedade, grupo social sobre determinado tema que faz parte de seu cotidiano de vida ou quando se deseja investigar o sentido de um ou de um conjunto de discursos técnicos, científicos, da mídia e outros, sobre algum tema ou conjunto de temas específicos.

2. Pode-se combinar pesquisa de corte qualitativo com pesquisa de corte quantitativo? <RESPOSTA 2.DOC>

Sim, desde que não se procure quantificar dados qualitativos

3.
A pesquisa de corte qualitativo é sempre uma pesquisa exploratória? <RESPOSTA 3.DOC>
Não. Ela pode ser exploratória para outra pesquisa de corte qualitativo mas não é possível, por exemplo, a partir de uma pesquisa exploratória utilizando nossos instrumentos, desenvolver uma pesquisa utilizando questionários com perguntas fechadas, mesmo que estejam baseadas nos resultados da pesquisa exploratória.

4. Pesquisas de corte qualitativo do tipo das que propomos não são válidas porque, devido ao pequeno número de casos analisados, os resultados não tem validade para as populações estudadas? <RESPOSTA 4A.DOC>

Nossa proposta de pesquisa de corte qualitativo nada tem contra amostras representativas de populações. Em geral lidamos com amostras não estatísticas, compostas de 15 a 30 discursos. Trata-se de amostras intencionais onde se busca escolher um determinado conjunto de indivíduos com todos os principais atributos do grupo estudado de interesse para a pesquisa.

A experiência dos pesquisadores qualitativos indica que, a partir deste tamanho da amostra, examinar um número maior de entrevistas não estará enriquecendo em nada os resultados porque estes tendem a se repetir.

Mas em princípio, nada temos contra trabalhar com amostras de centenas ou milhares de discursos; apenas tal pesquisa demandaria um gasto (pensamos, inútil) de tempo e recursos para se obter o mesmo resultado que se obteria com a análise de algumas dezenas de entrevistas.

Uma exceção: no caso de pesquisas em que se deseja saber, por exemplo, o que pensa o homem e a mulher brasileira sobre sexo, dada a complexidade dos atributos desta população, seria necessário talvez selecionar uma amostra (intencional) com 80, 90 ou até 100 entrevistas.

5. Quando decido aplicar estes instrumentos, qual o primeiro passo? <resposta 5.doc>

Depois das entrevistas estarem totalmente transcritas deve-se lê-las algumas vezes.

Após isso pode-se tomar algumas decisões, como por exemplo, juntar as respostas de 2 ou mais questões para analisá-las em conjunto.

Nesta leitura deve-se também tomar nota das principais idéias que apareceram.

6. E o segundo passo <resposta 6.doc>?

Analisar cada questão (ou grupo de questões) de cada uma das entrevistas.

Numa folha dividida verticalmente ao meio anota-se, para cada questão ou grupo de questões de cada entrevista, na coluna da direita, as expressões chaves da(s) principal(is) idéia(s) presente(s). Na coluna da esquerda registra-se a(as) idéias centrais correspondentes.

Por exemplo, numa pesquisa sobre comportamento sexual do brasileiro havia a seguinte questão:

P. O que você acha do homossexualismo feminino?

Uma das respostas de uma das entrevistadas foi:

R. Olha esse negócio de homossexualismo feminino é engraçado. Sabe, sei lá, eu acho que não tem tanto problema, como no caso do homossexualismo de homem, né?

Neste caso, a expressão chave poderia ser:

Eu acho que não tem tanto problema, como no caso do homossexualismo de homem.

A idéia central correspondente poderia ser:

Homossexualismo feminino menos problemático que o masculino

Às vezes, uma resposta contém mais de uma idéia central/expressão chave.

Este segundo passo consiste em repetir este tipo de operação para cada uma das questões ou grupo de questões de cada uma das entrevistas.

7. E depois? <resposta 7.doc>

O próximo passo consiste em agrupar as diferentes entrevistas num só quadro, reunindo as idéias centrais semelhantes com suas respectivas expressões chave ou aquelas idéias/expressões que possam ser reunidas depois num discurso coerente.

Vamos dar um exemplo de 3 entrevistas em que as entrevistadas respondem à mesma questão sobre o homossexualismo feminino.

A 1a resposta tem como expressão chave:

Eu acho que não tem tanto problema, como no caso do homossexualismo de homem.

A idéia central correspondente é:

Homossexualismo feminino menos problemático que o masculino.

A 2a resposta tem como expressão chave:

Para mim, homossexualismo de mulher é invenção de psicólogo. Tem pouco.

A idéia central correspondente é:

Homossexualismo feminino não é muito freqüente

A 3a resposta tem como expressão chave:

Olha, pra dizer a verdade, eu não acredito muito em mulher macho:

A idéia central correspondente é:

Homossexualismo feminino é duvidoso.

Podemos ver facilmente, que estas idéias são semelhantes e que podem ser agrupadas num só discurso, como veremos no passo seguinte.

8. Qual o passo seguinte ? <Resposta 9.doc>

O passo seguinte consiste no que chamamos de Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), ou seja, na reunião, num só discurso coerente, das idéias centrais e/ou das expressões chave que lhes correspondem .

Tomando o exemplo anterior podemos construir com base nas três expressões chave daqueles três discursos diferentes o seguinte Discurso do Sujeito Coletivo:

Eu acho que não tem tanto problema, como no caso do homossexualismo de homem. Pra mim, homossexualimo de mulher é invenção de psicólogo, tem pouco. Pra dizer a verdade, eu não acredito muito em mulher macho.

O último passo consiste em reunir num só discurso uma síntese de todas as idéias centrais/expressões chave semelhantes ou complementares, criando-se o que chamamos de Discurso do Sujeito Coletivo.

TÍTULO XII-

UMA AVALIAÇÃO DA PRÁTICA DO ALEITAMENTO MATERNO EM CRIANÇAS PORTADORAS DE SÍNDROME DE DOWN NAS REGIÕES DE CAMPINAS E AMERICANA.

Léa F. Amábile de Queiroz Telles


O objetivo deste trabalho foi avaliar a prática do aleitamento materno em crianças portadoras de Síndrome de Down residentes em Campinas, Americana, Nova Odessa e Santa Barbara D’Oeste; 100 mães das crianças interessadas escolhidas ao acaso considerando-se a orientação por elas recebida sobre amamentação, se a mãe foi amamentada no peito, houve dificuldade para a criança mamar no peito, quando foi introduzida a mamadeira, a criança recusou a mamadeira, houve insistência para a criança aceitar a mamadeira, a criança aceitou a mamadeira. Após o levantamento dos dados concluiu: a indicação do uso da mamadeira. se deu na maioria das vezes por indicação de um profissional , houve insistência para a introdução de mamadeiras mesmo para os bebes amamentados no peito e o padrão cultural do uso da mamadeira prevalece .

I - INTRODUÇÃO

1. Histórico
A Síndrome de Down foi descrita em 1866 por John Langdon Down, médico inglês, motivo do batismo com o seu nome. Em 1959, Jerôme Lejeune descobriu a origem genética da Síndrome de Down, pois até então a literatura relatava apenas as características indicando Síndrome.(Aumonier; Cunninghan)1
Sendo o aleitamento materno um dos fatores determinantes na prevenção odontológica, com relação à cariogenicidade e ao desenvolvimento adequado das estruturas componentes da oralidade, conhecer o perfil da amamentação na Síndrome de Down se tornou interessante pois a Síndrome apresenta uma oralidade com características específicas e a indicação de mamadeira e chupeta especialmente para estas crianças determinaram a busca um entendimento mais amplo do quanto estas alterações podem ser potencializadas devido a falta de informação adequadas dadas às mães e do quanto informações inadequadas podem agravar uma oralidade tão comprometida. (Valdes)2

2. Definição
A Síndrome de Down é um acidente genético, ocorrendo ao acaso na divisão celular do embrião. Na célula normal da espécie humana existem 46 cromossomos divididos em 23 pares. O portador da Síndrome possui 47 cromossomos,sendo o extra ligado ao 21.(Aumonier; Cunninghan )1

3. Formas clínicas
Esta alteração genética pode se apresentar de 3 formas:

Trissomia 21 padrão
Cariótipo: 47 XX ou 47 XY (+21)
. A pessoa apresenta 47 cromossomos em todas as suas células, tendo no par 21 três cromossomos. em aproximadamente 95% dos casos.

Trissomia por translocação.
Cariótipo: 46 XX (t 14;21) ou 46 XY (t 14;21)
. A pessoa apresenta cromossomos e o cromossomo 21 extra está aderido a um outro par, em geral o 14 em aproximadamente 3 % dos casos.

Mosaico
. Cariótipo: 46 XX / 47 XX ou 46 XY / 47 XY (+21)
. A pessoa apresenta uma mistura de células normais (46 cromossomos) e células trissômicas (47 cromossomos) ocorrendo em aproximadamente 2% dos casos.

4. Características
As características fenotípicas mais comuns são: hipotonia muscular generalizada; fenda palpebral olbíqua; prega palmar transversa única; face achatada; ponte nasal deprimida; orelhas com baixa implantação e outras. (Aumonier; Cunninghan)1.

5. Características Orais
. hipotonia da musculatura oro-facial;
. alteração no alinhamento dos dentes;
. palato ogival com tendência a fenda;
. língua grande (macroglossia) ou cavidade oral pequena;
.problemas de maturação dos padrões de mastigação, sucção e deglutição. (Valdês)2

6. Incidência
A probabilidade da pessoa ser portadora da Síndrome de Down é de 1 : 600 nascidos vivos (Aumonier ; Cunninghan)1


II - PROPOSIÇÃO

Esta pesquisa tem por objetivo traçar um perfil do aleitamento materno nos portadores da Síndrome de Down mediante as variáveis:

1. orientação da mãe sobre amamentação;
2. se a mãe foi amamentada;
3. se houve dificuldade para a criança mamar no peito;
4. quando foi introduzida a mamadeira;
5. se a criança recusou a mamadeira;
6. se houve insistência para a criança aceitar a mamadeira; e
7. se a criança aceitou.

III - MATERIAL E MÉTODO

A pesquisa foi realizada aplicando-se um questionário onde as mães responderam sobre as características da amamentação de seus filhos no Centro de Recuperação Infantil de Americana - CREIA - Americana - SP, Fundação Síndrome de Down - Campinas - SP, e em privado consultório, em Americana -SP, no período de 6 de outubro de 1997 a 22 de dezembro de 1998, no total de 100 casos, escolhidos ao acaso.
O modelo do questionário aplicado às mães é apresentado a seguir:

QUESTIONÁRIO

1. Por quem foi orientada para amamentar?
- médico
- enfermeira
- família
- não foi orientada

2. Você foi amamentada?
- sim
- não
- não sabe

3. Houve dificuldade para o bebê mamar no peito ?
- sim
- não

4. Quando foi introduzida a mamadeira?
- após 15 dias
- após 1 mês
- após 1 ano
- nunca

5. A criança recusou a mamadeira ?
- sim
- não
- não usou

6. Houve insistência para aceitar a mamadeira ?
- sim
- não

7. A criança aceitou ?
- sim
- não

IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO

TABELA I

TABELA II

TABELA III

TABELA IV

TABELA V

TABELA VI

TABELA VII

V - CONCLUSÕES


Pelo exposto conclui-se quanto a:

1 ) orientação da mãe sobre amamentação: a maioria foi orientada por médico;

2) mãe amamentada no peito: a maioria das mães foi amamentada;

3) dificuldade de mamar no peito: a maioria das crianças não teve dificuldade;

4) quando foi introduzida a mamadeira: a maioria foi introduzida após um mes;

5) se a criança recusou a mamadeira: em proporção iguais com crianças aceitando e recusarando;

6) houve insistência: a maioria das mães insistiu para as crianças aceitarem a mamadeira;

7) aceitação da mamadeira após insistência: predominou a aceitação;


VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Aumonier, M Cunninghan, CC: Breast feeding in infants with Down”s Sindrome in Breastfeeding review New York : nº 8 may, 1986.

2. Valdés, V. Sanches; Labook, M - “Manejo Clínico da lactação – assistência à nutriz e ao lactente” R.J: Ed. Revintes, 1996.